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Vendas de autopeças crescem 10,9%


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

18/10/2011 | 07:02


A indústria brasileira de autopeças registra neste ano, até setembro, crescimento de 10,9% em faturamento frente ao mesmo período do ano passado, mas o ritmo de contratações vem recuando mês a mês, segundo dados do Sindicato da Indústria Nacional de Componentes para Veículos Automotores. As paradas nas montadoras, em consequência dos estoques elevados de carros, trazem à perspectiva de intensificação das demissões no segmento.

De acordo com o levantamento, as admissões, que vinham com alta de 11% em janeiro (em relação ao mesmo mês de 2010), em setembro estavam com expansão de 5,1%.

Isso se explica, entre outros motivos, por causa do real forte frente ao dólar, que leva muitos empresas a importarem, em vez de fabricarem localmente. Nos oito primeiros meses do ano, as aquisições desses itens do Exterior somaram US$ 10,6 bilhões, enquanto as exportações totalizaram US$ 7,3 bilhões.

Mauri Zaccarelli Mendes, diretor-geral da Pichinin, de Mauá, conta que observa crescimento de 20% nos resultados em relação ao mesmo período do ano passado, mas já registra queda de 25% nas vendas em setembro frente a agosto e, em outubro, deve ter declínio de mais 30%.

O executivo explica que sua indústria, que é de fundição de itens em alumínio, tem a demanda reduzida em razão das paradas e férias coletivas das montadoras. "As vendas de veículos diminuíram e o estoque está bastante alto". A Pichinin contava com 170 empregados em 2010, ampliou e agora tem 210, mas, se o cenário não melhorar, Mendes avalia que terá de haver cortes.

QUEDA - Se no levantamento do Sindipeças as vendas ainda são maiores do que em 2010, para pequenos empresários do setor, o cenário é mais crítico e já é de retração. Isso porque o atendimento direto às montadoras - que representa 69,3% do faturamento da indústria de autopeças - é, em grande parte, feito por grandes sistemistas (produtoras de sistemas automotivos).

Emanuel Teixeira, diretor da Metalmech, também de Mauá, já contabiliza queda de 7% na receita neste ano até setembro. Atualmente, sua empresa, que faz molas e artefatos de arame para o segmento, conta com quadro de 53 funcionários. No início do ano, tinha 62. Ele relata que, cada vez mais, a montadora não compra mais a peça, mas sim o subconjunto (por exemplo, o limpador do parabrisa), que passou a ser importado, em muitos casos.

Outro executivo, Claudio Armidoro, diretor da Ecoplas ABC, diz que a queda das vendas de sua empresa já chega a 27% neste ano. A companhia, sediada em São Caetano, produz cabos de acionamento de veículos. Atualmente, está com 75 funcionários. "Devemos fechar o ano com 50", diz. Ele cita que, desde junho, as montadoras têm emendado feriados para ajustar a produção por causa dos estoques elevados, o que prejudica a demanda pelos seus itens.

A conjuntura difícil também fez a metalúrgica MRS, de Mauá, demitir. Em 2010, tinha 230 funcionários, e agora está com 200. Para o diretor comercial, Celso Cestari, a importação de autopeças, somada à redução nas encomendas das fabricantes de veículos, impacta a atividade.

REGIME AUTOMOTIVO - O programa de regime automotivo, que elevou o Imposto sobre Produtos Industrializados para indústrias que não tiverem 65% de conteúdo nacional ou do Mercosul (ou seja fabricação de peças no Brasil ou em países do bloco comercial), não animou as empresas de autopeças da região.

Celso Cestari, da MRS, avalia que, do ponto de vista prático, não deverá ter impacto para a atividade e é lançado depois que o governo já tomou diversas medidas para conter o consumo e reduzir as compras financiada de carros, ao longo do ano. Outro empresário, Emanuel Teixeira, que também é diretor titular da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo em Santo André, igualmente põe em dúvida a eficácia do pacote. "Como vão controlar isso (os 65% de índice de conteúdo nacional)?"

Cestari acrescenta que, se houver alguma ampliação nas compras de peças nacionais, pode ser por causa do câmbio. Isso porque o dólar começou a se valorizar frente ao real a partir de setembro.



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Vendas de autopeças crescem 10,9%

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

18/10/2011 | 07:02


A indústria brasileira de autopeças registra neste ano, até setembro, crescimento de 10,9% em faturamento frente ao mesmo período do ano passado, mas o ritmo de contratações vem recuando mês a mês, segundo dados do Sindicato da Indústria Nacional de Componentes para Veículos Automotores. As paradas nas montadoras, em consequência dos estoques elevados de carros, trazem à perspectiva de intensificação das demissões no segmento.

De acordo com o levantamento, as admissões, que vinham com alta de 11% em janeiro (em relação ao mesmo mês de 2010), em setembro estavam com expansão de 5,1%.

Isso se explica, entre outros motivos, por causa do real forte frente ao dólar, que leva muitos empresas a importarem, em vez de fabricarem localmente. Nos oito primeiros meses do ano, as aquisições desses itens do Exterior somaram US$ 10,6 bilhões, enquanto as exportações totalizaram US$ 7,3 bilhões.

Mauri Zaccarelli Mendes, diretor-geral da Pichinin, de Mauá, conta que observa crescimento de 20% nos resultados em relação ao mesmo período do ano passado, mas já registra queda de 25% nas vendas em setembro frente a agosto e, em outubro, deve ter declínio de mais 30%.

O executivo explica que sua indústria, que é de fundição de itens em alumínio, tem a demanda reduzida em razão das paradas e férias coletivas das montadoras. "As vendas de veículos diminuíram e o estoque está bastante alto". A Pichinin contava com 170 empregados em 2010, ampliou e agora tem 210, mas, se o cenário não melhorar, Mendes avalia que terá de haver cortes.

QUEDA - Se no levantamento do Sindipeças as vendas ainda são maiores do que em 2010, para pequenos empresários do setor, o cenário é mais crítico e já é de retração. Isso porque o atendimento direto às montadoras - que representa 69,3% do faturamento da indústria de autopeças - é, em grande parte, feito por grandes sistemistas (produtoras de sistemas automotivos).

Emanuel Teixeira, diretor da Metalmech, também de Mauá, já contabiliza queda de 7% na receita neste ano até setembro. Atualmente, sua empresa, que faz molas e artefatos de arame para o segmento, conta com quadro de 53 funcionários. No início do ano, tinha 62. Ele relata que, cada vez mais, a montadora não compra mais a peça, mas sim o subconjunto (por exemplo, o limpador do parabrisa), que passou a ser importado, em muitos casos.

Outro executivo, Claudio Armidoro, diretor da Ecoplas ABC, diz que a queda das vendas de sua empresa já chega a 27% neste ano. A companhia, sediada em São Caetano, produz cabos de acionamento de veículos. Atualmente, está com 75 funcionários. "Devemos fechar o ano com 50", diz. Ele cita que, desde junho, as montadoras têm emendado feriados para ajustar a produção por causa dos estoques elevados, o que prejudica a demanda pelos seus itens.

A conjuntura difícil também fez a metalúrgica MRS, de Mauá, demitir. Em 2010, tinha 230 funcionários, e agora está com 200. Para o diretor comercial, Celso Cestari, a importação de autopeças, somada à redução nas encomendas das fabricantes de veículos, impacta a atividade.

REGIME AUTOMOTIVO - O programa de regime automotivo, que elevou o Imposto sobre Produtos Industrializados para indústrias que não tiverem 65% de conteúdo nacional ou do Mercosul (ou seja fabricação de peças no Brasil ou em países do bloco comercial), não animou as empresas de autopeças da região.

Celso Cestari, da MRS, avalia que, do ponto de vista prático, não deverá ter impacto para a atividade e é lançado depois que o governo já tomou diversas medidas para conter o consumo e reduzir as compras financiada de carros, ao longo do ano. Outro empresário, Emanuel Teixeira, que também é diretor titular da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo em Santo André, igualmente põe em dúvida a eficácia do pacote. "Como vão controlar isso (os 65% de índice de conteúdo nacional)?"

Cestari acrescenta que, se houver alguma ampliação nas compras de peças nacionais, pode ser por causa do câmbio. Isso porque o dólar começou a se valorizar frente ao real a partir de setembro.

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