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Água invade imóveis e provoca queda de muro

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Famílias do Jardim Utinga, em Santo André, foram as mais afetadas pelo temporal de ontem


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

25/02/2016 | 07:00


“Só deu tempo de salvar nossas vidas”, ressalta a funcionária de gráfica Silvana Marcos de Oliveira, 40 anos, enquanto olha para a casa onde vive com a mãe, 65, e a filha, 15. O imóvel, localizado na Rua Planaltina, no Jardim Utinga, em Santo André, foi tomado pela água que transbordou do Córrego Oratório e teve dois dos quatro cômodos destruídos pela queda de muro vizinho no fim da tarde de ontem, após forte temporal que atingiu a região.

Nem mesmo a comporta instalada no portão foi capaz de conter a água, que chegou a 1,5 metro de altura. Diante da velocidade com que a enxurrada avançou, Silvana só pensou em remover a família de casa. “Tirei minha mãe pelo muro do vizinho, porque a rua já estava inundada”, lembra, ainda nervosa. Passava das 20h e as três moradoras ainda aguardavam na calçada a água escoar para conseguir entrar no imóvel e verificar os estragos. “Pior que não é a primeira vez que acontece. Há 19 anos, outro muro caiu em cima de mim e quebrei a bacia, também por causa da chuva”, indigna-se a moradora.

Misto de revolta e tristeza tomou conta dos moradores, que contavam com a ajuda dos vizinhos para escoar a água, lavar as casas e tentar salvar alguns pertences. Na Rua Taubaté, no mesmo bairro, a família da dona de casa Maria Cristina Cordeiro da Silva, 49, teve de abrir buraco na parede do quarto para que a água conseguisse escoar. O cômodo, onde ela dorme ao lado das quatro netas, com idade entre 5 e 9 anos, e da filha de 17, foi construído em nível mais baixo que a cozinha, o que causou a inundação de meio metro de altura. “Não deu tempo de salvar muita coisa. Perdemos os colchões, os móveis, roupas”, lamenta.

A dona de casa destaca o descaso por parte do poder público com o bairro, localizado na divisa entre Santo André e a Zona Leste da Capital. “A gente pede para resolver o problema do córrego, mas um joga para o outro e ninguém faz nada”, reclama.

A auxiliar de limpeza Silvana Santiago, 53, demorou cerca de duas horas até conseguir entrar na casa onde vive com três filhas, uma neta, 6, e o marido, que foi tomada pela água. “A gente quase não tem nada na vida e ainda perde o pouco que tem. Não terminei de pagar meus móveis. Não deu tempo de salvar nem mesmo os documentos”, revolta-se.

Alguns moradores precisaram ser resgatados de bote pelos bombeiros, já que ficaram ilhados em suas residências. Já outros, como a dona de casa Ana Costa Oliveira, 94, recusaram-se a abandonar o lar. “Infelizmente esse córrego sempre transborda, mas é a primeira vez que acontece nessa intensidade. Ela tem problema de pressão alta, então a gente acaba ficando ainda mais preocupado”, afirma a filha da idosa, a secretária e bacharel em Direito Mari Vanea Costa Oliveira, 52.

Após averiguação, que demorou cerca de uma hora, o sargento Vieira, do 8º GB (Grupamento de Bombeiros) enfatizou que “felizmente não houve vítimas fatais”. “Tivemos só danos materiais e, como as pessoas estão em locais seguros, apenas orientamos a não andarem pela enchente”, diz.



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Água invade imóveis e provoca queda de muro

Famílias do Jardim Utinga, em Santo André, foram as mais afetadas pelo temporal de ontem

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

25/02/2016 | 07:00


“Só deu tempo de salvar nossas vidas”, ressalta a funcionária de gráfica Silvana Marcos de Oliveira, 40 anos, enquanto olha para a casa onde vive com a mãe, 65, e a filha, 15. O imóvel, localizado na Rua Planaltina, no Jardim Utinga, em Santo André, foi tomado pela água que transbordou do Córrego Oratório e teve dois dos quatro cômodos destruídos pela queda de muro vizinho no fim da tarde de ontem, após forte temporal que atingiu a região.

Nem mesmo a comporta instalada no portão foi capaz de conter a água, que chegou a 1,5 metro de altura. Diante da velocidade com que a enxurrada avançou, Silvana só pensou em remover a família de casa. “Tirei minha mãe pelo muro do vizinho, porque a rua já estava inundada”, lembra, ainda nervosa. Passava das 20h e as três moradoras ainda aguardavam na calçada a água escoar para conseguir entrar no imóvel e verificar os estragos. “Pior que não é a primeira vez que acontece. Há 19 anos, outro muro caiu em cima de mim e quebrei a bacia, também por causa da chuva”, indigna-se a moradora.

Misto de revolta e tristeza tomou conta dos moradores, que contavam com a ajuda dos vizinhos para escoar a água, lavar as casas e tentar salvar alguns pertences. Na Rua Taubaté, no mesmo bairro, a família da dona de casa Maria Cristina Cordeiro da Silva, 49, teve de abrir buraco na parede do quarto para que a água conseguisse escoar. O cômodo, onde ela dorme ao lado das quatro netas, com idade entre 5 e 9 anos, e da filha de 17, foi construído em nível mais baixo que a cozinha, o que causou a inundação de meio metro de altura. “Não deu tempo de salvar muita coisa. Perdemos os colchões, os móveis, roupas”, lamenta.

A dona de casa destaca o descaso por parte do poder público com o bairro, localizado na divisa entre Santo André e a Zona Leste da Capital. “A gente pede para resolver o problema do córrego, mas um joga para o outro e ninguém faz nada”, reclama.

A auxiliar de limpeza Silvana Santiago, 53, demorou cerca de duas horas até conseguir entrar na casa onde vive com três filhas, uma neta, 6, e o marido, que foi tomada pela água. “A gente quase não tem nada na vida e ainda perde o pouco que tem. Não terminei de pagar meus móveis. Não deu tempo de salvar nem mesmo os documentos”, revolta-se.

Alguns moradores precisaram ser resgatados de bote pelos bombeiros, já que ficaram ilhados em suas residências. Já outros, como a dona de casa Ana Costa Oliveira, 94, recusaram-se a abandonar o lar. “Infelizmente esse córrego sempre transborda, mas é a primeira vez que acontece nessa intensidade. Ela tem problema de pressão alta, então a gente acaba ficando ainda mais preocupado”, afirma a filha da idosa, a secretária e bacharel em Direito Mari Vanea Costa Oliveira, 52.

Após averiguação, que demorou cerca de uma hora, o sargento Vieira, do 8º GB (Grupamento de Bombeiros) enfatizou que “felizmente não houve vítimas fatais”. “Tivemos só danos materiais e, como as pessoas estão em locais seguros, apenas orientamos a não andarem pela enchente”, diz.

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