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Delta levou R$ 718,2 mi com negócios em 18 Estados



24/05/2012 | 07:00


Principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento e protagonista do terremoto político provocado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, a Delta Construções também faturou alto em contratos diretos com 18 administrações estaduais. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo nos bancos de dados dos governos identificou pagamentos que somam R$ 718,24 milhões ano passado.

O total arrecadado pela construtora nos Estados equivale a 83,3% dos R$ 862,43 milhões que a empresa faturou em obras e serviços prestados ao governo federal no mesmo período. Ou seja, somente em 2011 a Delta Construções recebeu R$ 1,58 bilhão em recursos públicos federais e estaduais.

A capilaridade da empresa, que está presente em quase todo o País, explica a reduzida disposição inicial da CPI instaurada no Congresso Nacional de investigar as atividades da empresa para além da região centro-oeste - onde o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estabeleceu-se como uma espécie de sócio oculto da construtora.

A revelação de que Cláudio Abreu e Heraldo Puccini Neto, diretores da empresa indiciados pela Operação Saint Michel do Ministério Público do Distrito Federal, tinham procuração para movimentar contas nacionais da construtora deve forçar a CPI a ampliar suas investigações. E os parlamentares terão farto material de análise nas administrações estaduais.

Além de obras, reparos e manutenções, os tesouros estaduais também contrataram a empresa que pertencia a Fernando Cavendish para prestação de serviços de limpeza (R$ 92,45 milhões com o Distrito Federal) e locação de veículos para a área de segurança pública (R$ 16,54 milhões com o Mato Grosso), por exemplo.

O maior faturamento da Delta nos Estados ocorreu no Rio de Janeiro, sede da matriz da empresa. Só em 2011, a empreiteira recebeu R$ 302,8 milhões da administração fluminense - a maior parte veio do Departamento de Estradas de Rodagens local (DER-RJ): R$ 98,7 milhões.

Amigo íntimo de Cavendish, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) tornou-se um dos potenciais alvos da CPI depois que o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) publicou em seu blog fotos e vídeos de festas, shows e jantares entre o empresário, o peemedebista e suas respectivas mulheres na França e em Mônaco.

Nos cinco anos e cinco meses de gestão do peemedebista, Cavendish faturou R$ 1,49 bilhão no Rio. A relação de amizade colocou Cabral na berlinda e pode levá-lo a prestar esclarecimentos à CPI - apesar das manobras de parte dos integrantes da comissão para blindar os governadores.

Depois do Rio, o tesouro estadual que mais pagou à Delta foi o de Pernambuco, estado de origem da empreiteira, fundada em 1961 por Inaldo Soares - pai de Cavendish. Ano passado, o governador Eduardo Campos (PSB) assinou ordens de pagamento à construtora que totalizaram R$ 105 milhões.

O Distrito Federal de Agnelo Queiroz (PT), outro cotado para depor na CPI por conta das relações de ex-assessores com Cachoeira, aparece em terceiro na lista, com R$ 92,8 milhões. Logo após, com R$ 51,9 milhões, vem o Goiás do tucano Marconi Perillo - governador em situação mais delicada por conta de sua relação pessoal com o contraventor.

Os contratos em vigor podem fazer com que os valores pagos à Delta por algumas administrações estaduais se multipliquem nos próximos anos. Apesar de constar com apenas R$ 3,16 milhões em desembolsos no ano passado, o governo do Amazonas, administrado por Omar Aziz (PSD), por exemplo, assinou quatro contratos no valor total de R$ 143,8 milhões, no último trimestre de 2011. O governo está auditando os processos e admite rescindi-los.

O mesmo ocorre no Espírito Santo, do governador Renato Casagrande (PSB), que pagou R$ 3,8 milhões à empresa ano passado, mas que tem ainda tem outros contratos que totalizam R$ 90 milhões com a construtora.

Região Sul

Gravações feitas pela PF na Operação Monte Carlo revelaram que Cachoeira e a Delta cobiçavam entrar em estados como Santa Catarina e Paraná, cujos portais de transparência das administrações estaduais informam não terem feito nenhum pagamento à construtora no ano passado. A região sul ainda era um local inexplorado pelo esquema, pois no Rio Grande do Sul também não há registro de contratos com a empresa.

As assessorias de imprensa dos governadores do Amapá, Bahia, Minas Gerais, Paraíba e Rondônia também garantiram que seus respectivos estados não fizeram pagamentos à Delta no ano passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Delta levou R$ 718,2 mi com negócios em 18 Estados


24/05/2012 | 07:00


Principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento e protagonista do terremoto político provocado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, a Delta Construções também faturou alto em contratos diretos com 18 administrações estaduais. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo nos bancos de dados dos governos identificou pagamentos que somam R$ 718,24 milhões ano passado.

O total arrecadado pela construtora nos Estados equivale a 83,3% dos R$ 862,43 milhões que a empresa faturou em obras e serviços prestados ao governo federal no mesmo período. Ou seja, somente em 2011 a Delta Construções recebeu R$ 1,58 bilhão em recursos públicos federais e estaduais.

A capilaridade da empresa, que está presente em quase todo o País, explica a reduzida disposição inicial da CPI instaurada no Congresso Nacional de investigar as atividades da empresa para além da região centro-oeste - onde o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estabeleceu-se como uma espécie de sócio oculto da construtora.

A revelação de que Cláudio Abreu e Heraldo Puccini Neto, diretores da empresa indiciados pela Operação Saint Michel do Ministério Público do Distrito Federal, tinham procuração para movimentar contas nacionais da construtora deve forçar a CPI a ampliar suas investigações. E os parlamentares terão farto material de análise nas administrações estaduais.

Além de obras, reparos e manutenções, os tesouros estaduais também contrataram a empresa que pertencia a Fernando Cavendish para prestação de serviços de limpeza (R$ 92,45 milhões com o Distrito Federal) e locação de veículos para a área de segurança pública (R$ 16,54 milhões com o Mato Grosso), por exemplo.

O maior faturamento da Delta nos Estados ocorreu no Rio de Janeiro, sede da matriz da empresa. Só em 2011, a empreiteira recebeu R$ 302,8 milhões da administração fluminense - a maior parte veio do Departamento de Estradas de Rodagens local (DER-RJ): R$ 98,7 milhões.

Amigo íntimo de Cavendish, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) tornou-se um dos potenciais alvos da CPI depois que o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) publicou em seu blog fotos e vídeos de festas, shows e jantares entre o empresário, o peemedebista e suas respectivas mulheres na França e em Mônaco.

Nos cinco anos e cinco meses de gestão do peemedebista, Cavendish faturou R$ 1,49 bilhão no Rio. A relação de amizade colocou Cabral na berlinda e pode levá-lo a prestar esclarecimentos à CPI - apesar das manobras de parte dos integrantes da comissão para blindar os governadores.

Depois do Rio, o tesouro estadual que mais pagou à Delta foi o de Pernambuco, estado de origem da empreiteira, fundada em 1961 por Inaldo Soares - pai de Cavendish. Ano passado, o governador Eduardo Campos (PSB) assinou ordens de pagamento à construtora que totalizaram R$ 105 milhões.

O Distrito Federal de Agnelo Queiroz (PT), outro cotado para depor na CPI por conta das relações de ex-assessores com Cachoeira, aparece em terceiro na lista, com R$ 92,8 milhões. Logo após, com R$ 51,9 milhões, vem o Goiás do tucano Marconi Perillo - governador em situação mais delicada por conta de sua relação pessoal com o contraventor.

Os contratos em vigor podem fazer com que os valores pagos à Delta por algumas administrações estaduais se multipliquem nos próximos anos. Apesar de constar com apenas R$ 3,16 milhões em desembolsos no ano passado, o governo do Amazonas, administrado por Omar Aziz (PSD), por exemplo, assinou quatro contratos no valor total de R$ 143,8 milhões, no último trimestre de 2011. O governo está auditando os processos e admite rescindi-los.

O mesmo ocorre no Espírito Santo, do governador Renato Casagrande (PSB), que pagou R$ 3,8 milhões à empresa ano passado, mas que tem ainda tem outros contratos que totalizam R$ 90 milhões com a construtora.

Região Sul

Gravações feitas pela PF na Operação Monte Carlo revelaram que Cachoeira e a Delta cobiçavam entrar em estados como Santa Catarina e Paraná, cujos portais de transparência das administrações estaduais informam não terem feito nenhum pagamento à construtora no ano passado. A região sul ainda era um local inexplorado pelo esquema, pois no Rio Grande do Sul também não há registro de contratos com a empresa.

As assessorias de imprensa dos governadores do Amapá, Bahia, Minas Gerais, Paraíba e Rondônia também garantiram que seus respectivos estados não fizeram pagamentos à Delta no ano passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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