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Mercedes-Benz troca reajuste salarial por vale-alimentação vitalício

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sindicato e montadora definem que convenção coletiva vale por 3 anos, mas a partir do ano que vem e em 2022 haverá correção


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

03/10/2020 | 00:07


Os cerca de 8.500 trabalhadores da Mercedes-Benz aprovaram convenção coletiva com validade de três anos. A principal novidade é que, neste ano, devido às dificuldades trazidas à economia pela pandemia do novo coronavírus – que já postergou a data base de maio para setembro, devido à crise sanitária –, os colaboradores de São Bernardo não terão reajuste nos salários. Em troca, receberão vale-alimentação de R$ 300 como benefício ‘vitalício’, extensivo ao período em que permanecerem na montadora.

Na avaliação de Moisés Selerges, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dado o cenário de adversidades, em que a Covid-19 acertou em cheio a produção e venda do setor automotivo, assim como os demais setores de bens duráveis que não são essenciais, a proposta é positiva. “Eles nunca receberam esse benefício que, no fim das contas, tem valor maior do que se houvesse a correção do salário pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)”, diz, referindo-se ao fato de a inflação ter acumulado, de setembro de 2019 até agosto deste ano, 2,94%. Ele exemplifica que um trabalhador com salário médio de R$ 6.000 na companhia teria reajuste de R$ 176,40. Enquanto que o vale é de R$ 300.

Selerges contextualiza que, no início do ano, a previsão era a de que a Mercedes produzisse 50 mil caminhões e ônibus em 2020, enquanto que, agora, a projeção passou a 30 mil. Para o sindicalista, a recuperação só deve ser vista no primeiro trimestre de 2021, e para o setor de caminhões, que deverá ser puxado pela maior demanda de pesados para atender a retomada da economia sentida pelo agronegócio. O ramo de ônibus deve demorar um pouco mais para reagir, avalia.

“Pelo cenário, fizemos um bom acordo. Conseguimos garantir a reposição da inflação nos vencimentos em 2021 e 2022. O INPC também será aplicado à PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que varia conforme o volume de produção e, a partir do ano que vem, o vale-alimentação também será reajustado. Em 2022, além da correção, o benefício será aumentado para R$ 330”, conta. Os jovens aprendizes também terão direito ao benefício, porém, no valor de R$ 100.

Adicionalmente, a primeira parcela do 13º salário será paga em março pelos próximos três anos – pela lei, a metade da gratificação natalina tem prazo até 30 de novembro para ser depositada.

PDV

A Mercedes-Benz abriu no mês passado PDV (Programa de Demissão Voluntária) na sua unidade de São Bernardo e tinha como meta conseguir a adesão de cerca de 400 trabalhadores até o fim do ano. A montadora havia informado que os pacotes iriam variar conforme o período. Embora o prazo para adesão tenha terminado dia 30, quem optou por ser desligado em outubro recebeu mais benefícios do que aquele que deixou para novembro ou dezembro.

A Mercedes não abriu informações sobre os benefícios, mas Selerges disse que giraram em torno de três salários mais R$ 10 mil. E que a expectativa da montadora foi superada, embora nem sindicato nem empresa tenham divulgado o total de adesões – o programa não foi acordado com a entidade.

Na segunda-feira, a companhia celebrou 64 anos na região e inaugurou sua fábrica 4.0 de chassis de ônibus. Foram investidos R$ 107 milhões na nova linha de montagem, valor que integra R$ 2,4 bilhões anunciados em 2018, para serem aplicado no País até 2022.

Procurada, a montadora não se manifestou até o fechamento desta edição.



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Mercedes-Benz troca reajuste salarial por vale-alimentação vitalício

Sindicato e montadora definem que convenção coletiva vale por 3 anos, mas a partir do ano que vem e em 2022 haverá correção

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

03/10/2020 | 00:07


Os cerca de 8.500 trabalhadores da Mercedes-Benz aprovaram convenção coletiva com validade de três anos. A principal novidade é que, neste ano, devido às dificuldades trazidas à economia pela pandemia do novo coronavírus – que já postergou a data base de maio para setembro, devido à crise sanitária –, os colaboradores de São Bernardo não terão reajuste nos salários. Em troca, receberão vale-alimentação de R$ 300 como benefício ‘vitalício’, extensivo ao período em que permanecerem na montadora.

Na avaliação de Moisés Selerges, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dado o cenário de adversidades, em que a Covid-19 acertou em cheio a produção e venda do setor automotivo, assim como os demais setores de bens duráveis que não são essenciais, a proposta é positiva. “Eles nunca receberam esse benefício que, no fim das contas, tem valor maior do que se houvesse a correção do salário pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)”, diz, referindo-se ao fato de a inflação ter acumulado, de setembro de 2019 até agosto deste ano, 2,94%. Ele exemplifica que um trabalhador com salário médio de R$ 6.000 na companhia teria reajuste de R$ 176,40. Enquanto que o vale é de R$ 300.

Selerges contextualiza que, no início do ano, a previsão era a de que a Mercedes produzisse 50 mil caminhões e ônibus em 2020, enquanto que, agora, a projeção passou a 30 mil. Para o sindicalista, a recuperação só deve ser vista no primeiro trimestre de 2021, e para o setor de caminhões, que deverá ser puxado pela maior demanda de pesados para atender a retomada da economia sentida pelo agronegócio. O ramo de ônibus deve demorar um pouco mais para reagir, avalia.

“Pelo cenário, fizemos um bom acordo. Conseguimos garantir a reposição da inflação nos vencimentos em 2021 e 2022. O INPC também será aplicado à PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que varia conforme o volume de produção e, a partir do ano que vem, o vale-alimentação também será reajustado. Em 2022, além da correção, o benefício será aumentado para R$ 330”, conta. Os jovens aprendizes também terão direito ao benefício, porém, no valor de R$ 100.

Adicionalmente, a primeira parcela do 13º salário será paga em março pelos próximos três anos – pela lei, a metade da gratificação natalina tem prazo até 30 de novembro para ser depositada.

PDV

A Mercedes-Benz abriu no mês passado PDV (Programa de Demissão Voluntária) na sua unidade de São Bernardo e tinha como meta conseguir a adesão de cerca de 400 trabalhadores até o fim do ano. A montadora havia informado que os pacotes iriam variar conforme o período. Embora o prazo para adesão tenha terminado dia 30, quem optou por ser desligado em outubro recebeu mais benefícios do que aquele que deixou para novembro ou dezembro.

A Mercedes não abriu informações sobre os benefícios, mas Selerges disse que giraram em torno de três salários mais R$ 10 mil. E que a expectativa da montadora foi superada, embora nem sindicato nem empresa tenham divulgado o total de adesões – o programa não foi acordado com a entidade.

Na segunda-feira, a companhia celebrou 64 anos na região e inaugurou sua fábrica 4.0 de chassis de ônibus. Foram investidos R$ 107 milhões na nova linha de montagem, valor que integra R$ 2,4 bilhões anunciados em 2018, para serem aplicado no País até 2022.

Procurada, a montadora não se manifestou até o fechamento desta edição.

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