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Banda Sujeito a Guincho tem raiz no Grande ABC


Leonardo Blaz
Da Redaçao

28/01/2000 | 17:12


No fim da década de 60, Sao Bernardo tinha várias bandas, sendo que a Infanto-Juvenil do Rudge Ramos foi a que mais se destacou. Hoje, o grupo nao existe mais, mas deixou como herança uma grande leva de músicos especializados, principalmente, em instrumentos de sopro.

Entre eles estao Edmilson Nery e Sérgio Burgani, o Serginho. Com Luca Raele, Luiz Afonso Montanha e Nivaldo Orsi, eles formam o Sujeito a Guincho, aclamado como o melhor grupo de clarinetistas da América Latina e que acaba de lançar o segundo CD, Die Klarinetmaschine.

"Era muito bom tocar em banda porque os músicos eram estimulados já no início, além de ser muito importante aprender a `ler' música", conta Edmilson, que lembra com saudade de suas participaçoes em concursos pelo interior paulista e em festivais de rádios como integrante da Banda Infanto-Juvenil Rudge Ramos.

Seu irmao, que hoje leciona na Universidade Livre de Música Tom Jobim, em Sao Paulo, tocava trompete no conjunto e isso logo se transformou em um convite para que Edmilson também o integrasse. Ele começou aos 14 anos, tocando, à revelia, saxofone, pois desejava o trompete. Dois anos depois, Edmilson iniciou os estudos na Escola Municipal de Música de Sao Paulo, onde trocou o sax pela clarineta.

Mas nao foi apenas o amor pela música que a Banda Infanto-Juvenil do Rudge Ramos propiciou a Edmilson. Foi lá, também, que ele conheceu a mulher com quem viria a se casar, Ligia Nery, igualmente clarinetista. Assim como o colega, Serginho preserva boas recordaçoes da regiao: "Lembro que o Grande ABC era um centro de referência nacional de instrumentos de sopro. Existiam várias bandas e, no aniversário da cidade, havia um torneio".

Hoje, a única sobrevivente desse áureo período é a Banda Sinfônica de Sao Bernardo do Campo. Grupos famosos, como Sao José, Cidade da Criança e Baeta Neves sao coisas do passado. "Precisamos resgatar aquele momento com a criaçao de novos conjuntos", afirma Serginho.

O Sujeito a Guincho apareceu em 1991, como quarteto, com todos os integrantes já atuando profissionalmente. Sérgio - mais conhecido como Serginho - e Edmilson integravam a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de Sao Paulo) e Luca e Montanha a paulistana.

Como ficavam restritos apenas às grandes orquestras, os músicos começaram a se encontrar constantemente e, descompromissadamente, sempre nas manhas de sábado. "No início foi divertimento e continuamos assim", afirma Serginho. Com o tempo, eles passaram a fazer pequenos concertos em escolas de música, faculdades e no Theatro Municipal de Sao Paulo.

Acidente - Até entao, nem nome o grupo tinha. O batismo aconteceu em 1995, quando os músicos se inscreveram para participar do Prêmio Eldorado. "Guincho é o termo usado para nomear um som estridente da clarineta, que pode acontecer caso o músico esbarre acidentalmente em uma chave ou sopre o ar com muita pressao na palheta", conta Serginho, autor do nome e também, segundo confessa, de alguns guinchos.

Após ser selecionado para o concurso, mais etapas foram vencidas, até o momento em que o Sujeito a Guincho obteve o primeiro lugar e, conseqüentemente, o direito de gravar um álbum e um prêmio em dinheiro. A gravaçao do primeiro disco foi pura correria. "Como o Montanha estava pronto para fazer um doutorado na Alemanha, só permanecemos três dias no estúdio", conta Edmilson.

Mas nem sempre a pressa é inimiga da perfeiçao, pois o disco ganhou o Prêmio Sharp de Melhor Gravaçao Instrumental, em 1996. Em seguida, com a vaga deixada por Montanha, Nivaldo Orsi assumiu o clarone. Montanha voltou e o quarteto virou quinteto.

A trajetória bem sucedida se manteve. Há três anos, por exemplo, o Sujeito a Guincho participou do Clarine Fest, nos Estados Unidos, o maior festival de clarinetas do mundo. "Integrar um evento como esse é o sonho de todo músico pois, além de mostrar seu trabalho, há a oportunidade de ver grandes nomes e as novidades em instrumentos e acessórios", diz Serginho.

Mesmo com todo o êxito, os integrantes do Sujeito a Guincho continuam se dedicando a outras atividades profissionais. "Seria extremamente difícil manter nosso sustento apenas com o grupo. Sao raros os instrumentistas que conseguem isso", lamenta Edmilson. Luca é arranjador, pianista e clarinetista do Nouvelle Cuisine, o conceituado grupo que mescla MPB, jazz, ópera e blues em seu repertório. Os demais integram orquestras e lecionam em universidades.



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