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Poesia e escombros nos retratos de Angola

Um documento fascinante dos contrastes de Angola. Assim poderia ser descrito o livro A Árvore e a Estrela


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

05/01/2009 | 07:01


Um documento fascinante dos contrastes de Angola, nação africana que possui paisagens encantadoras e, ao mesmo tempo, escombros de uma guerra civil que aterrorizou seus habitantes por cerca de três décadas. Assim poderia ser descrito o livro A Árvore e a Estrela (Memória Visual/Nzila, 120 págs.,R$ 79), que marca a estreia no mercado editorial do jornalista e fotógrafo carioca Mauricio Vieira.

A obra reúne 70 fotografias coloridas, que ressaltam as belezas e a espontaneidade de um povo envolvido em um processo de revitalização cultural e material desde 2002, quando foi assinado o acordo que selou o fim dos confrontos entre as Forças Armadas e as tropas rebeldes. A batalha começou em 1975, depois que os angolanos tornaram-se independentes de Portugal.

O autor vive em Luanda, capital angolana, desde 2003, ano em que foi convidado para trabalhar como diretor em uma empresa de construção civil. Formado em economia pela Universidade de Chicago, e em jornalismo pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, Vieira decidiu ajudar Angola em uma área incipiente naquele país: a fotografia.

TABU
Segundo o produtor cultural e fotógrafo Sérgio Guerra - brasileiro radicado em Angola desde 1999 -, o histórico de guerras e os sucessivos governos autoritários moldaram o pensamento de uma parcela significativa da população, sobretudo os mais velhos. "As pessoas, até muito recentemente, consideravam a fotografia e o ato de fotografar em locais públicos como algo proibido", frisa Guerra, em um dos textos do livro, que traz análises do antropólogo e poeta Marcello Sorrentino e do jornalista angolano Luis Fernando.

Apesar dos tabus, Vieira soube interpretar as interseções entre as culturas brasileira e angolana. Em nota explicativa, ele cita que o título do livro faz referência ao Imbondeiro, árvore conhecida no Brasil como Baobá e utilizada em regiões áridas para armazenar água em seu casco oco.

Entre as imagens interessantes captadas pelo autor - que destinará a verba dos direitos autorais para a compra de material didático em Angola - está o registro do trabalho de pescadores na Ilha do Mussulo e o retrato tímido de jovens jogadores do time Brazil, que homenageia a seleção canarinho.



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Poesia e escombros nos retratos de Angola

Um documento fascinante dos contrastes de Angola. Assim poderia ser descrito o livro A Árvore e a Estrela

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

05/01/2009 | 07:01


Um documento fascinante dos contrastes de Angola, nação africana que possui paisagens encantadoras e, ao mesmo tempo, escombros de uma guerra civil que aterrorizou seus habitantes por cerca de três décadas. Assim poderia ser descrito o livro A Árvore e a Estrela (Memória Visual/Nzila, 120 págs.,R$ 79), que marca a estreia no mercado editorial do jornalista e fotógrafo carioca Mauricio Vieira.

A obra reúne 70 fotografias coloridas, que ressaltam as belezas e a espontaneidade de um povo envolvido em um processo de revitalização cultural e material desde 2002, quando foi assinado o acordo que selou o fim dos confrontos entre as Forças Armadas e as tropas rebeldes. A batalha começou em 1975, depois que os angolanos tornaram-se independentes de Portugal.

O autor vive em Luanda, capital angolana, desde 2003, ano em que foi convidado para trabalhar como diretor em uma empresa de construção civil. Formado em economia pela Universidade de Chicago, e em jornalismo pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, Vieira decidiu ajudar Angola em uma área incipiente naquele país: a fotografia.

TABU
Segundo o produtor cultural e fotógrafo Sérgio Guerra - brasileiro radicado em Angola desde 1999 -, o histórico de guerras e os sucessivos governos autoritários moldaram o pensamento de uma parcela significativa da população, sobretudo os mais velhos. "As pessoas, até muito recentemente, consideravam a fotografia e o ato de fotografar em locais públicos como algo proibido", frisa Guerra, em um dos textos do livro, que traz análises do antropólogo e poeta Marcello Sorrentino e do jornalista angolano Luis Fernando.

Apesar dos tabus, Vieira soube interpretar as interseções entre as culturas brasileira e angolana. Em nota explicativa, ele cita que o título do livro faz referência ao Imbondeiro, árvore conhecida no Brasil como Baobá e utilizada em regiões áridas para armazenar água em seu casco oco.

Entre as imagens interessantes captadas pelo autor - que destinará a verba dos direitos autorais para a compra de material didático em Angola - está o registro do trabalho de pescadores na Ilha do Mussulo e o retrato tímido de jovens jogadores do time Brazil, que homenageia a seleção canarinho.

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