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Moradores de áreas de mata criticam desespero por vacinas

Nario Barbosa  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aumento dos casos de febre amarela provoca tumulto em UBSs e gera alarde entre população dos centros urbanos; campanha começa dia 25


Bia Moço
Especial para o Diário

21/01/2018 | 07:05


Enquanto a população que vive em meio urbano e bairros centrais das sete cidades está em corrida incansável pela vacina contra a febre amarela, quem vive em áreas próximas às matas prefere esperar a campanha começar e enfrentar menos fila para a imunização. A equipe do Diário percorreu bairros da região que podem ser considerados mais vulneráveis à circulação do vírus, já que estão próximos a cinturão verde, e ouviu moradores sobre a doença. Apesar de estarem antenados ao cenário de avanço dos casos de contaminação e mortes no Estado, os munícipes consideram que não há motivo para euforia.

Embora a preocupação de contrair a febre amarela exista, Eunice Barros de Souza, 50, moradora do Riacho Grande, em São Bernardo, acredita que brigar por vacinas não tem sentido. “Não soubemos de nenhum caso suspeito por aqui. Pretendo me imunizar, mas só depois que as pessoas forem. Assim não preciso passar por todo esse sufoco”, diz.

No Jardim Represa, em Ribeirão Pires, Aldenisa dos Santos Silva Estaban, 45, vive em imóvel localizado em meio à vegetação e com vista para a Represa Billings há cinco meses. Apesar disso, a ex-moradora de Mauá considera sua situação segura. “Temos de ter mais medo de gente do que de mosquito”, brinca. Sobre a imunização, ela destaca não ter pressa. “Aqui onde moro tem muito bicho, não estou preocupada com picada. Sabemos que tem risco, mas não é nada desesperador.” 

A família de Natalina de Oliveira, 58, divide terreno no Jardim Califórnia, em Rio Grande da Serra. Por conta dos netos, a matriarca destaca preocupação. “Tem muito pernilongo e levamos várias picadas, porém, nunca pegamos nada. Vamos esperar a campanha começar e tomar a vacina juntos. Ficamos com medo sim, muito mais pelas crianças do que por nós adultos”. Enquanto o período de imunização, programado para ter início no dia 25, não chega, a neta mais nova, com 3 anos, dorme em berço protegido por mosquiteiro.

DESESPERO

Já moradores das áreas próximas aos centros comerciais de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá chegam a enfrentar filas quilométricas e acampamentos noturnos na porta de UBSs (Unidades Básicas de Saúde) em busca de vacina. Situações de tumultos e venda de lugares nas filas por R$ 60 foram observados pela equipe do Diário.

O eletricista Danilo Venâncio de Souza, 29, ficou mais de dez horas na fila da UBS da Vila Luzita, em Santo André. com o filho Heitor, 1 ano e 6 meses. O morador do Jardim Represa estava desesperado pela vacina, já que tem viagem marcada para Minas Gerais. No entanto, as vacinas acabaram 52 minutos após a abertura da unidade.

Com objetivo de aumentar o alcance da imunização e minimizar os problemas nas portas das unidades de Saúde, a campanha de vacinação contra a doença foi antecipada pela segunda vez. Entre 25 de janeiro e 17 de fevereiro, todas as 130 UBSs da região ofertarão as doses fracionadas contra a doença – das 8h às 17h. Nas sete cidades, a meta é atender 2,3 milhões de moradores, o que corresponde a 84,7% da população total.

Especialista diz que pânico por imunização não é justificável 

O avanço dos casos de febre amarela – que já vitimou 36 pessoas em todo o Estado – tem causado desespero na população. Embora seja doença preocupante, especialistas acreditam que o pânico em busca das vacinas não é justificável, principalmente para aqueles que não residem em área de risco e que não tenham viagem marcada para áreas em alerta.

Segundo o patologista da SBC (Sociedade Brasileira de Patologia) Juarez Quaresma, dormir na porta de unidades de Saúde – principalmente crianças e idosos – significa risco para a saúde. “Se a pessoa não mora próximo de mata nem vai viajar, não tem urgência”, disse. “As pessoas não sabem, mas a febre amarela é sazonal. O vírus sai da Amazônia, desce os Estados passando por Goiás, Minas Gerais, chega em São Paulo e vai até a Bahia. Dessa forma, todo ano as epidemias vêm e vão embora. Portanto, não é algo novo nem considerado surto, até porque não temos muitos casos.”

Sobre a dose fracionada da vacina, Quaresma diz que a eficácia é comprovada. “As doses são fracionadas, sendo 0,1 ml, ao invés dos 0,5 ml convencionais, o que não compromete a durabilidade de oito anos”. As carteiras de vacinação terão selo para informar a diferença.

A região investiga a morte de um idoso, morador de Santo André. Ele teria contraído febre amarela durante viagem ao Mato Grosso do Sul. Nenhuma outra cidade registrou casos suspeitos da doença neste ano. Em 2017, também em Santo André, uma mulher morreu em razão do vírus após contraí-lo em Minas Gerais.

Macacos indicam avanço da doença; vírus é transmitido pelo Aedes aegypti

Embora o vírus da febre amarela seja transmitido pelo mosquito Aedes aegypti – que também propaga a dengue, zika vírus e chikungunya –, muita gente acredita, erroneamente, que os macacos sejam os responsáveis pela chegada da doença aos centros urbanos.

O patologista da SBC (Sociedade Brasileira de Patologia) Juarez Quaresma explica que os primatas são tão vítimas da doença quanto os humanos. “Os macacos são considerados marcadores de circulação do vírus. Se um macaco morre próximo aos centros urbanos e fica constatado que foi de febre amarela, temos certeza de que o vírus está chegando às cidades.”

O médico diz que a doença não é transmissível. Só fica contaminado aquele que é picado pelo mosquito. “Não faz sentido algum culpar os macacos, que são o que ajudam os pesquisadores a tomar ciência de quando uma doença está se aproximando. Matar os primatas não vai impedir o avanço do ciclo epidemiológico. Pelo contrário. Vai afetar até a conscientização de quanto o vírus está se alastrando”, alerta Quaresma.

Moradores de Santo André, entretanto, relatam casos de maus-tratos aos macacos que costumeiramente eram observados nas áreas de mata, em regiões mais afastadas, como Clube de Campo e Jardim Represa. “Ali no bairro sempre passavam uns macaquinhos correndo. Alguns morreram. A população achou que eles espalhavam a doença e todo mundo está assustado. Sei que muitos foram em busca de pegar os animais para maltratar e até matar. Eles sumiram. Tem de ter consicência de que eles não são os culpados”, destaca o tapeceiro Aguinaldo Ferreira, 52 anos. 



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