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ONG cobra governo sobre leishmaniose


Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

18/11/2012 | 07:00


Pouco conhecida, a leishmaniose visceral é uma zoonose caracterizada por ser predominante em áreas rurais e atingir principalmente os cães. Porém, a expansão do mosquito transmissor tem ameaçado a zona urbana localizada próxima a grandes centros. Preocupados com o problema, instituições protetoras de animais têm se mobilizado para cobrar do governo federal postura mais eficiente no combate ao vetor. Isso porque, segundo entidades e veterinários, o Ministério da Saúde prioriza a prática da eutanásia para eliminar o cão, principal hospedeiro, mas não investe no controle da expansão do mosquito-palha. Ou seja, cachorros são mortos sem que as causas da doença sejam contidas e investigadas.

Baseada nessa discussão, a Arca (Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal), da Capital, criou a campanha O cão não é o vilão (www.ocaonaoeovilao.org.br). O objetivo é proibir a eutanásia de cães, liberar o tratamento e criar centros de referência especializados no acompanhamento da leishmaniose. A doença, que também atinge humanos, é silenciosa e pode não se manifestar durante longo tempo.

O período de incubação no homem varia de dez dias a 24 meses. No cão, de três meses a vários anos. Febre, perda de peso, alterações cutâneas e insuficiência renal estão entre os principais sintomas.

Segundo a coordenadora da campanha, Fernanda Kerr, a política de combate adotada pelo governo federal é vigente há pelo menos 50 anos e precisa ser reformulada. "Vemos os relatórios anuais da OMS (Organização Mundial da Saúde) e constatamos que a prática não é recomendada. É consenso entre especialistas e pesquisadores do mundo inteiro que a eliminação de cães não tem impacto no avanço da doença. Não é uma atitude humanitária. Somos uma sociedade evoluída. Não podemos tomar medidas tão primitivas."

A organização defende adoção de ações preventivas, como medidas sanitárias, para evitar criadouros do mosquito (que se reproduz onde há material orgânico como lixo, folhagem úmida, restos de comida ou jardim), além do incentivo à conscientização popular. Muitas vezes a desinformação faz com que as pessoas entreguem seus cachorros à Vigilância Sanitária depois de constatada a contaminação. A medida, porém, é desnecessária, uma vez que a leishmaniose visceral não é contagiosa. "Sem contar que se desfazer do cachorro só aproxima o vetor da pessoa. O risco de transmissão aumenta, pois o mosquito não terá mais por perto o seu principal hospedeiro", explica Fernanda.

Cachorros domésticos são menos propensos à contaminação por viverem em ambientes higienizados e terem boa alimentação. Desta forma, então, o principal alvo do mosquito são os cães abandonados.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, no ano passado foram diagnosticados 166 casos da doença, com 13 mortes. Neste ano, até junho, os dados somam 57 casos e duas mortes. A Pasta não informou em quais cidades os óbitos ocorreram. Porém, segundo organizações, há relatos de infestações recentes nos estados de São Paulo (Cotia, Embu das Artes e Araçatuba), Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Subsídio para vacina contra a doença pode conter avanço

A vacinação contra a leishmaniose não é barata: pode variar entre R$ 80 e R$ 150. É necessária a aplicação de pelo menos três doses ao ano para ativar a proteção máxima no animal. Para o veterinário Reinaldo Alberto Perez, dono de clínica veterinária há 32 anos em São Caetano, o governo federal deveria facilitar o acesso à imunização. "A postura que vemos (do governo federal) é muito radical. Os cães têm sido eliminados como tentativa frustrada de frear a doença. O Ministério da Saúde poderia estipular preço fixo para a vacina ou fazer como a anti-rábica, que está disponível gratuitamente."

Porém, segundo Perez, o problema é mais grave e depende da colaboração da sociedade. Como o mosquito-palha se reproduz em materiais orgânicos, o veterinário pede atenção quanto ao descarte consciente de lixo. "A educação é um dos fatores mais importantes quando falamos em meio ambiente e destino adequado do lixo e reciclagem. Sabemos que nossas dimensões territoriais são enormes e, sem educação da população, esse processo é dificultado."

A leishmaniose também pode atingir, em menor proporção, gatos, raposas, roedores, tamanduás, além de cavalos, zebras e outros equinos. Especialistas e veterinários atribuem a falta de interesse do governo federal em aprimorar o combate à leishmaniose ao baixo número de casos registrados no País e por ser mais recorrente em regiões inabitadas.

Ministério da Saúde não detalha ações de combate

O Ministério da Saúde não explicou de que forma realiza o combate do mosquito-palha transmissor da leishmaniose visceral, tampouco esclareceu as acusações de baixo investimento em prevenção eficaz. Segundo a pasta federal, são feitas ações em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, com foco em áreas de maior risco. A nota enviada ao Diário diz que as medidas envolvem vigilância, diagnóstico e tratamento precoce dos casos humanos, além do controle do inseto transmissor. As iniciativas, no entanto, não são detalhadas.

Para prevenir a doença, o Ministério da Saúde recomenda à população a adoção de diversas medidas, como a limpeza de quintais e terrenos, especialmente em áreas sombreadas. Para proteção individual, a dica é usar repelentes. Segundo o governo federal, foram registrados no País 3.852 casos da doença em 2008, 6.693 em 2009, 3.526 em 2010 e 3.894 no ano passado.

Conforme as Secretarias de Saúde, a região não tem histórico da doença, com exceção de São Bernardo e Ribeirão Pires. São Bernardo teve uma pessoa por ano infectada em 2007, 2010, 2011 e 2012. Todos os casos foram contraídos fora da cidade. Já em Ribeirão, um cão foi diagnosticado com a doença no ano passado. Não houve mortes. Mesmo sem histórico, prefeituras disseram que a prevenção é adotada com orientação sobre descarte adequado de resíduos sólidos orgânicos e monitoramento dos casos.



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ONG cobra governo sobre leishmaniose

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

18/11/2012 | 07:00


Pouco conhecida, a leishmaniose visceral é uma zoonose caracterizada por ser predominante em áreas rurais e atingir principalmente os cães. Porém, a expansão do mosquito transmissor tem ameaçado a zona urbana localizada próxima a grandes centros. Preocupados com o problema, instituições protetoras de animais têm se mobilizado para cobrar do governo federal postura mais eficiente no combate ao vetor. Isso porque, segundo entidades e veterinários, o Ministério da Saúde prioriza a prática da eutanásia para eliminar o cão, principal hospedeiro, mas não investe no controle da expansão do mosquito-palha. Ou seja, cachorros são mortos sem que as causas da doença sejam contidas e investigadas.

Baseada nessa discussão, a Arca (Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal), da Capital, criou a campanha O cão não é o vilão (www.ocaonaoeovilao.org.br). O objetivo é proibir a eutanásia de cães, liberar o tratamento e criar centros de referência especializados no acompanhamento da leishmaniose. A doença, que também atinge humanos, é silenciosa e pode não se manifestar durante longo tempo.

O período de incubação no homem varia de dez dias a 24 meses. No cão, de três meses a vários anos. Febre, perda de peso, alterações cutâneas e insuficiência renal estão entre os principais sintomas.

Segundo a coordenadora da campanha, Fernanda Kerr, a política de combate adotada pelo governo federal é vigente há pelo menos 50 anos e precisa ser reformulada. "Vemos os relatórios anuais da OMS (Organização Mundial da Saúde) e constatamos que a prática não é recomendada. É consenso entre especialistas e pesquisadores do mundo inteiro que a eliminação de cães não tem impacto no avanço da doença. Não é uma atitude humanitária. Somos uma sociedade evoluída. Não podemos tomar medidas tão primitivas."

A organização defende adoção de ações preventivas, como medidas sanitárias, para evitar criadouros do mosquito (que se reproduz onde há material orgânico como lixo, folhagem úmida, restos de comida ou jardim), além do incentivo à conscientização popular. Muitas vezes a desinformação faz com que as pessoas entreguem seus cachorros à Vigilância Sanitária depois de constatada a contaminação. A medida, porém, é desnecessária, uma vez que a leishmaniose visceral não é contagiosa. "Sem contar que se desfazer do cachorro só aproxima o vetor da pessoa. O risco de transmissão aumenta, pois o mosquito não terá mais por perto o seu principal hospedeiro", explica Fernanda.

Cachorros domésticos são menos propensos à contaminação por viverem em ambientes higienizados e terem boa alimentação. Desta forma, então, o principal alvo do mosquito são os cães abandonados.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, no ano passado foram diagnosticados 166 casos da doença, com 13 mortes. Neste ano, até junho, os dados somam 57 casos e duas mortes. A Pasta não informou em quais cidades os óbitos ocorreram. Porém, segundo organizações, há relatos de infestações recentes nos estados de São Paulo (Cotia, Embu das Artes e Araçatuba), Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Subsídio para vacina contra a doença pode conter avanço

A vacinação contra a leishmaniose não é barata: pode variar entre R$ 80 e R$ 150. É necessária a aplicação de pelo menos três doses ao ano para ativar a proteção máxima no animal. Para o veterinário Reinaldo Alberto Perez, dono de clínica veterinária há 32 anos em São Caetano, o governo federal deveria facilitar o acesso à imunização. "A postura que vemos (do governo federal) é muito radical. Os cães têm sido eliminados como tentativa frustrada de frear a doença. O Ministério da Saúde poderia estipular preço fixo para a vacina ou fazer como a anti-rábica, que está disponível gratuitamente."

Porém, segundo Perez, o problema é mais grave e depende da colaboração da sociedade. Como o mosquito-palha se reproduz em materiais orgânicos, o veterinário pede atenção quanto ao descarte consciente de lixo. "A educação é um dos fatores mais importantes quando falamos em meio ambiente e destino adequado do lixo e reciclagem. Sabemos que nossas dimensões territoriais são enormes e, sem educação da população, esse processo é dificultado."

A leishmaniose também pode atingir, em menor proporção, gatos, raposas, roedores, tamanduás, além de cavalos, zebras e outros equinos. Especialistas e veterinários atribuem a falta de interesse do governo federal em aprimorar o combate à leishmaniose ao baixo número de casos registrados no País e por ser mais recorrente em regiões inabitadas.

Ministério da Saúde não detalha ações de combate

O Ministério da Saúde não explicou de que forma realiza o combate do mosquito-palha transmissor da leishmaniose visceral, tampouco esclareceu as acusações de baixo investimento em prevenção eficaz. Segundo a pasta federal, são feitas ações em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, com foco em áreas de maior risco. A nota enviada ao Diário diz que as medidas envolvem vigilância, diagnóstico e tratamento precoce dos casos humanos, além do controle do inseto transmissor. As iniciativas, no entanto, não são detalhadas.

Para prevenir a doença, o Ministério da Saúde recomenda à população a adoção de diversas medidas, como a limpeza de quintais e terrenos, especialmente em áreas sombreadas. Para proteção individual, a dica é usar repelentes. Segundo o governo federal, foram registrados no País 3.852 casos da doença em 2008, 6.693 em 2009, 3.526 em 2010 e 3.894 no ano passado.

Conforme as Secretarias de Saúde, a região não tem histórico da doença, com exceção de São Bernardo e Ribeirão Pires. São Bernardo teve uma pessoa por ano infectada em 2007, 2010, 2011 e 2012. Todos os casos foram contraídos fora da cidade. Já em Ribeirão, um cão foi diagnosticado com a doença no ano passado. Não houve mortes. Mesmo sem histórico, prefeituras disseram que a prevenção é adotada com orientação sobre descarte adequado de resíduos sólidos orgânicos e monitoramento dos casos.

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