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O nome da dança e da poesia

Balancê com seu par! Marque o passo, sem sair do lugar. Anavan! Todos avançam para o centro, balançando os


Carlos Brickmann

24/06/2012 | 00:00


Balancê com seu par! Marque o passo, sem sair do lugar. Anavan! Todos avançam para o centro, balançando os braços e cumprimentando-se. Voa, andorinha! Os cavalheiros ficam semi-ajoelhados. Voa, gavião! Todos dão duas voltas para a direita. Trocar de lado! Todos no centro, pela direita. Giro! Cada um no lugar do outro. Caminho da roça! Todos batem palmas e vão para a direita.

Trenzinho! Um fica atrás do outro. Caminham para a direita. Enrolar! A gente sabe como é, eles sabem mais ainda. Changê! O cavalheiro dá a volta pela direita, sempre pela direita, e passa a dama para trás.

Nada de interpretações maliciosas, caro leitor, nada referente ao que está acontecendo na sucessão paulistana: isto é parte de uma dança popularíssima no nosso país, adaptada de festas da nobreza da França (o que explica os nomes, corruptelas de palavras francesas). Ainda há mais coisas, como "coroar" - exatamente, colocar a coroa; e "descoroar" - exatamente, descartar a coroa. No final, a despedida, em que todos se retiram acenando para as pessoas que não participam da festa a não ser como espectadores. A festa chama-se "quadrilha".

Há ainda uma paródia de poema famoso, "Luiz Inácio que amava a gerentona que detestava a Marta que não fazia o que achava errado e só amava quem queria, e não era o Fernando Vaidoso. Marta e Luiza foram para escanteio, Fernando ainda não sabe onde está e Luiz Inácio só quer saber dele mesmo". Se este poema fosse de Drummond, que o inspirou, também poderia chamar-se "Quadrilha".

O ribombar do silêncio

Ganha uma gravação de Blowin' in the Wind, com Eduardo Suplicy de intérprete, quem tiver ouvido uma palavra sua a respeito da aliança de seu partido, o PT, com o antigo adversário Paulo Maluf. Seu silêncio é ensurdecedor: Erundina foi escolhida para ser vice de Fernando Haddad; Haddad, Lula e o alto-comando do PT foram à mansão de Maluf para pedir seu apoio, que obtiveram; a foto do encontro chocou muita gente, a começar por Erundina, que desistiu de ser candidata. E Suplicy se manteve no mais obsequioso e profundo silêncio.

No caso, o silêncio é melhor

Agora ele voltou a se manifestar: depois de ter vestido uma cueca vermelha por cima do terno, numa tentativa de imitar o SuperHomem, depois de ter imitado ao microfone, como os Racionais MC, o barulho de tiros, depois de torturar repetidamente o sucesso Blowin' in the Wind, de Bob Dylan, o senador petista por São Paulo ostentou no Senado um chapeuzinho de Robin Hood, o herói inglês do século 13 que dava para os pobres e roubava dos ricos. A performance do senador ocorreu em apoio à proposta do presidente francês François Hollande, de taxar grandes fortunas e transações financeiras, e com o dinheiro criar um fundo que garanta renda para a população mais pobre. É curioso, mas o presidente francês que Suplicy apoia é conhecido na França como "Senhor Normal".

Agora é na Justiça

Termina a Rio +20, as festas juninas e suas quadrilhas monopolizam o interesse parlamentar, haverá mais alguns depoimentos na CPI do Cachoeira. E começa o recesso. Em agosto, política vira sinônimo de campanha: o que interessa a Suas Excelências são as eleições municipais. Mas, de qualquer maneira, teremos um início quente de agosto, não por causa da política, mas dos tribunais. O ministro Ricardo Lewandowski promete entregar seu relatório do Mensalão nesta semana; com isso, o julgamento dos 38 réus pode começar em 1º de agosto. Há ministros do Supremo interessados em concluir o julgamento do Mensalão até meados de setembro, no máximo. Com isso, César Peluzo e Ayres de Brito, que se aposentarão compulsoriamente por idade, terão tempo de votar.

Astros e estrelas

Há gente importante entre os réus: José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares; Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB; Duda Mendonça, que fez a campanha de Lula para presidente em 2002; o publicitário Marcos Valério, acusado de operar o esquema; três banqueiros; vários operadores de mercado; ex-ministros e ocupantes de cargos executivos de diversos partidos. Vai ferver.

Abrindo caminho

O deputado federal Beto Mansur, do PP paulista, foi convidado pelo presidente da CBF, José Maria Marin, para dirigir o futebol feminino brasileiro. Ainda não deu resposta. No momento, Mansur está em Londres e só deve voltar no fim do mês, para a Virada Esportiva. O convite a Mansur tem lógica (que não se limita ao acordo entre malufistas e petistas): ele, que já foi duas vezes prefeito de Santos, se sair candidato atrapalha os planos da candidata petista Telma de Souza. É melhor mantê-lo longe de cargos executivos e fora do caminho de Telma.

O alvo errado

Percebe-se que as coisas ultrapassaram todos os limites quando o juiz de um caso em que o réu está preso pede afastamento, alegando sentir-se ameaçado. Se nem o juiz tem alguma segurança, como devem sentir-se os cidadãos comuns? O juiz Moreira Lima conseguiu ser afastado; e não se falou em controlar as prisões, para evitar que criminosos, mesmo presos, continuem mandando nas ruas.



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O nome da dança e da poesia

Balancê com seu par! Marque o passo, sem sair do lugar. Anavan! Todos avançam para o centro, balançando os

Carlos Brickmann

24/06/2012 | 00:00


Balancê com seu par! Marque o passo, sem sair do lugar. Anavan! Todos avançam para o centro, balançando os braços e cumprimentando-se. Voa, andorinha! Os cavalheiros ficam semi-ajoelhados. Voa, gavião! Todos dão duas voltas para a direita. Trocar de lado! Todos no centro, pela direita. Giro! Cada um no lugar do outro. Caminho da roça! Todos batem palmas e vão para a direita.

Trenzinho! Um fica atrás do outro. Caminham para a direita. Enrolar! A gente sabe como é, eles sabem mais ainda. Changê! O cavalheiro dá a volta pela direita, sempre pela direita, e passa a dama para trás.

Nada de interpretações maliciosas, caro leitor, nada referente ao que está acontecendo na sucessão paulistana: isto é parte de uma dança popularíssima no nosso país, adaptada de festas da nobreza da França (o que explica os nomes, corruptelas de palavras francesas). Ainda há mais coisas, como "coroar" - exatamente, colocar a coroa; e "descoroar" - exatamente, descartar a coroa. No final, a despedida, em que todos se retiram acenando para as pessoas que não participam da festa a não ser como espectadores. A festa chama-se "quadrilha".

Há ainda uma paródia de poema famoso, "Luiz Inácio que amava a gerentona que detestava a Marta que não fazia o que achava errado e só amava quem queria, e não era o Fernando Vaidoso. Marta e Luiza foram para escanteio, Fernando ainda não sabe onde está e Luiz Inácio só quer saber dele mesmo". Se este poema fosse de Drummond, que o inspirou, também poderia chamar-se "Quadrilha".

O ribombar do silêncio

Ganha uma gravação de Blowin' in the Wind, com Eduardo Suplicy de intérprete, quem tiver ouvido uma palavra sua a respeito da aliança de seu partido, o PT, com o antigo adversário Paulo Maluf. Seu silêncio é ensurdecedor: Erundina foi escolhida para ser vice de Fernando Haddad; Haddad, Lula e o alto-comando do PT foram à mansão de Maluf para pedir seu apoio, que obtiveram; a foto do encontro chocou muita gente, a começar por Erundina, que desistiu de ser candidata. E Suplicy se manteve no mais obsequioso e profundo silêncio.

No caso, o silêncio é melhor

Agora ele voltou a se manifestar: depois de ter vestido uma cueca vermelha por cima do terno, numa tentativa de imitar o SuperHomem, depois de ter imitado ao microfone, como os Racionais MC, o barulho de tiros, depois de torturar repetidamente o sucesso Blowin' in the Wind, de Bob Dylan, o senador petista por São Paulo ostentou no Senado um chapeuzinho de Robin Hood, o herói inglês do século 13 que dava para os pobres e roubava dos ricos. A performance do senador ocorreu em apoio à proposta do presidente francês François Hollande, de taxar grandes fortunas e transações financeiras, e com o dinheiro criar um fundo que garanta renda para a população mais pobre. É curioso, mas o presidente francês que Suplicy apoia é conhecido na França como "Senhor Normal".

Agora é na Justiça

Termina a Rio +20, as festas juninas e suas quadrilhas monopolizam o interesse parlamentar, haverá mais alguns depoimentos na CPI do Cachoeira. E começa o recesso. Em agosto, política vira sinônimo de campanha: o que interessa a Suas Excelências são as eleições municipais. Mas, de qualquer maneira, teremos um início quente de agosto, não por causa da política, mas dos tribunais. O ministro Ricardo Lewandowski promete entregar seu relatório do Mensalão nesta semana; com isso, o julgamento dos 38 réus pode começar em 1º de agosto. Há ministros do Supremo interessados em concluir o julgamento do Mensalão até meados de setembro, no máximo. Com isso, César Peluzo e Ayres de Brito, que se aposentarão compulsoriamente por idade, terão tempo de votar.

Astros e estrelas

Há gente importante entre os réus: José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares; Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB; Duda Mendonça, que fez a campanha de Lula para presidente em 2002; o publicitário Marcos Valério, acusado de operar o esquema; três banqueiros; vários operadores de mercado; ex-ministros e ocupantes de cargos executivos de diversos partidos. Vai ferver.

Abrindo caminho

O deputado federal Beto Mansur, do PP paulista, foi convidado pelo presidente da CBF, José Maria Marin, para dirigir o futebol feminino brasileiro. Ainda não deu resposta. No momento, Mansur está em Londres e só deve voltar no fim do mês, para a Virada Esportiva. O convite a Mansur tem lógica (que não se limita ao acordo entre malufistas e petistas): ele, que já foi duas vezes prefeito de Santos, se sair candidato atrapalha os planos da candidata petista Telma de Souza. É melhor mantê-lo longe de cargos executivos e fora do caminho de Telma.

O alvo errado

Percebe-se que as coisas ultrapassaram todos os limites quando o juiz de um caso em que o réu está preso pede afastamento, alegando sentir-se ameaçado. Se nem o juiz tem alguma segurança, como devem sentir-se os cidadãos comuns? O juiz Moreira Lima conseguiu ser afastado; e não se falou em controlar as prisões, para evitar que criminosos, mesmo presos, continuem mandando nas ruas.

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