Fechar
Publicidade

Sábado, 16 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Giovanna Antonelli: humor à flor da pele


Mariana Trigo
Da TV Press

09/11/2008 | 07:01


Giovanna Antonelli desnuda os dentes brancos num farto sorriso quando conversa sobre Alma. Falante e ligeiramente ansiosa, a atriz de 34 anos fala compulsivamente sobre sua primeira personagem cômica da carreira, na trama Três Irmãs, de Antônio Calmon, na Globo. Entre muitas baforadas num cigarro de filtro branco e goladas rápidas de café, Giovanna se acomoda com flexibilidade num pufe e começa a traçar semelhanças entre ela e a destrambelhada ginecologista que não consegue ser feliz com os namorados na trama. A personagem tem sido uma espécie de oásis humorado na carreira da atriz, que estreou na TV há 20 anos como Angeliquete, assistente de palco da Angélica no Clube da Criança, da extinta Manchete. "Quando comecei a ler os primeiros blocos da Alma, já sabia que passaria esses meses no Projac para me divertir. Além de ser parecida comigo, é a personagem mais leve que já fiz", avalia, alisando os cabelos castanhos.

Em Três Irmãs você lida com duas situações novas em uma novela: fazer um personagem cômico e trabalhar com o diretor Dennis Carvalho, que há tempos disse que gostaria de dirigi-la. Como tem sido?

GIOVANNA ANTONELLI - Me orgulho de poder mostrar que também posso fazer comédia. Tem sido uma delícia, um tesão, porque tenho esse lado cômico na minha vida pessoal. As pessoas que realmente me conhecem dizem que a Alma é a minha cara. Tenho esse jeitão dela, esse tempo de humor na minha vida, com meus fracassos. Não chego a ser tão destrambelhada. Mas o meu jeito foi a base na criação dessa personagem. Com o Dennis, é a concretização de um namoro profissional de anos. Ele é um agregador de almas, a alegria em pessoa. É impressionante como ele contagia um clima de harmonia. Venho para cá me divertir. E isso nasce do comandante do navio.

O tom cômico da Alma se esvai quando a personagem está trabalhando. Houve uma composição específica por ela ser ginecologista e abordar doenças na trama?

GIOVANNA - Acho superimportante que ela fuja da comédia nesses momentos. A cada cena que gravamos no ambulatório ou no hospital, tenho uma equipe médica que fica perto, observando e conduzindo. Nos ensaios, também sou instruída. Eles ficam ali para que nada fuja da realidade. Como novela influencia demais a vida das pessoas, acho importante passar coisas didáticas de uma forma gostosa.

Existe uma sucessiva repetição de cenas que explicam sobre doenças femininas. Esse assunto pode cair num certo didatismo cansativo?

GIOVANNA - As pessoas aprendem na repetição. Num primeiro momento, elas não prestam muita atenção, depois começam a se ligar. É legal para se criar uma conscientização e quebrar tabus. Tem gente que ainda tem vergonha de ir ao ginecologista. Isso é uma besteira em pleno século 21. Não dá para se ter esse tipo de preconceito, mas isso existe. Meu papel com a Alma é destruir esses tabus.

Você sempre viveu mulheres determinadas e com personalidade forte. Quase não interpretou tipos frágeis na TV. Por quê?

GIOVANNA - Tive sorte. A cada trabalho, fui criando mais credibilidade, mostrando do que sou capaz. Isso gera uma viabilidade. Ao longo da carreira, tive de dizer alguns ‘nãos' por não acreditar no projeto ou não ser o que eu queria fazer no momento. Minhas decisões foram muito acertadas. As coisas aconteceram de forma lenta e gradativa desde que comecei na TV, há 20 anos. Quando fiz a Capitu, que foi minha arrancada nesta profissão, já tinha uma base que me dava segurança. O mesmo aconteceu com a Jade. Preciso me apaixonar pelo projeto para aceitar.

De que forma a Capitu e a Jade se tornaram os papéis de maior destaque na sua carreira?

GIOVANNA - A Capitu foi a minha grande virada. Todos passaram a me ver de outra forma. Com ela, as pessoas que me olhavam e não me viam passaram a prestar atenção em mim. Foi intenso conhecer garotas de programa, visitar suas casas, ver seus armários e perceber como elas são interessantes. A personagem deu certo porque foi muito humanizada. Não era clichê. Com a Jade, após fazer 15 anos de balé clássico, fui aprender a dança do ventre. Ficava oito horas por dia ensaiando para aprender aquilo. Ir para o Marrocos foram a viagem e a experiência mais incríveis da minha vida. Quero morrer com esse encantamento.

Desde que estreou na TV, com Tropicaliente, em 1994, você fez produções consecutivas na telinha. Onde busca elementos de reciclagem para compor tipos tão diversos?

GIOVANNA - Sou intensa. Preciso ler uma sinopse para falar: ‘nossa, é o personagem da minha vida'. Isso faz com que eu tenha a entrega fundamental no trabalho. Preciso sempre me sentir inteira, sem desviar o foco. Por isso, parei de trabalhar apenas para ter filho, quando acabei Da Cor do Pecado. Não consigo dividir atenções porque me entrego muito, sou disciplinada. Quando já estou lendo, começo a fazer minhas anotações, a imaginar coisas e entro num processo. Para esta novela, nem tive tanta preparação. Mas acho que o mais simples, do dia-a-dia é até mais difícil de fazer.

Como a Clarice, a dona-de-casa simplória de Sete Pecados?

GIOVANNA - Exatamente. Com ela, eu tinha de mostrar coisas diferentes todos os dias, senão as pessoas não agüentavam. Não poderia me estacionar no óbvio. O que me ajuda é ser muito observadora. Não sou daquelas atrizes que fazem mil pesquisas na internet. Como sou receptiva, tudo fica armazenado na minha caixa preta.

Foi essa percepção que direcionou você no início da carreira? No auge da extinta Manchete, você atuou em tramas como Tocaia Grande e Xica da Silva. Que lembranças você tem desses trabalhos com o Walter Avancini?

GIOVANNA - Lembro de muita ralação (risos). O Avancini foi uma escola na minha vida e na de muitos. Todo ator jovem deveria passar por um cara como ele, que faz você respeitar sua profissão, ter disciplina. Televisão não é uma festa, um lugar para você fazer sucesso e ganhar rios de dinheiro. Nós somos operários, ralamos do mesmo jeito que em qualquer profissão. O Avancini trouxe discernimento para uma turma jovem que estava começando. Ele fazia um trabalho sob pressão. Era o jeito dele de conseguir tirar emoções dos atores. Mas o saldo foi positivo. Aprendi muito naqueles três anos.

Um dos personagens mais intensos da sua carreira foi a vilã Bárbara, de Da Cor do Pecado. Por que apenas uma malvada em 14 anos como atriz?

GIOVANNA - De todos os meus personagens, a Bárbara foi a que mais amei fazer. Ela foi incrível. Me senti inteligente como atriz. Eu e o João Emanuel (Carneiro, autor da trama) tínhamos uma troca fantástica pelo texto, apesar de nunca conversarmos sobre a Bárbara. Dependendo do que eu armava nas cenas, ele me dava respostas imediatas nos textos seguintes. Às vezes, chegava no estúdio sem saber como fazer uma cena, ficava pensando e aí me dava um estalo: ‘vou fazer uma maldade rindo'. Podia criar o que eu quisesse. A Alma é um pouco assim. Fui inventando e me se sentindo inteligente. Ela também tinha uma sedução, aquele corte de cabelo, a caracterização. Foi um luxo.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;