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100 anos de Hostelling


Heloísa Cestari
Do Diário do Grande ABC

27/08/2009 | 07:00


Vinte e seis de agosto de 1909. Uma forte chuva leva o professor alemão Richard Schirrmann e um grupo de estudantes a pedir abrigo em uma escola na cidade de Bröl. O diretor permite que eles passem a noite em uma sala de aula e um agricultor fornece leite e palha para que eles consigam dormir sobre o chão gelado sem ouvir seus estômagos roncarem em meio às trovoadas. Enquanto os rapazes dormem, o docente passa a madrugada acordado, entusiasmado com a ideia que acabava de lampejar em sua mente: a de aproveitar escolas para abrigar jovens em viagens de estudo durante os feriados. Nascia o movimento dos Albergues da Juventude, conhecido mundo afora como Hostelling International, que completou 100 anos na madrugada de hoje com a impressionante soma de 3,7 milhões de associados e mais de 4.000 unidades espalhadas por 80 países dos cinco continentes.

Em 1910, Schirrmann escreveu um ensaio resumindo sua ideia com o termo alemão Volksschülerherbergen (na tradução, albergues para alunos das escolas públicas estaduais). "Duas salas de aula seriam suficientes: uma para meninos e uma para meninas. Algumas mesas podem ser empilhadas liberando espaço para colocar 15 leitos, cada um composto por um saco bem recheado de palha e travesseiro, dois lençóis e um cobertor. Cada criança será orientada para manter a sua cama limpa e arrumada", idealizou o professor.

Não demorou muito para os modestos planos de Schirrmann ganharem um perfil bem mais aconchegante. O primeiro albergue da juventude foi aberto em 1912 aproveitando nada menos do que as acomodações de um antigo castelo na cidade de Altena. A edificação, batizada de Burg Altena, foi restaurada e equipada de acordo com os desenhos de Schirrmann. O projeto previa a utilização de dois dormitórios, com triliches de madeira maciça, uma cozinha, lavabos e banheiros.

O sucesso foi tanto que, três anos depois, já havia 83 estabelecimentos nos mesmos moldes. Em 1913, foram registrados 21 mil pernoites, número que saltou para 500 mil em 1921 e que hoje ultrapassa a marca de 34 milhões em todo o mundo, gerando faturamento de US$ 1,5 bilhão por ano.

BRASIL - Líder na América Latina, o Brasil aparece entre os 15 países mais bem servidos deste meio de hospedagem, com 5.200 leitos divididos em 96 unidades.

O primeiro albergue brasileiro foi a Residência Ramos, aberta no Rio de Janeiro em 1961, mas que já não está mais em funcionamento. E nem precisava: bastou trazer a ideia para o território nacional virar referência em estabelecimentos do gênero, atingindo em breve uma centena de opções com a inauguração de hostels em Porto Alegre (RS), Atins (MA), Canoa Quebrada (CE) e na Chapada dos Guimarães (MT).

As diárias variam, em média, de R$ 15 a R$ 35. E incluem uma série de confortos que fariam Schirrmann se orgulhar - característica, aliás, inerente aos hostels de vários países.

Em todos eles, há premissas de segurança, higiene, hospitalidade e respeito ao meio ambiente que devem ser respeitadas à risca para que o albergue atenda ao principal requisito da rede: oferecer acomodações de qualidade a preços baixos.

E embora a simplicidade impere na estrutura - o padrão básico prevê ambientes de convívio social e quartos coletivos, com quatro ou seis leitos, todos com armários, cadeados e divididos por sexo -, muitas unidades surpreendem os alberguistas de primeira viagem com a oferta de sauna, piscina, passeios especiais, danceteria e cafés da manhã de fazer inveja a muito hóspede de hotel renomado.

O Le D'Artagnan, em Paris, por exemplo, dispõe de internet, cinema grátis, lavanderia, bar e quartos adaptados a pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. E o Auberge de L'Ours, em Les Diablerets, nos Alpes Suíços, oferece quartos com banheira e fica a apenas 60 metros dos meios de elevação que levam às pistas de esqui.

Isso sem falar nas diversas opções de estruturas montadas dentro de castelos medievais, mosteiros, construções históricas, propriedades rurais e prédios modernos no coração das principais capitais do mundo.

IDADE - A restrição por faixa etária também mudou de lá para cá. Apesar do ‘sobrenome' Juventude, hoje as unidades recebem viajantes de todas as idades. Várias delas até reservam acomodações para casais e famílias. Cada uma com suas peculiaridades em serviços, é verdade, mas com uma característica em comum: o espírito de liberdade e confraternização entre raças, culturas e classes sociais que contribui para a paz mundial na medida em que leva o jovem a conviver em sociedade sabendo respeitar as diferenças de cada povo.



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100 anos de Hostelling

Heloísa Cestari
Do Diário do Grande ABC

27/08/2009 | 07:00


Vinte e seis de agosto de 1909. Uma forte chuva leva o professor alemão Richard Schirrmann e um grupo de estudantes a pedir abrigo em uma escola na cidade de Bröl. O diretor permite que eles passem a noite em uma sala de aula e um agricultor fornece leite e palha para que eles consigam dormir sobre o chão gelado sem ouvir seus estômagos roncarem em meio às trovoadas. Enquanto os rapazes dormem, o docente passa a madrugada acordado, entusiasmado com a ideia que acabava de lampejar em sua mente: a de aproveitar escolas para abrigar jovens em viagens de estudo durante os feriados. Nascia o movimento dos Albergues da Juventude, conhecido mundo afora como Hostelling International, que completou 100 anos na madrugada de hoje com a impressionante soma de 3,7 milhões de associados e mais de 4.000 unidades espalhadas por 80 países dos cinco continentes.

Em 1910, Schirrmann escreveu um ensaio resumindo sua ideia com o termo alemão Volksschülerherbergen (na tradução, albergues para alunos das escolas públicas estaduais). "Duas salas de aula seriam suficientes: uma para meninos e uma para meninas. Algumas mesas podem ser empilhadas liberando espaço para colocar 15 leitos, cada um composto por um saco bem recheado de palha e travesseiro, dois lençóis e um cobertor. Cada criança será orientada para manter a sua cama limpa e arrumada", idealizou o professor.

Não demorou muito para os modestos planos de Schirrmann ganharem um perfil bem mais aconchegante. O primeiro albergue da juventude foi aberto em 1912 aproveitando nada menos do que as acomodações de um antigo castelo na cidade de Altena. A edificação, batizada de Burg Altena, foi restaurada e equipada de acordo com os desenhos de Schirrmann. O projeto previa a utilização de dois dormitórios, com triliches de madeira maciça, uma cozinha, lavabos e banheiros.

O sucesso foi tanto que, três anos depois, já havia 83 estabelecimentos nos mesmos moldes. Em 1913, foram registrados 21 mil pernoites, número que saltou para 500 mil em 1921 e que hoje ultrapassa a marca de 34 milhões em todo o mundo, gerando faturamento de US$ 1,5 bilhão por ano.

BRASIL - Líder na América Latina, o Brasil aparece entre os 15 países mais bem servidos deste meio de hospedagem, com 5.200 leitos divididos em 96 unidades.

O primeiro albergue brasileiro foi a Residência Ramos, aberta no Rio de Janeiro em 1961, mas que já não está mais em funcionamento. E nem precisava: bastou trazer a ideia para o território nacional virar referência em estabelecimentos do gênero, atingindo em breve uma centena de opções com a inauguração de hostels em Porto Alegre (RS), Atins (MA), Canoa Quebrada (CE) e na Chapada dos Guimarães (MT).

As diárias variam, em média, de R$ 15 a R$ 35. E incluem uma série de confortos que fariam Schirrmann se orgulhar - característica, aliás, inerente aos hostels de vários países.

Em todos eles, há premissas de segurança, higiene, hospitalidade e respeito ao meio ambiente que devem ser respeitadas à risca para que o albergue atenda ao principal requisito da rede: oferecer acomodações de qualidade a preços baixos.

E embora a simplicidade impere na estrutura - o padrão básico prevê ambientes de convívio social e quartos coletivos, com quatro ou seis leitos, todos com armários, cadeados e divididos por sexo -, muitas unidades surpreendem os alberguistas de primeira viagem com a oferta de sauna, piscina, passeios especiais, danceteria e cafés da manhã de fazer inveja a muito hóspede de hotel renomado.

O Le D'Artagnan, em Paris, por exemplo, dispõe de internet, cinema grátis, lavanderia, bar e quartos adaptados a pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. E o Auberge de L'Ours, em Les Diablerets, nos Alpes Suíços, oferece quartos com banheira e fica a apenas 60 metros dos meios de elevação que levam às pistas de esqui.

Isso sem falar nas diversas opções de estruturas montadas dentro de castelos medievais, mosteiros, construções históricas, propriedades rurais e prédios modernos no coração das principais capitais do mundo.

IDADE - A restrição por faixa etária também mudou de lá para cá. Apesar do ‘sobrenome' Juventude, hoje as unidades recebem viajantes de todas as idades. Várias delas até reservam acomodações para casais e famílias. Cada uma com suas peculiaridades em serviços, é verdade, mas com uma característica em comum: o espírito de liberdade e confraternização entre raças, culturas e classes sociais que contribui para a paz mundial na medida em que leva o jovem a conviver em sociedade sabendo respeitar as diferenças de cada povo.

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