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Operador é morto por policial civil

Fernando Nonato/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

29/03/2010 | 07:00


Ao errar o caminho para uma festa de casamento na noite de sábado, quatro amigos e uma criança de cinco anos em um Fiat Uno entraram por engano em condomínio residencial na Estrada da Cooperativa, em Ribeirão Pires. Na sequência, o veículo foi abordado por um morador. Após breve conversa, um dos ocupantes foi baleado no rosto à queima-roupa e morreu.

Segundo o Diário apurou, o morador é um policial civil, conhecido como Carioca, 45 anos, que trabalha em São Bernardo. Em sua versão apresentada na Delegacia de Ribeirão Pires, ele teria atirado porque o operador de máquinas Humberto Márcio Pedroso de Síbia, 35, o teria ameaçado, resistido às ordens e tentado pegar alguma coisa na mochila. O policial não foi localizado pela reportagem.

A família e os três adultos que estavam no Fiat Uno negam todas essas acusações e contam uma versão completamente diferente.

Segundo o tapeceiro Adamek Souza, 36, que também estava no carro, os amigos saíram de Mauá para ir ao casamento de outro colega em uma chácara em Ribeirão Pires. Perdidos, entraram no condomínio. Ao perceberem que ali não era o lugar da festa, manobraram o veículo para sair e o policial entrou na frente do carro. Eles desceram para conversar e viram Carioca armado. "Perguntei se ele era policial. Ele respondeu ‘Sou e estou com vontade de matar'. Na hora pensei que era brincadeira, aí ele apontou a arma e disparou. Só vi o fogo saindo", conta Souza.

Na sequência, a dona de casa Eunice Pedroso, 45, que estava com o filho de 5 anos no veículo, desceu e tentou ligar para o Resgate, mas o policial teria ameaçado todos com arma em punho. "Ele disse ‘Se ligar eu mato até a criança'. Fiquei completamente desesperada. Não acreditava no que estava acontecendo."

A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo não informou o nome do policial, mas disse que a arma foi apreendida e ele, liberado. A Corregedoria da Seccional vai investigar o caso.

O crime foi registrado como violação de domicílio, ameaça, resistência e lesão corporal seguida de morte.

Os familiares deram sua versão apenas na tarde de ontem. "Não dá para acreditar. O cara mata por nada e nós não conseguimos nem contar a nossa versão", disse Eunice.

Humberto era casado e pai de dois filhos

O operador de máquinas Humberto Márcio Pedroso de Síbia, 35 anos, era conhecido pela sua alegria entre os familiares e amigos do Jardim Miranda, em Mauá.

Ele era casado e pai de dois filhos, de 16 e 12 anos. Trabalhava desde os 9 e nunca teve problemas com a polícia, segundo os mais próximos.

Cerca de 20 pessoas se revoltaram ontem, na porta da delegacia de Ribeirão Pires, com a demora para concluir o boletim de ocorrência. Eles alegaram que o delegado não quis registrar na noite do crime. A Secretaria de Segurança informou que desconhece a queixa.

"Fui buscar o corpo do meu irmão no IML (Instituto Médico-Legal) de Santo André e ainda me falaram que ele era bandido por causa do boletim que a gente levou", disse a irmã Milene Síbia.

"Não sei onde esse mundo vai parar. O meu irmão trabalhou desde pequeno e nunca trouxe problemas para ninguém. Ele gostava de tomar umas, mas qual é o problema? Ao morrer dessa forma ingrata, é chamado de criminoso. Não dá para crer. Onde esse mundo vai parar, meu Deus?", disse Milene emocionada.

O enterro será realizado hoje, às 8h, no Cemitério Santa Lídia, no bairro Santa Lídia, em Mauá.



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Operador é morto por policial civil

Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

29/03/2010 | 07:00


Ao errar o caminho para uma festa de casamento na noite de sábado, quatro amigos e uma criança de cinco anos em um Fiat Uno entraram por engano em condomínio residencial na Estrada da Cooperativa, em Ribeirão Pires. Na sequência, o veículo foi abordado por um morador. Após breve conversa, um dos ocupantes foi baleado no rosto à queima-roupa e morreu.

Segundo o Diário apurou, o morador é um policial civil, conhecido como Carioca, 45 anos, que trabalha em São Bernardo. Em sua versão apresentada na Delegacia de Ribeirão Pires, ele teria atirado porque o operador de máquinas Humberto Márcio Pedroso de Síbia, 35, o teria ameaçado, resistido às ordens e tentado pegar alguma coisa na mochila. O policial não foi localizado pela reportagem.

A família e os três adultos que estavam no Fiat Uno negam todas essas acusações e contam uma versão completamente diferente.

Segundo o tapeceiro Adamek Souza, 36, que também estava no carro, os amigos saíram de Mauá para ir ao casamento de outro colega em uma chácara em Ribeirão Pires. Perdidos, entraram no condomínio. Ao perceberem que ali não era o lugar da festa, manobraram o veículo para sair e o policial entrou na frente do carro. Eles desceram para conversar e viram Carioca armado. "Perguntei se ele era policial. Ele respondeu ‘Sou e estou com vontade de matar'. Na hora pensei que era brincadeira, aí ele apontou a arma e disparou. Só vi o fogo saindo", conta Souza.

Na sequência, a dona de casa Eunice Pedroso, 45, que estava com o filho de 5 anos no veículo, desceu e tentou ligar para o Resgate, mas o policial teria ameaçado todos com arma em punho. "Ele disse ‘Se ligar eu mato até a criança'. Fiquei completamente desesperada. Não acreditava no que estava acontecendo."

A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo não informou o nome do policial, mas disse que a arma foi apreendida e ele, liberado. A Corregedoria da Seccional vai investigar o caso.

O crime foi registrado como violação de domicílio, ameaça, resistência e lesão corporal seguida de morte.

Os familiares deram sua versão apenas na tarde de ontem. "Não dá para acreditar. O cara mata por nada e nós não conseguimos nem contar a nossa versão", disse Eunice.

Humberto era casado e pai de dois filhos

O operador de máquinas Humberto Márcio Pedroso de Síbia, 35 anos, era conhecido pela sua alegria entre os familiares e amigos do Jardim Miranda, em Mauá.

Ele era casado e pai de dois filhos, de 16 e 12 anos. Trabalhava desde os 9 e nunca teve problemas com a polícia, segundo os mais próximos.

Cerca de 20 pessoas se revoltaram ontem, na porta da delegacia de Ribeirão Pires, com a demora para concluir o boletim de ocorrência. Eles alegaram que o delegado não quis registrar na noite do crime. A Secretaria de Segurança informou que desconhece a queixa.

"Fui buscar o corpo do meu irmão no IML (Instituto Médico-Legal) de Santo André e ainda me falaram que ele era bandido por causa do boletim que a gente levou", disse a irmã Milene Síbia.

"Não sei onde esse mundo vai parar. O meu irmão trabalhou desde pequeno e nunca trouxe problemas para ninguém. Ele gostava de tomar umas, mas qual é o problema? Ao morrer dessa forma ingrata, é chamado de criminoso. Não dá para crer. Onde esse mundo vai parar, meu Deus?", disse Milene emocionada.

O enterro será realizado hoje, às 8h, no Cemitério Santa Lídia, no bairro Santa Lídia, em Mauá.

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