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Transferência de domicílio eleitoral é prática comum


Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

21/06/2009 | 07:02


A possibilidade de Ciro Gomes, deputado federal pelo PSB do Ceará, concorrer ao governo de São Paulo em 2010 está agitando os bastidores da política nacional. Caso a informação - tratada por muitos como balão de ensaio - se viabilize, porém, não será a primeira vez que um político representante de outra cidade ou Estado tenta se aventurar em novas terras.

Ao contrário. Há diversos exemplos espalhados pelo País afora. Um dos mais emblemáticos envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Após acumular mandatos como senador e governador do Maranhão, de 1966 a 1985, decidiu testar seu poderio em outros ares. E não se arrependeu.

Depois de deixar a presidência da República, em 1990, transferiu seu domicílio eleitoral para o recém-criado Amapá e, desde então, venceu todos os pleitos para o Senado nos quais concorreu. Ele já representa o Estado há 19 anos.

Outro exemplo é o do alagoano Fernando Collor de Mello (hoje no PTB). O ex-presidente - tirado do cargo após impeachment - retornou à política na corrida à Prefeitura de São Paulo, em 2000, mas foi impedido de concorrer pela Justiça.

Casos caseiros - No Grande ABC, um dos exemplos clássicos de forasteiros diz respeito ao deputado federal Celso Russomanno (PP). Ao ganhar fama na TV defendendo o direito dos consumidores e ser bem votado para a Câmara Federal, tentou utilizar o prestígio para ser prefeito de Santo André, em 2000. Acusado de aventureiro por supostamente morar em São Paulo, perdeu a eleição para Celso Daniel (PT) por 170.358 votos de diferença.

O caso recente na região de político que trocou o domicílio eleitoral para concorrer em outra localidade - o que pode ser feito, segundo a legislação, até um ano antes de cada pleito - é o do deputado federal Ivan Valente (Psol). Após anos eleito por São Caetano, em 2008 transferiu o título para São Paulo para concorrer à Prefeitura.

Atualmente, o prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PV), não esconde a intenção de entrar na briga pela Prefeitura de Mauá em 2012, quando encerra seu segundo mandato consecutivo na cidade vizinha e não poderá disputar a reeleição.

No campo das especulações, destaques para os prefeitos Luiz Tortorello (PTB) e Adler Kiko Teixeira (PSDB). Quanto ao primeiro, no terceiro mandato em São Caetano, diziam que gostaria de disputar o Paço de Santo André. A informação nunca chegou a ser confirmada por ele, que morreu em dezembro de 2004.

Atualmente, o alvo dos boatos é o chefe do Executivo de Rio Grande da Serra. Kiko tem o nome ventilado nos bastidores como possível concorrente ao Paço de Ribeirão em 2012.

Especialistas políticos condenam a prática. Para Sávio Ximenes Hackradt, a alteração no domicílio eleitoral expõe a fragilidade dos partidos. "Não há propósito. Trata-se da disputa do poder pelo poder, simplesmente", criticou, referindo-se ao fator Ciro, o qual concorreria com o respaldo do PT.

O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira ratifica. "É um processo muito mais de conveniência política do que algo viável."



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Transferência de domicílio eleitoral é prática comum

Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

21/06/2009 | 07:02


A possibilidade de Ciro Gomes, deputado federal pelo PSB do Ceará, concorrer ao governo de São Paulo em 2010 está agitando os bastidores da política nacional. Caso a informação - tratada por muitos como balão de ensaio - se viabilize, porém, não será a primeira vez que um político representante de outra cidade ou Estado tenta se aventurar em novas terras.

Ao contrário. Há diversos exemplos espalhados pelo País afora. Um dos mais emblemáticos envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Após acumular mandatos como senador e governador do Maranhão, de 1966 a 1985, decidiu testar seu poderio em outros ares. E não se arrependeu.

Depois de deixar a presidência da República, em 1990, transferiu seu domicílio eleitoral para o recém-criado Amapá e, desde então, venceu todos os pleitos para o Senado nos quais concorreu. Ele já representa o Estado há 19 anos.

Outro exemplo é o do alagoano Fernando Collor de Mello (hoje no PTB). O ex-presidente - tirado do cargo após impeachment - retornou à política na corrida à Prefeitura de São Paulo, em 2000, mas foi impedido de concorrer pela Justiça.

Casos caseiros - No Grande ABC, um dos exemplos clássicos de forasteiros diz respeito ao deputado federal Celso Russomanno (PP). Ao ganhar fama na TV defendendo o direito dos consumidores e ser bem votado para a Câmara Federal, tentou utilizar o prestígio para ser prefeito de Santo André, em 2000. Acusado de aventureiro por supostamente morar em São Paulo, perdeu a eleição para Celso Daniel (PT) por 170.358 votos de diferença.

O caso recente na região de político que trocou o domicílio eleitoral para concorrer em outra localidade - o que pode ser feito, segundo a legislação, até um ano antes de cada pleito - é o do deputado federal Ivan Valente (Psol). Após anos eleito por São Caetano, em 2008 transferiu o título para São Paulo para concorrer à Prefeitura.

Atualmente, o prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PV), não esconde a intenção de entrar na briga pela Prefeitura de Mauá em 2012, quando encerra seu segundo mandato consecutivo na cidade vizinha e não poderá disputar a reeleição.

No campo das especulações, destaques para os prefeitos Luiz Tortorello (PTB) e Adler Kiko Teixeira (PSDB). Quanto ao primeiro, no terceiro mandato em São Caetano, diziam que gostaria de disputar o Paço de Santo André. A informação nunca chegou a ser confirmada por ele, que morreu em dezembro de 2004.

Atualmente, o alvo dos boatos é o chefe do Executivo de Rio Grande da Serra. Kiko tem o nome ventilado nos bastidores como possível concorrente ao Paço de Ribeirão em 2012.

Especialistas políticos condenam a prática. Para Sávio Ximenes Hackradt, a alteração no domicílio eleitoral expõe a fragilidade dos partidos. "Não há propósito. Trata-se da disputa do poder pelo poder, simplesmente", criticou, referindo-se ao fator Ciro, o qual concorreria com o respaldo do PT.

O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira ratifica. "É um processo muito mais de conveniência política do que algo viável."

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