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O som do silêncio

Nada faz mais barulho, nos meios políticos brasileiros, do que o silêncio de José Serra. Seu partido, o PSDB,


Carlos Brickmann

04/05/2011 | 00:00


Nada faz mais barulho, nos meios políticos brasileiros, do que o silêncio de José Serra. Seu partido, o PSDB, está para eleger presidente um adversário seu, o deputado Sérgio Guerra (que aliás, nessas coisas típicas de um partido de amigos que se detestam, coordenou sua campanha à Presidência). Um de seus aliados mais próximos, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, está demolindo o DEM, partido que está na base do serrismo; bebendo o PSDB de canudinho em seu principal reduto, São Paulo; sendo cortejado pelo seu maior concorrente entre os tucanos, o senador Aécio Neves, recebendo afagos de legendas que apóiam Dilma, a quem Serra recomendou dura oposição.

Não é que Serra esteja mudo: ele até que está falando, mas sobre futebol - assunto de que entende tanto quanto seu companheiro de partido Fernando Henrique, aquele que recebeu a Seleção campeã do mundo no Palácio, com Vampeta dando cambalhotas na rampa, e não sabia que tinha sido campeã do mundo.

Qual o motivo do ruidoso silêncio de Serra? Quando começou a temporada presidencial, Serra se recusou a dizer se seria ou não candidato. Imaginou-se que, sabiamente, estaria se preservando e deixando os adversários confusos, sem informação. Não era bem isso: é que não sabia mesmo se deveria ou não deixar o Governo paulista para disputar a Presidência.

Dizem que o silêncio é de ouro; é, sem comprometer-se, observar a situação até que chegue a hora de agir. Mas também pode ser apenas falta do que dizer.

O dono da casa

E o governador paulista Alckmin, qual sua posição no vira-vira partidário? Ele também está em silêncio - e provavelmente pelo mesmo motivo de Serra. 

Os donos da Lei

"O nosso Delúbio", como o chamava o presidente Lula, está de volta. Mas sob observação: "Se ele mantiver uma postura adequada não tem nenhum problema. Se ele voltar a errar, o partido, da mesma forma que o recebeu de volta, vai ter de puni-lo de novo". O alerta é do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Mas é estranho: se não houve Mensalão, conforme Lula assegura, qual foi o erro cometido por Delúbio Soares, que o levou a ser expulso do PT? E como decretar sua inocência, se o processo do Mensalão ainda não foi julgado?

Branco como neve

O ex-chanceler Celso Amorim, segundo a colunista Pomona Politis, conhecedora de tudo o que acontece no Itamaraty, pretende escrever um livro de memórias, com algo como 1.500 páginas. O ex-chanceler poderia ser menos prolixo: livros do mesmo tipo, como "Delícias da Cozinha Inglesa" e "Quem é Quem no Azerbaijão", são geralmente mais sucintos.

Pura maldade

Do palestrante Luciano Pires: "Que estranho. Já se passaram 36 horas e o Eduardo Suplicy ainda não leu um manifesto contra o assassinato do Bin Laden?"

Sabor Brasil

O paquistanês Qaiser Iqbal Awan, funcionário da Embaixada do Brasil no Paquistão, acordou com o barulho de helicópteros sobrevoando sua casa em Abbottabad. Saiu à rua, viu dois imensos helicópteros, voltou para casa e mandou que a família se protegesse. Pouco depois, ouviu o tiroteio. Transmitiu tudo pelo twitter. E só de manhã soube que Bin Laden tinha sido morto.

Eis o funcionário ideal da diplomacia brasileira: estava ao lado dos acontecimentos, atento, divulgou os fatos pelo twitter e não sabia do que se tratava.

A festa do arroz

Não, caro leitor, não se sinta diminuído: afinal de contas, você também participou do Turismo da Alegria gaúcho, com a incumbência de pagar a conta. Lá, quatro deputados estaduais, dois assessores Canto dobrado: 1do PT e o presidente do Instituto Riograndense do Arroz viajaram ao Vietnã, sabe-se lá por que motivo (talvez porque o país produza arroz, embora bem menos que o Brasil). Claro que não foi uma viagem direta: os sete foram primeiro a Paris, que ninguém é de ferro. Só de diárias, foram gastos R$ 43.959,48, conforme apurou o jornalista gaúcho Políbio Braga (depois, ele não sabe por que as esquerdas de lá o detestam). Houve ainda as passagens, claro; e os dois assessores do PT também receberam passagens pagas por dinheiro público, um da Assembléia, outro do Governo Tarso Genro. O nome do governador é Genro, mas para os cumpanhêro é pai e mãe.

A falta que ele nos faz

José Renato Pécora. No teatro, o grande Zé Renato. Foi pioneiro do Teatro de Arena, que revolucionou o teatro brasileiro; foi grande como ator e como diretor. Aos 85 anos, continuava trabalhando, na peça Doze Homens e uma Sentença. No fim da noite de 1º de maio, jantou com amigos num tradicional restaurante de gente de teatro, o Planetas, encostado na praça Roosevelt, em São Paulo. Depois, foi para a Rodoviária, onde embarcaria para o Rio. Lá se sentiu mal e morreu.

Este colunista era menino e tentava penetrar (às vezes com êxito) no Arena. Nem sempre entendia o que via, mas assistir a peças brasileiras, falando de Brasil, sempre valia a pena. Zé Renato, que falta você faz!



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O som do silêncio

Nada faz mais barulho, nos meios políticos brasileiros, do que o silêncio de José Serra. Seu partido, o PSDB,

Carlos Brickmann

04/05/2011 | 00:00


Nada faz mais barulho, nos meios políticos brasileiros, do que o silêncio de José Serra. Seu partido, o PSDB, está para eleger presidente um adversário seu, o deputado Sérgio Guerra (que aliás, nessas coisas típicas de um partido de amigos que se detestam, coordenou sua campanha à Presidência). Um de seus aliados mais próximos, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, está demolindo o DEM, partido que está na base do serrismo; bebendo o PSDB de canudinho em seu principal reduto, São Paulo; sendo cortejado pelo seu maior concorrente entre os tucanos, o senador Aécio Neves, recebendo afagos de legendas que apóiam Dilma, a quem Serra recomendou dura oposição.

Não é que Serra esteja mudo: ele até que está falando, mas sobre futebol - assunto de que entende tanto quanto seu companheiro de partido Fernando Henrique, aquele que recebeu a Seleção campeã do mundo no Palácio, com Vampeta dando cambalhotas na rampa, e não sabia que tinha sido campeã do mundo.

Qual o motivo do ruidoso silêncio de Serra? Quando começou a temporada presidencial, Serra se recusou a dizer se seria ou não candidato. Imaginou-se que, sabiamente, estaria se preservando e deixando os adversários confusos, sem informação. Não era bem isso: é que não sabia mesmo se deveria ou não deixar o Governo paulista para disputar a Presidência.

Dizem que o silêncio é de ouro; é, sem comprometer-se, observar a situação até que chegue a hora de agir. Mas também pode ser apenas falta do que dizer.

O dono da casa

E o governador paulista Alckmin, qual sua posição no vira-vira partidário? Ele também está em silêncio - e provavelmente pelo mesmo motivo de Serra. 

Os donos da Lei

"O nosso Delúbio", como o chamava o presidente Lula, está de volta. Mas sob observação: "Se ele mantiver uma postura adequada não tem nenhum problema. Se ele voltar a errar, o partido, da mesma forma que o recebeu de volta, vai ter de puni-lo de novo". O alerta é do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Mas é estranho: se não houve Mensalão, conforme Lula assegura, qual foi o erro cometido por Delúbio Soares, que o levou a ser expulso do PT? E como decretar sua inocência, se o processo do Mensalão ainda não foi julgado?

Branco como neve

O ex-chanceler Celso Amorim, segundo a colunista Pomona Politis, conhecedora de tudo o que acontece no Itamaraty, pretende escrever um livro de memórias, com algo como 1.500 páginas. O ex-chanceler poderia ser menos prolixo: livros do mesmo tipo, como "Delícias da Cozinha Inglesa" e "Quem é Quem no Azerbaijão", são geralmente mais sucintos.

Pura maldade

Do palestrante Luciano Pires: "Que estranho. Já se passaram 36 horas e o Eduardo Suplicy ainda não leu um manifesto contra o assassinato do Bin Laden?"

Sabor Brasil

O paquistanês Qaiser Iqbal Awan, funcionário da Embaixada do Brasil no Paquistão, acordou com o barulho de helicópteros sobrevoando sua casa em Abbottabad. Saiu à rua, viu dois imensos helicópteros, voltou para casa e mandou que a família se protegesse. Pouco depois, ouviu o tiroteio. Transmitiu tudo pelo twitter. E só de manhã soube que Bin Laden tinha sido morto.

Eis o funcionário ideal da diplomacia brasileira: estava ao lado dos acontecimentos, atento, divulgou os fatos pelo twitter e não sabia do que se tratava.

A festa do arroz

Não, caro leitor, não se sinta diminuído: afinal de contas, você também participou do Turismo da Alegria gaúcho, com a incumbência de pagar a conta. Lá, quatro deputados estaduais, dois assessores Canto dobrado: 1do PT e o presidente do Instituto Riograndense do Arroz viajaram ao Vietnã, sabe-se lá por que motivo (talvez porque o país produza arroz, embora bem menos que o Brasil). Claro que não foi uma viagem direta: os sete foram primeiro a Paris, que ninguém é de ferro. Só de diárias, foram gastos R$ 43.959,48, conforme apurou o jornalista gaúcho Políbio Braga (depois, ele não sabe por que as esquerdas de lá o detestam). Houve ainda as passagens, claro; e os dois assessores do PT também receberam passagens pagas por dinheiro público, um da Assembléia, outro do Governo Tarso Genro. O nome do governador é Genro, mas para os cumpanhêro é pai e mãe.

A falta que ele nos faz

José Renato Pécora. No teatro, o grande Zé Renato. Foi pioneiro do Teatro de Arena, que revolucionou o teatro brasileiro; foi grande como ator e como diretor. Aos 85 anos, continuava trabalhando, na peça Doze Homens e uma Sentença. No fim da noite de 1º de maio, jantou com amigos num tradicional restaurante de gente de teatro, o Planetas, encostado na praça Roosevelt, em São Paulo. Depois, foi para a Rodoviária, onde embarcaria para o Rio. Lá se sentiu mal e morreu.

Este colunista era menino e tentava penetrar (às vezes com êxito) no Arena. Nem sempre entendia o que via, mas assistir a peças brasileiras, falando de Brasil, sempre valia a pena. Zé Renato, que falta você faz!

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