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A arte de inspirar: uma vida dedicada ao jazz

Andreense de coração, Ronaldo Benvenga procura difundir o que chama de ‘a boa música’

Thainá Lana
Do Diário do Grande ABC
01/08/2021 | 00:40
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André Henriques/ DGABC


“A música é o que nos impulsiona a viver.” É assim que Ronaldo Guilherme Benvenga, 87 anos, define sua relação com a arte musical. A lembrança do primeiro contato com sua paixão mais duradoura ainda está muito viva na memória. Era ainda muito jovem, com apenas 15 anos, quando ouviu pela primeira vez uma música de jazz no rádio, principal veículo de comunicação de massa dos anos 1940.

Casado há 60 anos, pai de quatro filhos e avô de um único neto, Benvenga não precisou de muito para se apaixonar pelas big bands ou bandas de swing norte-americanas, que apresentavam um estilo de jazz orquestrado, com grande grupo instrumental. O estilo musical se popularizou em meados de 1930 com Benny Goodman, e ficou conhecido como o período da Era do Swing.

Benvenga dedicou a vida a duas grandes paixões: a odontologia e o jazz. Como cirurgião-dentista, sente-se orgulhoso de sua trajetória profissional, participou de congressos internacionais, atuou como professor na faculdade em que se formou e atendeu por mais de meio século na Rua Oliveira Lima, no Centro de Santo André. Já o amor pela música cultivou nas horas vagas e encontrou na comunicação um caminho para trilhar.

O “andreense de coração”, como se define, nasceu em Montevidéu, no Uruguai, mas chegou ainda criança ao Brasil, com menos de 2 meses. Há mais de 70 anos na região, difunde a “boa música norte-americana”, como define, por meio de programas de rádio, palestras e colunas. Em 2002, assinou a coluna Quinta Avenida’, no Diário.

Com programas de rádio do mesmo nome, há 25 anos apresenta e produz gravações da Era do Swing, onde busca encantar seus ouvintes com boa música e informações sobre as canções apresentadas. Músicas essas que são tiradas de sua impressionante coleção particular, composta por mais de 8.000 CDs e 750 LPs. Com um programa eclético, apresenta os cantores da música norte-americana, e não esconde suas preferências pelos artistas Billy Eckstine, Frank Sinatra e Ella Fitzgerald.

Do hotel Caesars Palace, em Las Vegas, ao Palácio de Mármore, em Santo André, viu de perto grandes nomes da música, como a lenda do jazz Frank Sinatra. “Foi em 1978 que assisti a um dos melhores shows da minha vida. Quando abriu a cortina, o Sinatra estava sozinho no palco. Ele começou a cantar e deu um show. Após duas músicas, outra cortina se abriu e mostrou toda orquestra na parte de trás do palco. Foi um espetáculo.”

Com muita disposição e constante vontade de aprender, Benvenga não deixa as novas tecnologias o intimidarem e faz questão de disponibilizar todas as edições do programa em seu canal no YouTube e também no site, o Quinta Avenida. “Quero conquistar a juventude com esse tipo de música, que considero de alta qualidade. Boa música é atemporal e fica para sempre na memória das pessoas”, comenta.

Com extensa bagagem cultural sobre a música do século XX, Benvenga sabe que para manter boa conexão com ouvintes de outras gerações é preciso acompanhar as tendências do cenário musical. Novos cantores do jazz já conseguiram conquistar sua admiração, entre os nomes de destaque estão Diana Krall, Michael Bublé e Nicki Parrott.

A estrela do pop Lady Gaga, é um nome que surpreende ao aparecer em sua lista de preferências. “Linda voz, tenho o álbum Check to Check, que ela fez com o experiente Tony Bennett, e gostei muito da combinação dos dois”.

Sua dedicação à difusão do estilo musical tem dado certo, pelo menos para o público fiel que conquistou ao longo dos anos. Constantemente recebe mensagens de carinho dos ouvintes, que fazem questão de exaltar seu gosto musical e o conhecimento sobre as melodias tocadas. Orgulhoso, sente que “de alguma forma estou contribuindo com a sociedade”.

O Grande ABC, que já recebeu shows de grandes nomes da música mundial, como Harry Haag James, um dos mais populares trompetistas da era das big bands, se inspira pela paixão de Ronaldo pela música do século passado.

‘A Era do Jazz’ no embalo dançante das big bands dos Estados Unidos

Em meados de 1930, os Estados Unidos viram as bandas conhecidas como big bands, ou bandas de swing, dominarem o cenário musical com suas apresentações de jazz orquestrado e dançante. O estilo rapidamente se tornou sensação entre o público norte-americano mais jovem e marcou o período como A Era do Swing, que durou até o fim da década de 1940.

O rádio foi o principal responsável por difundir o estilo, por meio do programa noturno Let’s Dance. Em 1935, a big band Benny Goodman Orchestra, uma das mais populares de todos os tempos, garantiu vaga no programa e, em pouco tempo, alcançou o sucesso.

Lançada em 1950, a gravação The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert, de Benny Goodman – já em carreira solo – é considerado um dos mais importantes concertos de jazz da história. Benjamin David Goodman (1909-1986) é conhecido como o Rei do Swing.

A cidade de Nova York tornou-se um marco nacional do swing, isso porque os salões de baile Roseland e Savoy realizavam transmissões das apresentações das big bands. Tocar nesses bailes era considerada uma grande conquista para os grupos musicais, devido à expressiva audiência do programa.

Mas na Segunda Guerra o swing começou a perder popularidade. Nos anos 1950 e 1960, voltou a receber atenção mundial com as orquestras de Count Basie e Duke Ellington e os cantores Nat King Cole e a lenda Frank Sinatra.




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