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Final 'embolada' no Cine Brasília



25/11/2008 | 07:00


Falta ainda avaliar um longa-metragem (Tudo Isso me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno) e dois curtas (Cães, de Adler Paz e Moacyr Gramacho, e Superbarroco, de Renata Pinheiro), que seriam exibidos na última segunda-feira à noite no Cine Brasília. Se eles não salvarem a pátria, Brasília terá feito uma das mais problemáticas edições do Festival de Cinema dos últimos anos.

Não faltaram bons concorrentes e mesmo títulos polêmicos e provocativos. Mas o grande filme ainda não apareceu, o que torna lotérica qualquer tentativa de previsão da premiação, que acontece hoje à noite, no Cine Brasília, após a exibição de Lance Maior, filme de Sylvio Back. A cerimônia será transmitida pela TV Brasil, a partir das 23h.

Ninguém sabe o que fará o júri oficial. Já o público terá de se decidir entre O Milagre de Santa Luzia e À Margem do Lixo, quinto longa-metragem da competição e apresentado no domingo para um Cine Brasília lotado. E entusiasmado.

O documentário de Evaldo Mocarzel foi várias vezes aplaudido em cena aberta. Em especial quando os protagonistas - catadores de material reciclável de São Paulo - falam diretamente à câmera e expõem suas idéias com toda a contundência.

Um deles diz que não estava inscrito no sangue dele que seu destino seria catar papéis velhos pelas ruas. E que não estava inscrito no sangue de um milionário que ele viveria à larga e moraria numa mansão. Tudo é história e circunstância, poderia ter dito. E luta de classes, se o termo não estivesse démodé. Mas talvez não para eles.

No local onde a cooperativa dos catadores se reúne, as paredes ostentam alguns ícones políticos - Chico Mendes, Che Guevara, Carlos Marighella, entre outros. O tom é panfletário? É, admite o diretor. "Quis fazer algo contundente, político, tomando partido mesmo", garante o cineasta.

A idéia era mostrar como os catadores formam a ponta menos visível da reciclagem de materiais, negócio que movimenta bilhões de reais todos os anos. Mas, se panfleto há, o filme não se resume a isso. Mocarzel é diretor culto, estudioso, e procura, nesta fase da carreira, dar atenção ao trabalho das questões formais.

Em À Margem do Lixo isso se traduz em imagens vertovianas (à maneira de Dziga Vertov, o documentarista soviético) do material sendo reciclado em uma fábrica. A montagem produz uma sensação alucinante tanto visual quanto auditivamente. Não está lá como ilustração. Parece um mergulho nas entranhas do modo de funcionamento capitalista, depois de ter dado a palavra aos seus elos mais frágeis.

 



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Final 'embolada' no Cine Brasília


25/11/2008 | 07:00


Falta ainda avaliar um longa-metragem (Tudo Isso me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno) e dois curtas (Cães, de Adler Paz e Moacyr Gramacho, e Superbarroco, de Renata Pinheiro), que seriam exibidos na última segunda-feira à noite no Cine Brasília. Se eles não salvarem a pátria, Brasília terá feito uma das mais problemáticas edições do Festival de Cinema dos últimos anos.

Não faltaram bons concorrentes e mesmo títulos polêmicos e provocativos. Mas o grande filme ainda não apareceu, o que torna lotérica qualquer tentativa de previsão da premiação, que acontece hoje à noite, no Cine Brasília, após a exibição de Lance Maior, filme de Sylvio Back. A cerimônia será transmitida pela TV Brasil, a partir das 23h.

Ninguém sabe o que fará o júri oficial. Já o público terá de se decidir entre O Milagre de Santa Luzia e À Margem do Lixo, quinto longa-metragem da competição e apresentado no domingo para um Cine Brasília lotado. E entusiasmado.

O documentário de Evaldo Mocarzel foi várias vezes aplaudido em cena aberta. Em especial quando os protagonistas - catadores de material reciclável de São Paulo - falam diretamente à câmera e expõem suas idéias com toda a contundência.

Um deles diz que não estava inscrito no sangue dele que seu destino seria catar papéis velhos pelas ruas. E que não estava inscrito no sangue de um milionário que ele viveria à larga e moraria numa mansão. Tudo é história e circunstância, poderia ter dito. E luta de classes, se o termo não estivesse démodé. Mas talvez não para eles.

No local onde a cooperativa dos catadores se reúne, as paredes ostentam alguns ícones políticos - Chico Mendes, Che Guevara, Carlos Marighella, entre outros. O tom é panfletário? É, admite o diretor. "Quis fazer algo contundente, político, tomando partido mesmo", garante o cineasta.

A idéia era mostrar como os catadores formam a ponta menos visível da reciclagem de materiais, negócio que movimenta bilhões de reais todos os anos. Mas, se panfleto há, o filme não se resume a isso. Mocarzel é diretor culto, estudioso, e procura, nesta fase da carreira, dar atenção ao trabalho das questões formais.

Em À Margem do Lixo isso se traduz em imagens vertovianas (à maneira de Dziga Vertov, o documentarista soviético) do material sendo reciclado em uma fábrica. A montagem produz uma sensação alucinante tanto visual quanto auditivamente. Não está lá como ilustração. Parece um mergulho nas entranhas do modo de funcionamento capitalista, depois de ter dado a palavra aos seus elos mais frágeis.

 

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