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Gra-Bretanha ameaça fechar a escola de Summerhill


Do Diário do Grande ABC

13/07/1999 | 09:51


Para milhoes de pessoas, a escola britânica Summerhill simboliza a educaçao alternativa, fundamentada sobre a livre escolha dos alunos. Mas depois de 78 anos de existência, a mais antiga democracia de menores no mundo vê seu futuro ameaçado pelas autoridades de seu país.

Summerhill foi fundada em 1921 pelo professor escocês A.S. Neill, hoje falecido, mas cujos princípios educativos sao seguidos por sua filha, Zoe Readhead, que assumiu a direçao.

A carta oficial do Ministério de Educaçao chegou há duas semanas, conta a diretora desta pequena escola de Leiston (Leste da Inglaterra), que recebe 60 menores entre 8 e 16 anos de todo o mundo.

Após uma inspeçao, o Ministério decretou que o estabelecimento nao reúne "as obrigaçoes estatutárias de moradia, saúde e instruçao dos alunos" e intimou a diretora a se enquadrar nas regras no prazo de um ano. Caso contrário, a escola seria fechada.

Embora Zoe Redhead admita que alguns edifícios precisam de reformas, nao reconhece em absoluto a validade dos critérios educativos defendidos pelas autoridades.

Milhoes de leitores de todo o mundo devoraram nos anos 60 e 70 os livros de A.S. Neill, nos quais contava a vida dos "Meninos livres de Summerhill", autorizados a sair das salas de aula para tomar banho na piscina ou simplesmente repousar no jardim.

O folheto do colégio proclama que está "orgulhoso de nao ser uma fábrica de exames" e incentiva os alunos a trabalhar em disciplinas como o teatro e a música do mesmo modo que em matemática ou geografia. "Pedir que todos os alunos sigam regularmente os cursos, como faz o Ministério de Educaçao, é atentar inteiramente contra nossa filosofia", explica Readhead.

Segundo ela, o "sensacionalismo" do informe de inspeçao, junto com vários artigos jornalísticos que esboçam o indigno quadro de alunos nus na piscina do colégio na hora das aulas de matemática, representa um desejo de amordaçar uma instituiçao atípica.

Em Summerhill, cada decisao sobre a vida escolar é votada tanto por alunos como professores. Esta democracia tem um preço: os gastos escolares se elevam a 6.550 libras esterlinas por ano (US$ 10.152). "Summerhill é uma escola particular porque nenhum governo se propôs a financiá-la", responde Zoe Readhead às acusaçoes de elitismo.

A escola entregará amanha em Downing Street, a residência do primeiro-ministro Tony Clair, um imenso volume de cartas de protesto. "Estamos dispostos, se for preciso, a apelar à Corte Européia de Direitos Humanos", adverte a diretora. Quanto aos banhos nus na piscina, estao autorizados, já que "é uma questao de escolha pessoal", assegura.



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