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Novo remédio é esperança para cura do câncer de mama


Renata Gonçalez
Do Diário do Grande ABC

12/05/2005 | 07:57


Dois oncologistas da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, de Santo André, compõem a junta médica internacional que divulga nesta sexta, em congresso nos Estados Unidos, os resultados de um estudo que traz esperanças às mulheres com o tipo mais agressivo de câncer de mama. A anomalia é conhecida como HER-2 positivo e atinge cerca de 25% das pacientes com diagnóstico de câncer mamário. Até então, as chances de sobrevida para essas mulheres eram menores do que para as demais, mesmo quando a doença era descoberta em fase inicial.

O estudo está sendo feito simultaneamente em 480 centros de pesquisas de oncologia de 39 países. Além da faculdade do Grande ABC, outra instituição brasileira participante é o Hospital da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Porto Alegre. Ao longo de três anos, 5 mil pacientes com diagnóstico idêntico – câncer de mama do tipo HER-2 positivo – receberam o medicamento Trastuzumabe, comercializado como Herceptin. As doses foram administradas a cada 21 dias, via endovenosa. Entre as mulheres submetidas ao estudo, três são do Grande ABC.

O Herceptin é fabricado na matriz do laboratório Roche, na Suíça. Tanto a coordenação como o suporte financeiro da pesquisa foram feitos pela própria Roche, ao lado do laboratório Genentech. Dados mais detalhados sobre a pesquisa só serão apresentados na sexta, na abertura do Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que termina na terça-feira.

Mas a eficácia do medicamento já é notória entre oncologistas. Tanto que a conclusão do estudo, prevista para 2007, ocorre dois anos antes. Diretor-executivo do Centro de Pesquisas de Oncologia da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, o médico Hélio Pinczowski concedeu entrevista ao Diário antes de viajar.

“As pacientes que utilizam o Herceptin têm obtido sucesso porque esse medicamento bloqueia o receptor das células doentes e impede que elas continuem se multiplicando”, explicou. Outra vantagem é que o remédio não destrói células sadias, como ocorre durante a quimioterapia.

Um possível efeito colateral são alterações cardíacas, o que pode ser controlado mediante acompanhamento médico, afirmou o oncologista. “Trata-se de uma droga especial e promissora, mas que tem como barreira limitante o preço.” O custo do Herceptin não foi divulgado pela Roche. Clínicas e hospitais brasileiros especializados em oncologia importam o remédio da matriz suíça da Roche. Mas o medicamento ainda não integra os produtos distribuídos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “E tão cedo não deve ser introduzido na saúde pública”, finalizou Pinczowski. O outro médico da região que participa do congresso é o oncologista Rafael Kaliks.

Moradora de São Bernardo, a dona-de-casa C.A., 66 anos, é uma das 5 mil portadoras de câncer de mama do tipo HER-2 que participaram do estudo. Mastectomizada há quase dois anos, ela conta que foi encaminhada à Faculdade de Medicina do ABC pela médica que a atendia em São Bernardo. C. sabia que seu caso era grave, e não pensou duas vezes quando os especialistas propuseram que doasse a biópsia para um estudo na Suíça. Em troca, receberia tratamento inédito que poderia prolongar seu tempo de vida.

“Levei na esportiva e fiquei feliz porque minha experiência poderia ajudar outras mulheres. Não sei bem como o remédio age, mas a médica me disse que ele contorna o tumor e não deixa as células se proliferarem”, diz. Além das aplicações a cada 21 dias do remédio, a dona-de-casa também faz novos check-ups de quatro em quatro meses. O diagnóstico para o caso de C. era um dos piores. No entanto, desde que começou o tratamento, a doença não se manifestou mais. “Estou bem de saúde e muito feliz.”



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Novo remédio é esperança para cura do câncer de mama

Renata Gonçalez
Do Diário do Grande ABC

12/05/2005 | 07:57


Dois oncologistas da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, de Santo André, compõem a junta médica internacional que divulga nesta sexta, em congresso nos Estados Unidos, os resultados de um estudo que traz esperanças às mulheres com o tipo mais agressivo de câncer de mama. A anomalia é conhecida como HER-2 positivo e atinge cerca de 25% das pacientes com diagnóstico de câncer mamário. Até então, as chances de sobrevida para essas mulheres eram menores do que para as demais, mesmo quando a doença era descoberta em fase inicial.

O estudo está sendo feito simultaneamente em 480 centros de pesquisas de oncologia de 39 países. Além da faculdade do Grande ABC, outra instituição brasileira participante é o Hospital da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Porto Alegre. Ao longo de três anos, 5 mil pacientes com diagnóstico idêntico – câncer de mama do tipo HER-2 positivo – receberam o medicamento Trastuzumabe, comercializado como Herceptin. As doses foram administradas a cada 21 dias, via endovenosa. Entre as mulheres submetidas ao estudo, três são do Grande ABC.

O Herceptin é fabricado na matriz do laboratório Roche, na Suíça. Tanto a coordenação como o suporte financeiro da pesquisa foram feitos pela própria Roche, ao lado do laboratório Genentech. Dados mais detalhados sobre a pesquisa só serão apresentados na sexta, na abertura do Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que termina na terça-feira.

Mas a eficácia do medicamento já é notória entre oncologistas. Tanto que a conclusão do estudo, prevista para 2007, ocorre dois anos antes. Diretor-executivo do Centro de Pesquisas de Oncologia da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, o médico Hélio Pinczowski concedeu entrevista ao Diário antes de viajar.

“As pacientes que utilizam o Herceptin têm obtido sucesso porque esse medicamento bloqueia o receptor das células doentes e impede que elas continuem se multiplicando”, explicou. Outra vantagem é que o remédio não destrói células sadias, como ocorre durante a quimioterapia.

Um possível efeito colateral são alterações cardíacas, o que pode ser controlado mediante acompanhamento médico, afirmou o oncologista. “Trata-se de uma droga especial e promissora, mas que tem como barreira limitante o preço.” O custo do Herceptin não foi divulgado pela Roche. Clínicas e hospitais brasileiros especializados em oncologia importam o remédio da matriz suíça da Roche. Mas o medicamento ainda não integra os produtos distribuídos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “E tão cedo não deve ser introduzido na saúde pública”, finalizou Pinczowski. O outro médico da região que participa do congresso é o oncologista Rafael Kaliks.

Moradora de São Bernardo, a dona-de-casa C.A., 66 anos, é uma das 5 mil portadoras de câncer de mama do tipo HER-2 que participaram do estudo. Mastectomizada há quase dois anos, ela conta que foi encaminhada à Faculdade de Medicina do ABC pela médica que a atendia em São Bernardo. C. sabia que seu caso era grave, e não pensou duas vezes quando os especialistas propuseram que doasse a biópsia para um estudo na Suíça. Em troca, receberia tratamento inédito que poderia prolongar seu tempo de vida.

“Levei na esportiva e fiquei feliz porque minha experiência poderia ajudar outras mulheres. Não sei bem como o remédio age, mas a médica me disse que ele contorna o tumor e não deixa as células se proliferarem”, diz. Além das aplicações a cada 21 dias do remédio, a dona-de-casa também faz novos check-ups de quatro em quatro meses. O diagnóstico para o caso de C. era um dos piores. No entanto, desde que começou o tratamento, a doença não se manifestou mais. “Estou bem de saúde e muito feliz.”

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