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Programa dá voz a quem nunca falou

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

07/10/2012 | 07:00


Camila Hallage, 27 anos, estica o braço para alcançar o tablet. Com dificuldade, controla a mão para tocá-lo. Ela segue na direção da carinha verde sorridente. Quando finalmente a jovem encosta na tela, uma voz feminina diz "Sim", e seu rosto se abre em sorriso muito maior que o do desenho. Assim Camila responde que está feliz de poder ganhar voz, algo que nunca teve.

Quem proporcionou essa mudança na vida da jovem, que teve paralisia cerebral ocasionada por problemas ainda no útero da mãe, foi o Livox ­- Liberdade em Voz Alta, programa para tablets criado pelo analista de sistemas pernambucano Carlos Pereira, 34 anos. A inspiradora de Carlos, sua filha Clara, de 5 anos, também teve paralisia cerebral por conta de falta de oxigênio no cérebro no momento do parto.

Há dois anos, Pereira começou a desenvolver o programa, inspirado em sistemas que viu nos Estados Unidos. "Como nenhuma empresa das que procurei se interessou em desenvolver a tecnologia em Português, fui atrás e fiz eu mesmo."

Hoje, centenas de pessoas em todo o Brasil utilizam o Livox, instalado sem custos por Pereira. Basta ter um tablet à disposição; os modelos mais simples custam em torno de R$ 400. A Faculdade de Medicina do ABC sedia até amanhã o primeiro treinamento para uso da tecnologia realizado na Grande São Paulo. Ao todo, oito usuários, dos quase 60 interessados, e suas famílias aprendem como utilizar o programa durante uma hora por dia desde sexta-feira, incluindo Camila. As famílias se uniram para bancar apenas a estadia da equipe, que é de Recife.

Conforme a tia de Camila, a médica infectologista Nedia Maria Hallage, a jovem precisará se esforçar bastante para utilizar o aparelho. "Ela tem dificuldade motora muito grande, mas é alfabetizada e muito inteligente. Com a ajuda da fisioterapia, tenho certeza que irá se adaptar."

Camila compartilha da opinião e prometeu, por meio do Livox, se esforçar.

Diversidade

O analista de sistemas adaptou o programa para ser utilizado por pessoas com diversos tipos de deficiência. O Livox obteve resultados com autistas, portadores de esclerose amiotrófica e múltipla, pessoas com sequelas de AVCs (Acidente Vascular Cerebral), além da paralisia cerebral. "Treinar os familiares e cuidadores, porém, é imprescindível, já que são eles que irão lidar diariamente com a tecnologia", explica a fonoaudióloga Vanda Mendes, responsável pelas aulas na região.

Para a fonoaudióloga de Camila, Mônica Bevilacqua, a jovem tem capacidade para aprender a lidar com a tecnologia. "Além disso, em um mundo de smartphones e computadores, ela se sentirá incluída."

O Livox não é destinado apenas para adultos. Devido a sua adaptabilidade e opção de criar imagens e associações, pode ser utilizado por crianças tão pequenas quanto Lorenzo Bernal Von Dentz Testa, 2. Ele sofre de epilepsia, doença que afetou seu desenvolvimento. "A terapeuta ocupacional acredita que é muito cedo para dizer se o lado cognitivo foi afetado, mas percebo que ele compreende as coisas", diz a mãe, Amanda Bernal Silva, 32.

Lorenzo também participa do treinamento na Faculdade de Medicina. No caso dele, o tablet em si chama mais atenção que as figuras ou a voz, mas Vanda acredita que, com o tempo e o treino, o menino poderá enxergá-lo como meio de comunicação.

Ao assistir às aulas e observar o esforço dos pacientes, é possível perceber que usar o Livox é como aprender a falar. "Quando escuto o programa falar, ouço a voz da minha filha", garante o criador. É essa emoção que Pereira quer compartilhar com outros pais e familiares de todo o País.

Parcerias ajudam a expandir

Quando criou o Livox, a ideia do analista de sistemas Carlos Pereira sempre foi mantê-lo o mais acessível possível, tanto nos comandos quanto na disponibilização. Para tanto, permitiu que o sistema seja moldado de acordo com as necessidades de cada usuário. "É possível adicionar fotos, vídeos, músicas e até mesmo gravar áudio. O sistema precisa ter a voz de quem utiliza."

Hoje Pereira, a esposa Aline e a filha Clara viajam o País para divulgar a tecnologia. Para isso, buscam apoio de todos os lados, inclusive das próprias famílias que utilizarão a tecnologia. Eles também aceitam doações de tablets usados, e até mesmo quebrados, pois conseguem consertá-los. "Estamos em busca de mais parceiros para que possamos expandir o Livox", destaca.

E as novidades programadas são muitas. A principal delas é a possibilidade de usar o programa apenas com o movimento dos olhos, para aqueles que possuem dificuldades motoras severas.

Já o Livox Now acopla inteligência artificial para determinar o horário e a localização do usuário e, assim, disponibilizar apenas opções que serão úteis para aquela situação. "Se é hora do almoço, por exemplo, o programa irá mostrar apenas opções como carne, arroz, feijão, e não leite, que é alimento consumido no café da manhã", explica Pereira.

O analista planeja ainda o Livox Edu, que oferece opções de utilização do sistema na escola, e o Livox Profissional, destinado a especialistas que lidam com o deficiente.

Quem quiser mais informações sobre o programa, ou tiver interesse em ajudar a causa por meio de doações ou adotando um paciente, basta entrar em contato pelo site www.agoraeuconsigo.org, pelo e-mail contato@reamo.com.br ou pelo www.facebook.com/livoxtablet



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Programa dá voz a quem nunca falou

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

07/10/2012 | 07:00


Camila Hallage, 27 anos, estica o braço para alcançar o tablet. Com dificuldade, controla a mão para tocá-lo. Ela segue na direção da carinha verde sorridente. Quando finalmente a jovem encosta na tela, uma voz feminina diz "Sim", e seu rosto se abre em sorriso muito maior que o do desenho. Assim Camila responde que está feliz de poder ganhar voz, algo que nunca teve.

Quem proporcionou essa mudança na vida da jovem, que teve paralisia cerebral ocasionada por problemas ainda no útero da mãe, foi o Livox ­- Liberdade em Voz Alta, programa para tablets criado pelo analista de sistemas pernambucano Carlos Pereira, 34 anos. A inspiradora de Carlos, sua filha Clara, de 5 anos, também teve paralisia cerebral por conta de falta de oxigênio no cérebro no momento do parto.

Há dois anos, Pereira começou a desenvolver o programa, inspirado em sistemas que viu nos Estados Unidos. "Como nenhuma empresa das que procurei se interessou em desenvolver a tecnologia em Português, fui atrás e fiz eu mesmo."

Hoje, centenas de pessoas em todo o Brasil utilizam o Livox, instalado sem custos por Pereira. Basta ter um tablet à disposição; os modelos mais simples custam em torno de R$ 400. A Faculdade de Medicina do ABC sedia até amanhã o primeiro treinamento para uso da tecnologia realizado na Grande São Paulo. Ao todo, oito usuários, dos quase 60 interessados, e suas famílias aprendem como utilizar o programa durante uma hora por dia desde sexta-feira, incluindo Camila. As famílias se uniram para bancar apenas a estadia da equipe, que é de Recife.

Conforme a tia de Camila, a médica infectologista Nedia Maria Hallage, a jovem precisará se esforçar bastante para utilizar o aparelho. "Ela tem dificuldade motora muito grande, mas é alfabetizada e muito inteligente. Com a ajuda da fisioterapia, tenho certeza que irá se adaptar."

Camila compartilha da opinião e prometeu, por meio do Livox, se esforçar.

Diversidade

O analista de sistemas adaptou o programa para ser utilizado por pessoas com diversos tipos de deficiência. O Livox obteve resultados com autistas, portadores de esclerose amiotrófica e múltipla, pessoas com sequelas de AVCs (Acidente Vascular Cerebral), além da paralisia cerebral. "Treinar os familiares e cuidadores, porém, é imprescindível, já que são eles que irão lidar diariamente com a tecnologia", explica a fonoaudióloga Vanda Mendes, responsável pelas aulas na região.

Para a fonoaudióloga de Camila, Mônica Bevilacqua, a jovem tem capacidade para aprender a lidar com a tecnologia. "Além disso, em um mundo de smartphones e computadores, ela se sentirá incluída."

O Livox não é destinado apenas para adultos. Devido a sua adaptabilidade e opção de criar imagens e associações, pode ser utilizado por crianças tão pequenas quanto Lorenzo Bernal Von Dentz Testa, 2. Ele sofre de epilepsia, doença que afetou seu desenvolvimento. "A terapeuta ocupacional acredita que é muito cedo para dizer se o lado cognitivo foi afetado, mas percebo que ele compreende as coisas", diz a mãe, Amanda Bernal Silva, 32.

Lorenzo também participa do treinamento na Faculdade de Medicina. No caso dele, o tablet em si chama mais atenção que as figuras ou a voz, mas Vanda acredita que, com o tempo e o treino, o menino poderá enxergá-lo como meio de comunicação.

Ao assistir às aulas e observar o esforço dos pacientes, é possível perceber que usar o Livox é como aprender a falar. "Quando escuto o programa falar, ouço a voz da minha filha", garante o criador. É essa emoção que Pereira quer compartilhar com outros pais e familiares de todo o País.

Parcerias ajudam a expandir

Quando criou o Livox, a ideia do analista de sistemas Carlos Pereira sempre foi mantê-lo o mais acessível possível, tanto nos comandos quanto na disponibilização. Para tanto, permitiu que o sistema seja moldado de acordo com as necessidades de cada usuário. "É possível adicionar fotos, vídeos, músicas e até mesmo gravar áudio. O sistema precisa ter a voz de quem utiliza."

Hoje Pereira, a esposa Aline e a filha Clara viajam o País para divulgar a tecnologia. Para isso, buscam apoio de todos os lados, inclusive das próprias famílias que utilizarão a tecnologia. Eles também aceitam doações de tablets usados, e até mesmo quebrados, pois conseguem consertá-los. "Estamos em busca de mais parceiros para que possamos expandir o Livox", destaca.

E as novidades programadas são muitas. A principal delas é a possibilidade de usar o programa apenas com o movimento dos olhos, para aqueles que possuem dificuldades motoras severas.

Já o Livox Now acopla inteligência artificial para determinar o horário e a localização do usuário e, assim, disponibilizar apenas opções que serão úteis para aquela situação. "Se é hora do almoço, por exemplo, o programa irá mostrar apenas opções como carne, arroz, feijão, e não leite, que é alimento consumido no café da manhã", explica Pereira.

O analista planeja ainda o Livox Edu, que oferece opções de utilização do sistema na escola, e o Livox Profissional, destinado a especialistas que lidam com o deficiente.

Quem quiser mais informações sobre o programa, ou tiver interesse em ajudar a causa por meio de doações ou adotando um paciente, basta entrar em contato pelo site www.agoraeuconsigo.org, pelo e-mail contato@reamo.com.br ou pelo www.facebook.com/livoxtablet

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