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Após renúncia de ministros, Duhalde estuda novo plano


Do Diário OnLine

24/04/2002 | 00:00


O ministro argentino da Economia, Jorge Remes Lenicov, renunciou ao cargo nesta terça-feira após o Congresso se recusar a aprovar o projeto de lei 'batizado' de Plano Bonex, que prevê a troca dos depósitos bancários confiscados por títulos públicos federais, com a intenção de evitar a quebra dos bancos. Pelo mesmo caminho seguiram o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, e o ministro da Produção, José Ignácio de Mendiguren. Ambos entregaram os cargos.

Diante das renúncias e na tentativa de arranjar meios para evitar um colapso no sistema financeiro do país, o presidente Eduardo Duhalde convocou uma reunião de emergência com governadores, parlamentares e sindicalistas para discutir alternativas ao Bonex, uma vez que o plano econômico não foi bem aceito. Até o final da noite desta terça, a jornada de reuniões na residência oficial de Olivos ainda não havia terminado.

De acordo com a versão on-line do jornal argentino El Clarín, uma das saídas estudadas é a criação de uma faixa de flutuação do câmbio entre 2,50 pesos e 2,65 pesos. É estudada também a possibilidade do retorno de algum tipo de conversibilidade do peso com o dólar. Neste caso, a moeda norte-americana valeria entre três ou quatro pesos. Mas ainda há quem aposte no retorno do câmbio fixo, proposta defendida pelos justicialistas em reunião com Duhalde.

Também está sendo discutida uma saída judicial para frear as liminares que concedem exceções ao 'corralito' — medida decretada pelo governo para restringir os saques bancários, com a intenção de evitar uma fuga de recursos do país. Nesta quarta-feira, o Senado deve analisar projeto que obrigaria as instituições financeiras a liberar os depósitos presos pelo confisco somente após uma decisão definitiva da Justiça. Na semana que antecedeu o feriado bancário, por exemplo, os bancos tiveram de devolver cerca de 130 milhões de pesos por causa de decisões judiciais.

Na esfera política, tudo ainda é muito incerto. Analistas apostam numa guinada política na Argentina, com o presidente Eduardo Duhalde se aproximando mais dos governadores de províncias e, conseqüentemente, se afastando mais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em Buenos Aires, comenta-se que a prioridade do governo é fechar um plano econômico de emergência de 180 dias. A possibilidade de serem antecipadas eleições presidenciais também é forte.

Por enquanto, não há nomes para substituir Jorge Remes Lenicov. Durante toda a terça-feira falou-se apenas em Alieto Guadagni, um dos principais negociadores argentinos no âmbito do Mercosul na gestão de Carlos Menem e ex-embaixador do Brasil na Argentina. No final da noite, porém, surgiram informações de que ele não aceitara o convite. Alguns governadores demonstraram forte resistência à indicação de Guadagni, que achou melhor ficar de fora da confusão.

Renúncia de Lenicov - Os rumores de que Lenicov deixaria o Ministério da Economia surgiram nesta segunda-feira, quando ele retornou sem novidades de uma viagem aos Estados Unidos, onde discutiu com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a liberação de um novo de um novo empréstimo para o país.

O encontro terminou sem sucesso, uma vez que o Fundo impôs novas condições para conceder os US$ 25 bilhões solicitados pelo governo.

A fracassada negociação com o FMI, associada aos entraves colocados pelo Congresso ao Plano Bonex, foram as causas da saída do ministro. Ele alega que o projeto é a única saída viável para evitar um colapso no sistema financeiro do país.

O Parlamento, por sua vez, exige algumas alterações na redação da matéria, como a liberação de 10% dos depósitos bancários confiscados pelo 'corralito' e a garantia de que os bancos irão pagar os títulos públicos que serão entregues aos clientes em troca de seus depósitos.

Protestos — Centenas de argentinos se concentraram nesta terça-feira em frente ao Congresso argentino para protestar contra o Plano Bonex e cobrando do governo soluções para a crise. Quando os deputados chegavam ou saíam do prédio eram vaiados e chamados de "traidores". "Que saiam todos", gritavam os manifestantes após a renúncia de Lenicov.



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Após renúncia de ministros, Duhalde estuda novo plano

Do Diário OnLine

24/04/2002 | 00:00


O ministro argentino da Economia, Jorge Remes Lenicov, renunciou ao cargo nesta terça-feira após o Congresso se recusar a aprovar o projeto de lei 'batizado' de Plano Bonex, que prevê a troca dos depósitos bancários confiscados por títulos públicos federais, com a intenção de evitar a quebra dos bancos. Pelo mesmo caminho seguiram o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, e o ministro da Produção, José Ignácio de Mendiguren. Ambos entregaram os cargos.

Diante das renúncias e na tentativa de arranjar meios para evitar um colapso no sistema financeiro do país, o presidente Eduardo Duhalde convocou uma reunião de emergência com governadores, parlamentares e sindicalistas para discutir alternativas ao Bonex, uma vez que o plano econômico não foi bem aceito. Até o final da noite desta terça, a jornada de reuniões na residência oficial de Olivos ainda não havia terminado.

De acordo com a versão on-line do jornal argentino El Clarín, uma das saídas estudadas é a criação de uma faixa de flutuação do câmbio entre 2,50 pesos e 2,65 pesos. É estudada também a possibilidade do retorno de algum tipo de conversibilidade do peso com o dólar. Neste caso, a moeda norte-americana valeria entre três ou quatro pesos. Mas ainda há quem aposte no retorno do câmbio fixo, proposta defendida pelos justicialistas em reunião com Duhalde.

Também está sendo discutida uma saída judicial para frear as liminares que concedem exceções ao 'corralito' — medida decretada pelo governo para restringir os saques bancários, com a intenção de evitar uma fuga de recursos do país. Nesta quarta-feira, o Senado deve analisar projeto que obrigaria as instituições financeiras a liberar os depósitos presos pelo confisco somente após uma decisão definitiva da Justiça. Na semana que antecedeu o feriado bancário, por exemplo, os bancos tiveram de devolver cerca de 130 milhões de pesos por causa de decisões judiciais.

Na esfera política, tudo ainda é muito incerto. Analistas apostam numa guinada política na Argentina, com o presidente Eduardo Duhalde se aproximando mais dos governadores de províncias e, conseqüentemente, se afastando mais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em Buenos Aires, comenta-se que a prioridade do governo é fechar um plano econômico de emergência de 180 dias. A possibilidade de serem antecipadas eleições presidenciais também é forte.

Por enquanto, não há nomes para substituir Jorge Remes Lenicov. Durante toda a terça-feira falou-se apenas em Alieto Guadagni, um dos principais negociadores argentinos no âmbito do Mercosul na gestão de Carlos Menem e ex-embaixador do Brasil na Argentina. No final da noite, porém, surgiram informações de que ele não aceitara o convite. Alguns governadores demonstraram forte resistência à indicação de Guadagni, que achou melhor ficar de fora da confusão.

Renúncia de Lenicov - Os rumores de que Lenicov deixaria o Ministério da Economia surgiram nesta segunda-feira, quando ele retornou sem novidades de uma viagem aos Estados Unidos, onde discutiu com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a liberação de um novo de um novo empréstimo para o país.

O encontro terminou sem sucesso, uma vez que o Fundo impôs novas condições para conceder os US$ 25 bilhões solicitados pelo governo.

A fracassada negociação com o FMI, associada aos entraves colocados pelo Congresso ao Plano Bonex, foram as causas da saída do ministro. Ele alega que o projeto é a única saída viável para evitar um colapso no sistema financeiro do país.

O Parlamento, por sua vez, exige algumas alterações na redação da matéria, como a liberação de 10% dos depósitos bancários confiscados pelo 'corralito' e a garantia de que os bancos irão pagar os títulos públicos que serão entregues aos clientes em troca de seus depósitos.

Protestos — Centenas de argentinos se concentraram nesta terça-feira em frente ao Congresso argentino para protestar contra o Plano Bonex e cobrando do governo soluções para a crise. Quando os deputados chegavam ou saíam do prédio eram vaiados e chamados de "traidores". "Que saiam todos", gritavam os manifestantes após a renúncia de Lenicov.

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