Cultura & Lazer Titulo Arte de rua
Análise de uma mescla de linguagens

Roberta Estrela D'Alva, de Diadema, fala do
encontro estético entre teatro e a cultura hip hop

Luís Felipe Soares
07/12/2014 | 07:00
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Leonardo Mussi/Divulgação


Enquanto o trabalho cênico é uma das artes mais tradicionais, o universo do hip hop ainda conta com frescor. Essas ideias que pouco parecem ter em comum se encontram nas ideias de Roberta Estrela D’Alva. A atriz de Diadema mescla as vertentes da atuação com os pilares da cultura das ruas desde 2000 como integrante do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, grupo centrado nos estudos do chamado ‘teatro hip hop’.

“No começo, era difícil considerar que o hip hop pudesse funcionar dentro do universo cênico. Como hoje já é uma linguagem muito mais consolidada, não é possível fugir de sua importância. O teatro tem que dar conta de toda uma complexidade e também precisa se reciclar sempre junto a outros setores, seja cinema, circo ou até o parkour”, diz ela.

Toda sua experiência foi utilizada para escrever o livro Teatro Hip-Hop: A Performance Poética do Ator MC (Editora Perspectiva, 152 páginas, R$ 35 em média). A ideia é pincelar um pouco sobre a história dos elementos urbanos – entre eles o grafite, break dance, rap e a atuação dos DJs – e revelar detalhes do encontro estético com a pesquisa cênica. Já disponibilizado no mercado, a publicação pode ser encontrada em livrarias comuns ou por meio de pedido pelo e-mail teatrohiphoplivro@gmail.com.

Roberta recorda as dificuldades que teve no período pós a faculdade de artes cênicas. O contato com os processos de trabalho de grupos convencionais não lhe parecia interessante. Sua perspectiva mudou quando conheceu o projeto que seria o embrião do seu atual coletivo teatral paulistano. “Era o tipo de desafio que eu procurava, lidar com algo novo. Comecei a estudar e a ter contato para usar essas ideias como forma de expressão. Vi de perto os primeiros passos desse encontro e eram DJs e dançarinos começando a atuar e eu, atriz, me meti a cantar rap. A mescla ainda não era efetiva. Claro que conhecia esse universo, mas é diferente quando você o usa como estudo”, diz a artista local, que recebeu o Prêmio Shell de Teatro de São Paulo como melhor atriz, em 2012, pelo trabalho no espetáculo Orfeu Mestiço – Uma Hip-Hópera Brasileira.

Nas páginas do livro, a agora escritora analisa os desafios de transformar dramaturgia em rimas e como a utilização de um sampler (equipamento eletrônico que reproduz diversos sons) tem paralelos com a ação narrativa de uma peça. Ela aproveita para celebrar a história do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. “A ideia foi juntar informações com nossa experiência. É a sobreposição da cultural científica em torno de algo das ruas.” A obra ganha ares de fonte de pesquisa para um outro olhar sobre essa recente união artística. 




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