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Localidade com mais casos de Covid-19 convive com a fome

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Montanhão, em São Bernardo, contabiliza 123 infectados; ações sociais distribuem alimentos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

17/05/2020 | 23:30


O Grande ABC tinha, até ontem, 721 casos de Covid-19. Deste total, 123 são moradores do Montanhão, área periférica de São Bernardo que concentra o maior número de pacientes infectados para um mesmo local nas sete cidades. Os números daquela região representam 11,3% de todas as pessoas que contraíram a doença no município, que soma 1.083 casos.

Região de alta vulnerabilidade, as dificuldades no Montanhão se agravaram com a pandemia. A dona de casa Patrícia Leopoldina, 30, parou de trabalhar como diarista e babá desde o início da quarentena, que passou a valer oficialmente no Estado em 24 de março. O marido está sem trabalhar pois trata de tuberculose e nenhum dos dois conseguiu o auxílio emergencial de R$600 ofertado pelo governo federal.

“Tem sido bem difícil”, relatou. Patrícia mora com o marido e quatro filhos em uma casa de um cômodo. “Ninguém está saindo para nada, não podemos ficar doentes”, relatou. A moradora era uma das muitas que recebem, desde o dia 7, marmitas do programa Bom Apetite, parceria entre o Sesi (Serviço Social da Indústria) e a igreja Bola de Neve que, na comunidade, recebe apoio do Cafezal FC.

De segunda a sábado, das 13h às 15h, pessoas que já foram previamente cadastradas retiram as marmitas. “Trazemos, em média, 200 unidades”, explicou a empresária Jéssica Lázaro, 33, voluntária na igreja. “Com essa pandemia, aumentou muito a necessidade de ajuda às pessoas mais pobres, principalmente com alimentos”, relatou. Desde o início da pandemia, a Bola de Neve de São Bernardo já entregou mais de 1.200 cestas básicas e a distribuição de marmitas deve seguir até o dia 30 – ou pode persistir, se a quarentena for prolongada. 

A auxiliar de escritório Juciele Borges, 33, também aguardava para retirar a sua marmita. Mãe de três, o marido está com salário e jornada reduzidos, e a doação chega em boa hora. “Eu faço bolos e salgados, mas ninguém está fazendo festa, então caíram muito as encomendas”, explicou.

A dona de casa Nayara Oliveira, 29, não recebeu a marmita, mas também tem sentido os efeitos da pandemia no orçamento doméstico. “Meu marido está trabalhando dia sim e dia não. A conta de água subiu, porque está todo mundo em casa”, relatou. “Tem gente na comunidade passando fome de verdade.”

A diretoria do time do bairro tem organizado a entrega de cestas básicas. “A gente conhece todo mundo e tenta ajudar quem mais precisa”, afirmou o diretor do Cafezal FC, Ricardo da Silva, 45. A associação do bairro também tem atuado na entrega de cestas básicas para cerca de 1.000 das 10 mil famílias da comunidade. “Infelizmente, o número de famílias em situação de extrema vulnerabilidade é muito grande, quase 4.000”, afirmou a presidente da Associação Comunitária do Núcleo Cafezal Montanhão, Rosa de Souza, 47. Ela relatou que conhece ao menos quatro pessoas que se contaminaram, mas que ao mesmo tempo que tem aconselhado o isolamento, não divulga quem são, para que não haja constrangimento nem pânico entre os demais moradores. 

Voluntários e associações estão aceitando doações para repassar para os moradores, tanto de alimentos, quanto de roupas. A Igreja Bola de Neve fica na Rua Antônio Luiz Valério, 93, Centro de São Bernardo. Telefone 2374-3538. Contatos com o time de futebol podem ser feitos pelo telefone do diretor Ricardo da Silva: 95906-9187. Informações sobre doações para a associação podem ser obtidas pelo telefone da presidente, Rosa: 95823-4433.

Região agrupa 32 áreas do município

Desde que a Prefeitura de São Bernardo passou a divulgar os casos de Covid-19 pelas regiões da cidade, o Montanhão aparece como o local com maior número de pacientes. Segundo a administração municipal, o Montanhão reúne 32 bairros: Vila São Pedro, Vila Mariana, Vila Boa Vista, Alto da Bela Vista, Vila Esperança, Jardim dos Químicos, Parque São Rafael, Jardim Tiradentes, Jardim Pedreira, Monte Sião, Cafezais, Parque Selecta, Núcleo Bananal, Golden Park, Vila Da Biquinha, Pica Pau, Núcleo Montanhão, Sítio Ponto Alto, Núcleo Moreira Bernardes, Represa Baraldi, Jardim Balneário Alvorada, Vila São Bernardo Novo, Areião, Sabesp, Vila dos Estudantes, Parque São Bernardo, 13 de Maio, Vila Feliz, Núcleo Silvina Audi, Conjunto Habitacional Vanguarda, Novo Parque e Canarinho.

Os primeiros casos da cidade foram importados e acometeram pacientes no Rudge Ramos. A prefeitura relatou que a partir do momento em que a transmissão se tornou comunitária na região, não há como diagnosticar seu contágio e avanço. “A expansão pode estar relacionada à falta de adesão das medidas de higiene, isolamento e afastamento social. Ressalta-se que a região do Montanhão é composta por 32 bairros e a quantidade de casos está pulverizada em toda a extensão”, informou, em nota, a administração são-bernardense.

O comunicado completa destacando que o município tem divulgado massivamente as orientações de prevenção do Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. “Além disso, monitora todos os casos suspeitos e confirmados por telefone e presencialmente, até que o paciente não tenha sintomas nas últimas 72h. Por meio da secretaria de Serviços Urbanos, caminhão de desinfecção tem passado por todos os bairros da cidade. Estas e outras medidas de prevenção, adotadas por São Bernardo estão no link https://www.saobernardo.sp.gov.br/imprensa-oficial”, concluiu a nota.



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Localidade com mais casos de Covid-19 convive com a fome

Montanhão, em São Bernardo, contabiliza 123 infectados; ações sociais distribuem alimentos

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

17/05/2020 | 23:30


O Grande ABC tinha, até ontem, 721 casos de Covid-19. Deste total, 123 são moradores do Montanhão, área periférica de São Bernardo que concentra o maior número de pacientes infectados para um mesmo local nas sete cidades. Os números daquela região representam 11,3% de todas as pessoas que contraíram a doença no município, que soma 1.083 casos.

Região de alta vulnerabilidade, as dificuldades no Montanhão se agravaram com a pandemia. A dona de casa Patrícia Leopoldina, 30, parou de trabalhar como diarista e babá desde o início da quarentena, que passou a valer oficialmente no Estado em 24 de março. O marido está sem trabalhar pois trata de tuberculose e nenhum dos dois conseguiu o auxílio emergencial de R$600 ofertado pelo governo federal.

“Tem sido bem difícil”, relatou. Patrícia mora com o marido e quatro filhos em uma casa de um cômodo. “Ninguém está saindo para nada, não podemos ficar doentes”, relatou. A moradora era uma das muitas que recebem, desde o dia 7, marmitas do programa Bom Apetite, parceria entre o Sesi (Serviço Social da Indústria) e a igreja Bola de Neve que, na comunidade, recebe apoio do Cafezal FC.

De segunda a sábado, das 13h às 15h, pessoas que já foram previamente cadastradas retiram as marmitas. “Trazemos, em média, 200 unidades”, explicou a empresária Jéssica Lázaro, 33, voluntária na igreja. “Com essa pandemia, aumentou muito a necessidade de ajuda às pessoas mais pobres, principalmente com alimentos”, relatou. Desde o início da pandemia, a Bola de Neve de São Bernardo já entregou mais de 1.200 cestas básicas e a distribuição de marmitas deve seguir até o dia 30 – ou pode persistir, se a quarentena for prolongada. 

A auxiliar de escritório Juciele Borges, 33, também aguardava para retirar a sua marmita. Mãe de três, o marido está com salário e jornada reduzidos, e a doação chega em boa hora. “Eu faço bolos e salgados, mas ninguém está fazendo festa, então caíram muito as encomendas”, explicou.

A dona de casa Nayara Oliveira, 29, não recebeu a marmita, mas também tem sentido os efeitos da pandemia no orçamento doméstico. “Meu marido está trabalhando dia sim e dia não. A conta de água subiu, porque está todo mundo em casa”, relatou. “Tem gente na comunidade passando fome de verdade.”

A diretoria do time do bairro tem organizado a entrega de cestas básicas. “A gente conhece todo mundo e tenta ajudar quem mais precisa”, afirmou o diretor do Cafezal FC, Ricardo da Silva, 45. A associação do bairro também tem atuado na entrega de cestas básicas para cerca de 1.000 das 10 mil famílias da comunidade. “Infelizmente, o número de famílias em situação de extrema vulnerabilidade é muito grande, quase 4.000”, afirmou a presidente da Associação Comunitária do Núcleo Cafezal Montanhão, Rosa de Souza, 47. Ela relatou que conhece ao menos quatro pessoas que se contaminaram, mas que ao mesmo tempo que tem aconselhado o isolamento, não divulga quem são, para que não haja constrangimento nem pânico entre os demais moradores. 

Voluntários e associações estão aceitando doações para repassar para os moradores, tanto de alimentos, quanto de roupas. A Igreja Bola de Neve fica na Rua Antônio Luiz Valério, 93, Centro de São Bernardo. Telefone 2374-3538. Contatos com o time de futebol podem ser feitos pelo telefone do diretor Ricardo da Silva: 95906-9187. Informações sobre doações para a associação podem ser obtidas pelo telefone da presidente, Rosa: 95823-4433.

Região agrupa 32 áreas do município

Desde que a Prefeitura de São Bernardo passou a divulgar os casos de Covid-19 pelas regiões da cidade, o Montanhão aparece como o local com maior número de pacientes. Segundo a administração municipal, o Montanhão reúne 32 bairros: Vila São Pedro, Vila Mariana, Vila Boa Vista, Alto da Bela Vista, Vila Esperança, Jardim dos Químicos, Parque São Rafael, Jardim Tiradentes, Jardim Pedreira, Monte Sião, Cafezais, Parque Selecta, Núcleo Bananal, Golden Park, Vila Da Biquinha, Pica Pau, Núcleo Montanhão, Sítio Ponto Alto, Núcleo Moreira Bernardes, Represa Baraldi, Jardim Balneário Alvorada, Vila São Bernardo Novo, Areião, Sabesp, Vila dos Estudantes, Parque São Bernardo, 13 de Maio, Vila Feliz, Núcleo Silvina Audi, Conjunto Habitacional Vanguarda, Novo Parque e Canarinho.

Os primeiros casos da cidade foram importados e acometeram pacientes no Rudge Ramos. A prefeitura relatou que a partir do momento em que a transmissão se tornou comunitária na região, não há como diagnosticar seu contágio e avanço. “A expansão pode estar relacionada à falta de adesão das medidas de higiene, isolamento e afastamento social. Ressalta-se que a região do Montanhão é composta por 32 bairros e a quantidade de casos está pulverizada em toda a extensão”, informou, em nota, a administração são-bernardense.

O comunicado completa destacando que o município tem divulgado massivamente as orientações de prevenção do Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. “Além disso, monitora todos os casos suspeitos e confirmados por telefone e presencialmente, até que o paciente não tenha sintomas nas últimas 72h. Por meio da secretaria de Serviços Urbanos, caminhão de desinfecção tem passado por todos os bairros da cidade. Estas e outras medidas de prevenção, adotadas por São Bernardo estão no link https://www.saobernardo.sp.gov.br/imprensa-oficial”, concluiu a nota.

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