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Clima é de apreensão na Volkswagen


Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC

28/08/2006 | 22:42


Os cerca de 12,4 mil funcionários da Volkswagen, em São Bernardo, vivem em clima de total apreensão. Não é para menos, afinal, o fantasma da demissão ronda os trabalhadores desde maio e ficou ainda mais assustador ontem depois que eles foram comunicados de que, nos próximos dias, a montadora vai enviar ao primeiro grupo de demitidos (cerca de 1,8 mil) – que não terá pacote de incentivos – as cartas de desligamento a partir de 21 de novembro.

“O clima não poderia ser pior. Todos estão extremamente preocupados”, afirma o mecânico Marcos (nome fictício), 31 anos, que prefere não revelar sua verdadeira identidade. Funcionário da Volks desde os 19, Marcos e sua família têm uma ligação antiga com a montadora. Seu pai trabalhou na VW durante 18 anos, enquanto o sogro foi funcionário da empresa por mais de três décadas. Ambos estão aposentados. Já o cunhado atualmente trabalha na produção, área que vai indicar 85% dos cortes. “Infelizmente, ele está em pior situação do que eu”, lamenta o mecânico, que trabalha na área de engenharia, mas nem por isso se sente menos ameaçado. “Aqui (no setor), estamos todos muito tristes”, diz.

Marcos conta que, desde maio, a preocupação com as demissões tem prejudicado seu tempo livre. “Passei o final de semana todo com enxaqueca. Queria relaxar, mas não consegui. Minha família também está preocupada”, conta o mecânico, que é casado e pai de um filho.

“Estamos todos na expectativa. Para nós, não existe perspectiva de futuro”, lamenta o ferramenteiro Daniel (nome fictício), 35, que também prefere não ser identificado. O profissional ingressou na Volkswagen há 21 anos, como aprendiz do Senai. Hoje, lamenta o clima de medo que tomou conta da fábrica e contagiou a família. “Eu tento não levar o problema para casa, mas é impossível. Minha família se sente insegura, não tem mais a tranqüilidade de outros dias”, conta o ferramenteiro, casado com uma professora e pai de um filho.

Para Daniel, a situação só não é pior porque em seu setor não existem problemas de relacionamento com as chefias. “Felizmente, aqui não há isso”, avalia o ferramenteiro.

Clima pesado – Para o também ferramenteiro Eduardo, 40 – cujo o nome também é fictício –, o ambiente é de tensão. “O clima é pesado e piorou após a ronda (reunião entre as gerências e os demais trabalhadores) de hoje (ontem), quando as chefias informaram que a empresa vai enviar as cartas aos trabalhadores que serão demitidos”, revela.

O ferramenteiro, que trabalha na engenharia, acredita que sua área não será significativamente atingida pelas demissões. “Felizmente, há um plano de criação de novos produtos”, conta. Mesmo assim, o clima era de tristeza após a ronda. Ele considerou coerente a postura do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que suspendeu a liberação de empréstimo de R$ 497 milhões para a Volkswagen. “Não faz sentido emprestar dinheiro a uma empresa que pretende demitir milhares de pais de família”, desabafou.

Casado com uma professora e pai de três filhos, Eduardo conta que a família manteve a serenidade mesmo com a possibilidade de demissão. “É claro que nós estamos preocupados com a continuidade de nossas vidas, mas tentamos não nos desesperar”, explica.


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Clima é de apreensão na Volkswagen

Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC

28/08/2006 | 22:42


Os cerca de 12,4 mil funcionários da Volkswagen, em São Bernardo, vivem em clima de total apreensão. Não é para menos, afinal, o fantasma da demissão ronda os trabalhadores desde maio e ficou ainda mais assustador ontem depois que eles foram comunicados de que, nos próximos dias, a montadora vai enviar ao primeiro grupo de demitidos (cerca de 1,8 mil) – que não terá pacote de incentivos – as cartas de desligamento a partir de 21 de novembro.

“O clima não poderia ser pior. Todos estão extremamente preocupados”, afirma o mecânico Marcos (nome fictício), 31 anos, que prefere não revelar sua verdadeira identidade. Funcionário da Volks desde os 19, Marcos e sua família têm uma ligação antiga com a montadora. Seu pai trabalhou na VW durante 18 anos, enquanto o sogro foi funcionário da empresa por mais de três décadas. Ambos estão aposentados. Já o cunhado atualmente trabalha na produção, área que vai indicar 85% dos cortes. “Infelizmente, ele está em pior situação do que eu”, lamenta o mecânico, que trabalha na área de engenharia, mas nem por isso se sente menos ameaçado. “Aqui (no setor), estamos todos muito tristes”, diz.

Marcos conta que, desde maio, a preocupação com as demissões tem prejudicado seu tempo livre. “Passei o final de semana todo com enxaqueca. Queria relaxar, mas não consegui. Minha família também está preocupada”, conta o mecânico, que é casado e pai de um filho.

“Estamos todos na expectativa. Para nós, não existe perspectiva de futuro”, lamenta o ferramenteiro Daniel (nome fictício), 35, que também prefere não ser identificado. O profissional ingressou na Volkswagen há 21 anos, como aprendiz do Senai. Hoje, lamenta o clima de medo que tomou conta da fábrica e contagiou a família. “Eu tento não levar o problema para casa, mas é impossível. Minha família se sente insegura, não tem mais a tranqüilidade de outros dias”, conta o ferramenteiro, casado com uma professora e pai de um filho.

Para Daniel, a situação só não é pior porque em seu setor não existem problemas de relacionamento com as chefias. “Felizmente, aqui não há isso”, avalia o ferramenteiro.

Clima pesado – Para o também ferramenteiro Eduardo, 40 – cujo o nome também é fictício –, o ambiente é de tensão. “O clima é pesado e piorou após a ronda (reunião entre as gerências e os demais trabalhadores) de hoje (ontem), quando as chefias informaram que a empresa vai enviar as cartas aos trabalhadores que serão demitidos”, revela.

O ferramenteiro, que trabalha na engenharia, acredita que sua área não será significativamente atingida pelas demissões. “Felizmente, há um plano de criação de novos produtos”, conta. Mesmo assim, o clima era de tristeza após a ronda. Ele considerou coerente a postura do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que suspendeu a liberação de empréstimo de R$ 497 milhões para a Volkswagen. “Não faz sentido emprestar dinheiro a uma empresa que pretende demitir milhares de pais de família”, desabafou.

Casado com uma professora e pai de três filhos, Eduardo conta que a família manteve a serenidade mesmo com a possibilidade de demissão. “É claro que nós estamos preocupados com a continuidade de nossas vidas, mas tentamos não nos desesperar”, explica.

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