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Escassez de crédito dificulta exportação

Encargos trabalhistas e impostos causam perda de competitividade; dólar contribuiu para obstáculos


Leone Farias
Soraia Abreu Pedrozo

28/02/2009 | 07:00


A crise financeira internacional elevou a cotação do dólar, o que, em tese, favoreceria os exportadores. Hoje, entretanto, ao custo médio de R$ 2,30 - diferente de quatro meses atrás, quando oscilava em R$ 1,70 - o cenário é de freada na produção de setores no mundo e retração de pedidos. Tal preocupação é um dos temas que serão abordados no seminário "O ABC do Diálogo e do Desenvolvimento", nos dias 11 e 12 de março.

A empresa de Anuar Dequech Jr, vice-diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema, fabricante de cadinhos para fundição, antes da crise tinha 40% de seu faturamento proveniente das exportações. Atualmente, são apenas 15%. O principal ramo ao qual atende é o de autopeças, tanto no mercado interno como externo, sendo o segmento responsável por 60% de seus ganhos.

Até então, seu mercado potencial era a Ásia, majoritariamente Japão - em recessão - e China - em desaceleração. Para driblar a queda nesse comércio, Dequech está prospectando novos clientes, como Estados Unidos e México. "Como os cadinhos duram entre três e quatro meses, primeiro as amostras têm de ser testadas para então conseguirmos novos pedidos. Mas o processo é longo. Devemos ter um retorno lá para o final do ano".

O executivo alega que o custo de produção é muito alto. "A cadeia toda fica muito onerosa por conta dos impostos. Quando o governo se tocar que isso pode se tornar uma vantagem competitiva, muitos empresários já perderam vendas". Com um produto mais barato, fica mais fácil conseguir um lugar ao sol no mercado externo.

Outro fator de dificuldade aos exportadores é a escassez do adiantamento da carta de crédito - ferramenta bancária que injeta capital nos negócios que possuem pedidos firmes e precisam adiantar o pagamento dos clientes -, alega William Pesinato, diretor do Ciesp de São Caetano. "Apesar de o governo declarar que liberou recursos aos pequenos e médios, os bancos não emprestam por conta da falta de confiança".

O OUTRO LADO - A Saint-Gobain Sekurit, fabricante de vidros automotivos de Mauá. quer retomar, nos próximos dois anos, a fatia de 25% do faturamento obtido com pedidos no mercado internacional - patamar de 2006. Em 2008, fechou com vendas externas inferiores a 5% da receita total.

Com a economia interna aquecida, a empresa deixou de vender ao exterior. Resgatar seus clientes em outros países será uma forma de compensar, em parte, as agora fracas encomendas no Brasil, que já fizeram a fábrica dispensar cerca de 180 empregados temporários. Dessa forma, mesmo com o potencial no Exterior, a fabricante espera empatar o resultado do ano com o de 2008.

Em situação semelhante à essa outra companhia que vê espaço para ampliar negócios lá fora é a DM Robótica, especializada em robôs e automação industrial. "Há três anos, exportávamos 30% do nosso faturamento", disse o diretor comercial, José Luís Galvão Gomes. Seus alvos estão na América do Sul e na Itália.



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