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O austríaco verde

É possível construir de forma a não agredir tanto o meio ambiente? Um arquiteto e ambientalista austríaco chamado Friedensreich Hundertwasser


Cristina Baddini

26/06/2009 | 00:00


É possível construir de forma a não agredir tanto o meio ambiente? Um arquiteto e ambientalista austríaco chamado Friedensreich Hundertwasser defendia o uso ecológico da arquitetura. Antes que se falasse em sustentabilidade ambiental, seus discursos, manifestos e pinturas já teimavam em sublinhar a importância da natureza e antecipavam soluções precisas para o futuro do meio ambiente. Seus projetos arquitetônicos estão espalhados não apenas pela Áustria, mas por vários países da Europa.

Provocador nato
Hundertwasser sempre defendeu em seus manifestos e projetos uma arquitetura mais orgânica, na qual homem e natureza pudessem conviver em harmonia. Ele plantou cerca de 60 mil árvores no mundo inteiro pelo sistema de árvores locatárias nas suas obras. Seu imenso respeito pela natureza suscitou o desejo de protegê-la. Projetou telhados com relva e árvores locatárias nas janelas. Essa vegetação capta a água da chuva e as águas de esgoto são purificadas pelas plantas aquáticas de filtragem. Excelente plano ecológico, não acham?

As obras são multicoloridas
Sua arte tem sempre um lado político. Ele constantemente se rebelou contra o racionalismo e o determinismo das ideias promovendo a consciência ecológica e mantendo sempre a crença na anarquia da imaginação. Hundertwasser é naturalmente verde e transformava cimento em algo orgânico. Em seus projetos, o verde estava sempre presente, fosse em árvores saindo pela janela de apartamentos ou na grama cobrindo os telhados das casas. Não havia fronteiras para comungar natureza e lar.

Exposição no Brasil
Em dezembro de 1948, o mundo em reconstrução ganhava da Organização das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para comemorar os 60 anos do documento, a Caixa Econômica Federal, em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e a Embaixada da Áustria, apresentou a inédita exposição Olhares sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Meio Ambiente - Hundertwasser e Mello na Caixa de Brasília, até 19 de junho.

Sincronia
Curador e idealizador da mostra, o produtor José Carlos Simões salienta que é possível encontrar uma forte sincronia entre as ideias de Hundertwasser e o poeta Thiago de Mello: "Enquanto Mello decretava em seu Os Estatutos do Homem (poema de 1977) que ‘nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela'; Hundertwasser defendia: ‘todos têm direito a janela', ou ‘todos têm direito ao sonho'".

Transporte Público
Hundertwasser desenvolveu também campanha para um transporte bom, barato e que pode ser utilizado por todos indistintamente. Hundertwasser criou o cartaz Use Public Transport - Save the City (Utilize o Transporte Público - Salve a Cidade) do 48º Congresso da UITP ( Internacionale dês Transports Public) realizado em 1989 em Budapeste.
Hundertwasser morreu em 2000, aos 71 anos. A alquimia das cores, o naturalismo, as árvores urbanas e a grama nos telhados poderiam ser uma boa opção para a melhoria do ar do Grande ABC. Extravagante? Quem sabe? Quem viajar até Brasília pode conferir!



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O austríaco verde

É possível construir de forma a não agredir tanto o meio ambiente? Um arquiteto e ambientalista austríaco chamado Friedensreich Hundertwasser

Cristina Baddini

26/06/2009 | 00:00


É possível construir de forma a não agredir tanto o meio ambiente? Um arquiteto e ambientalista austríaco chamado Friedensreich Hundertwasser defendia o uso ecológico da arquitetura. Antes que se falasse em sustentabilidade ambiental, seus discursos, manifestos e pinturas já teimavam em sublinhar a importância da natureza e antecipavam soluções precisas para o futuro do meio ambiente. Seus projetos arquitetônicos estão espalhados não apenas pela Áustria, mas por vários países da Europa.

Provocador nato
Hundertwasser sempre defendeu em seus manifestos e projetos uma arquitetura mais orgânica, na qual homem e natureza pudessem conviver em harmonia. Ele plantou cerca de 60 mil árvores no mundo inteiro pelo sistema de árvores locatárias nas suas obras. Seu imenso respeito pela natureza suscitou o desejo de protegê-la. Projetou telhados com relva e árvores locatárias nas janelas. Essa vegetação capta a água da chuva e as águas de esgoto são purificadas pelas plantas aquáticas de filtragem. Excelente plano ecológico, não acham?

As obras são multicoloridas
Sua arte tem sempre um lado político. Ele constantemente se rebelou contra o racionalismo e o determinismo das ideias promovendo a consciência ecológica e mantendo sempre a crença na anarquia da imaginação. Hundertwasser é naturalmente verde e transformava cimento em algo orgânico. Em seus projetos, o verde estava sempre presente, fosse em árvores saindo pela janela de apartamentos ou na grama cobrindo os telhados das casas. Não havia fronteiras para comungar natureza e lar.

Exposição no Brasil
Em dezembro de 1948, o mundo em reconstrução ganhava da Organização das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para comemorar os 60 anos do documento, a Caixa Econômica Federal, em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e a Embaixada da Áustria, apresentou a inédita exposição Olhares sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Meio Ambiente - Hundertwasser e Mello na Caixa de Brasília, até 19 de junho.

Sincronia
Curador e idealizador da mostra, o produtor José Carlos Simões salienta que é possível encontrar uma forte sincronia entre as ideias de Hundertwasser e o poeta Thiago de Mello: "Enquanto Mello decretava em seu Os Estatutos do Homem (poema de 1977) que ‘nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela'; Hundertwasser defendia: ‘todos têm direito a janela', ou ‘todos têm direito ao sonho'".

Transporte Público
Hundertwasser desenvolveu também campanha para um transporte bom, barato e que pode ser utilizado por todos indistintamente. Hundertwasser criou o cartaz Use Public Transport - Save the City (Utilize o Transporte Público - Salve a Cidade) do 48º Congresso da UITP ( Internacionale dês Transports Public) realizado em 1989 em Budapeste.
Hundertwasser morreu em 2000, aos 71 anos. A alquimia das cores, o naturalismo, as árvores urbanas e a grama nos telhados poderiam ser uma boa opção para a melhoria do ar do Grande ABC. Extravagante? Quem sabe? Quem viajar até Brasília pode conferir!

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