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Famílias carentes cultivam cogumelo em Rio Grande


Rita Norberto
Do Diário do Grande ABC

17/05/2003 | 18:39


A maioria deles nunca sequer provou champignons, o tipo mais popular de cogumelo. Mas, agora, dez pessoas de famílias carentes de Rio Grande da Serra estão tendo a oportunidade de aprender a cultivar os shiitakes – outra espécie de cogumelos, muito usados na culinária japonesa, que ele também não conheciam –, aprender uma nova profissão e aumentar a renda em casa. Trata-se do Núcleo de Plantio de shiitake do Rio Pequeno, projeto da Secretaria de Cidadania e Ação Social da Prefeitura de Rio Grande da Serra, em uma chácara naquele bairro. Outros dois núcleos serão iniciados ainda neste mês com mais 20 moradores, nos bairros Sete Pontes e Sítio Maria Joana.

A ação integra a proposta da Prefeitura de promover a capacitação profissional e a geração de renda dos moradores. A idéia do cultivo do shiitake, explica o secretário Alex Zitei, surgiu em pesquisas, como a feita em uma fazenda em Suzano exclusivamente dedicada a este produto. “Percebemos que o clima úmido de Rio Grande era ideal. Além de ser um produto rentável, o shiitake é uma produção com característica ecológica que combina com a proposta do município”, disse.

Segundo o coordenador do projeto, Paulo Afonso Marcelino, as dez pessoas que receberam orientação sobre o plantio trabalham desde abril na produção. No final, com a venda dos shiitakes, cada família ganhará um kit de ferramentas e materiais para iniciar a sua própria produção. “A nossa intenção é que estas pessoas sejam multiplicadores e que tenham suas produções. Queremos que Rio Grande seja a cidade do shiitake”, disse. E no futuro, a idéia é unir os produtores para a exportação.

Etapas – Do plantio à colheita, são necessários de quatro e seis meses para obter os primeiros shiitakes. Segundo o orientador do grupo, o ideal é que o shiitake seja comercializado perto de onde é plantado. E nas etapas, o manejo deve ser constantemente adaptado às condições da temperatura. “Não é só plantar e pronto”, disse.

O plantio segue etapas. Segundo Edivaldo Pereira Santos, que integra o grupo, primeiro pega-se toras de eucalipto de 8 a 14 centímetros de diâmetro. Nelas, são feitas perfurações onde são colocadas as sementes (inóculo ou micélio). Depois, os buracos são fechados com as sementes dentro, com parafina e breu derretido. Na etapa seguinte, chamada de câmara úmida, as toras são empilhadas, cobertas por um plástico, e ficam assim entre 30 e 40 dias. Neste período, começarão a surgir tufos brancos, as hifas. As toras que estiverem neste estado, seguem para a chamada fogueira de São João (umas sobre as outras, de modo intercalado), onde permanecem de quatro a seis meses, sempre monitoradas. No final, as toras recebem um choque térmico na água e são colocados em pé. Aos poucos, os shiitakes vão brotando.

Segundo Kuahara, se não houver problemas com a colheita, as três mil toras existentes no Rio Pequeno irão gerar 2,1 mil kg de shiitakes, o que representa uma receita bruta de R$ 2,1 mil. Para quem se interessar, cada tora montada tem um custo de R$ 2,80 (com gastos com material e insumos). A Prefeitura estuda ajudar as famílias a obter financiamentos do Banco do Povo Paulista – um programa estadual de empréstimos para pequenos negócios.

Animados – Em sua maioria, as pessoas integradas no núcleo não conheciam o shiitake. No início, dizem, acharam um pouco difícil, mas agora estão adorando. “Meu sonho é continuar a produzir. Sei que não é para enriquecer, mas pode ser um sustento para a casa da gente”, disse a dona de casa Gedenalva Malta da Silva, 39 anos, separada, e preocupada em como criar o filho.

Sem trabalho há um ano, o pintor profissional Expedito Evaristo, 53 anos, também busca uma nova profissão. “No começo achei difícil, mas agora eu adoro vir aqui”, disse. “Nunca tinha ouvido falar nisso (shiitake). Minha esposa fazia curso de manicure da Prefeitura e eu entrei neste. Estou gostando muito, é fácil de aprender”, disse o ajudante de pedreiro Valdemar de Souza do Amor Divino, 35 anos, casado, pai de três filhos, também desempregado há três anos.



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Famílias carentes cultivam cogumelo em Rio Grande

Rita Norberto
Do Diário do Grande ABC

17/05/2003 | 18:39


A maioria deles nunca sequer provou champignons, o tipo mais popular de cogumelo. Mas, agora, dez pessoas de famílias carentes de Rio Grande da Serra estão tendo a oportunidade de aprender a cultivar os shiitakes – outra espécie de cogumelos, muito usados na culinária japonesa, que ele também não conheciam –, aprender uma nova profissão e aumentar a renda em casa. Trata-se do Núcleo de Plantio de shiitake do Rio Pequeno, projeto da Secretaria de Cidadania e Ação Social da Prefeitura de Rio Grande da Serra, em uma chácara naquele bairro. Outros dois núcleos serão iniciados ainda neste mês com mais 20 moradores, nos bairros Sete Pontes e Sítio Maria Joana.

A ação integra a proposta da Prefeitura de promover a capacitação profissional e a geração de renda dos moradores. A idéia do cultivo do shiitake, explica o secretário Alex Zitei, surgiu em pesquisas, como a feita em uma fazenda em Suzano exclusivamente dedicada a este produto. “Percebemos que o clima úmido de Rio Grande era ideal. Além de ser um produto rentável, o shiitake é uma produção com característica ecológica que combina com a proposta do município”, disse.

Segundo o coordenador do projeto, Paulo Afonso Marcelino, as dez pessoas que receberam orientação sobre o plantio trabalham desde abril na produção. No final, com a venda dos shiitakes, cada família ganhará um kit de ferramentas e materiais para iniciar a sua própria produção. “A nossa intenção é que estas pessoas sejam multiplicadores e que tenham suas produções. Queremos que Rio Grande seja a cidade do shiitake”, disse. E no futuro, a idéia é unir os produtores para a exportação.

Etapas – Do plantio à colheita, são necessários de quatro e seis meses para obter os primeiros shiitakes. Segundo o orientador do grupo, o ideal é que o shiitake seja comercializado perto de onde é plantado. E nas etapas, o manejo deve ser constantemente adaptado às condições da temperatura. “Não é só plantar e pronto”, disse.

O plantio segue etapas. Segundo Edivaldo Pereira Santos, que integra o grupo, primeiro pega-se toras de eucalipto de 8 a 14 centímetros de diâmetro. Nelas, são feitas perfurações onde são colocadas as sementes (inóculo ou micélio). Depois, os buracos são fechados com as sementes dentro, com parafina e breu derretido. Na etapa seguinte, chamada de câmara úmida, as toras são empilhadas, cobertas por um plástico, e ficam assim entre 30 e 40 dias. Neste período, começarão a surgir tufos brancos, as hifas. As toras que estiverem neste estado, seguem para a chamada fogueira de São João (umas sobre as outras, de modo intercalado), onde permanecem de quatro a seis meses, sempre monitoradas. No final, as toras recebem um choque térmico na água e são colocados em pé. Aos poucos, os shiitakes vão brotando.

Segundo Kuahara, se não houver problemas com a colheita, as três mil toras existentes no Rio Pequeno irão gerar 2,1 mil kg de shiitakes, o que representa uma receita bruta de R$ 2,1 mil. Para quem se interessar, cada tora montada tem um custo de R$ 2,80 (com gastos com material e insumos). A Prefeitura estuda ajudar as famílias a obter financiamentos do Banco do Povo Paulista – um programa estadual de empréstimos para pequenos negócios.

Animados – Em sua maioria, as pessoas integradas no núcleo não conheciam o shiitake. No início, dizem, acharam um pouco difícil, mas agora estão adorando. “Meu sonho é continuar a produzir. Sei que não é para enriquecer, mas pode ser um sustento para a casa da gente”, disse a dona de casa Gedenalva Malta da Silva, 39 anos, separada, e preocupada em como criar o filho.

Sem trabalho há um ano, o pintor profissional Expedito Evaristo, 53 anos, também busca uma nova profissão. “No começo achei difícil, mas agora eu adoro vir aqui”, disse. “Nunca tinha ouvido falar nisso (shiitake). Minha esposa fazia curso de manicure da Prefeitura e eu entrei neste. Estou gostando muito, é fácil de aprender”, disse o ajudante de pedreiro Valdemar de Souza do Amor Divino, 35 anos, casado, pai de três filhos, também desempregado há três anos.

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