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Resultado da eleição de 2000 ainda incomoda os negros na Flórida


Da AFP

19/10/2004 | 11:28


Os estrategistas democratas tentam aproveitar a revolta da comunidade negra da Flórida pelo fiasco eleitoral de 2000 para convertê-la em determinação para evitar a reeleição do presidente americano, George W. Bush. Recentemente o reverendo Jesse Jackson, Al Sharpton e outros ativistas da comunidade negra americana viajaram para o Estado tentando mobilizar os eleitores em torno da candidatura do democrata John Kerry.

Como parte desse esforço pró Kerry, legisladores afro-americanos e celebridades iniciaram na quinta-feira passada uma viagem em um ônibus por várias cidades da Flórida para estimular a população negra a votar. A participação em massa da segunda minoria mais numerosa dos Estados Unidos pode ser crucial parao democrata, num ano em que a presidência pode ser decidida por algumas centenas de votos na Flórida, que desempenhou um papel chave e polêmico em 2000.

Os democratas têm um forte argumento entre a comunidade, onde ainda está viva a fúria pelo fiasco eleitoral há quatro anos. Esse é o caso de Riviera Beach, uma comunidade predominantemente negra na costa sudeste da Flórida, onde muitos residentes estão convencidos de que Bush roubou na eleição passada.

"Definitivamente vou votar, a última vez foi simplesmente um desastre", disse William Spencer, enquanto fritava um peixe em seu popular restaurante Island Seafood Kitchen. "Ainda estou furioso porque não contaram muitos votos", disse Spencer.

Muitos democratas sustentam que Bush derrotou injustamente seu adversário na época, o democrata Al Gore, quando a Corte Suprema suspendeu cinco semanas de batalhas legais e recontagens, levando o republicano à presidência com uma vantagem de 537 votos na Flórida. Milhares de votos não foram contabilizados, principalmente porque os eleitores acharam que as cédulas eleitorais eram confusas, e não as preencheram como deveriam. Em Riviera Beach, a poucos quilômetros das elegantes residências de Palm Beach, 16% das cédulas foram descartadas e várias pessoas acreditam que isso não foi uma casualidade.

"Estudos mostram que a comunidade afro-americana se sente mais privada de seus direitos do que outras minorias na Flórida", disse Susan MacManus, analista política da Universidade do Sul do Estado. A revolta também está ligada à lista de presos que, de acordo com a lei da Flórida, não podem votar - fato que prejudica a comunidade negra. Além disso, as regiões predominantemente negras tiveram mais máquinas eleitorais danificadas em 2000, na comparação com outros setores.

"Como temos um governador republicano (Jeb Bush, irmão do presidente Bush), uma legislatura estadual republicana e um controle republicano sobre as instituições estaduais e a maquinaria, creio que há algumas preocupações entre os afro-americanos de que as forças trabalharão contra seus desejos", disse Robert Jackson, analista político da Universidade do Estado da Flórida.

A grande questão é se tudo isso será suficiente para mobilizar os afro-americanos a votar ou, caso contrário, convencê-los de que não vale a pena fazer o esforço. O prefeito de Riviera Beach, Michael Brown, que apóia Kerry, é otimista sobre a participação eleitoral apesar da decepção provocada pelos fatos de 2000. "Estamos decepcionados, mas não chegamos a uma etapa de desilusão", disse Brown. "Nós, os afro-americanos, estamos acostumados a nadar contra a corrente. O sonho americano em raras ocasiões funcionou para nós ao longo do tempo", disse Brown, garantindo que Bush obterá poucos votos na comunidade nesta eleição.

Apesar de os republicanos na Flórida tentarem entrar na comunidade afro-americana de Riviera Beach, eles concentram seus esforços na busca dos judeus e latinos, que tradicionalmente apóiam os democratas. Numa recente atividade do vice-presidente Dick Cheney em Miami, havia apenas meia dúzia de negros entre cerca de 300 pessoas. Um deles, Mike Hatcher, 47 anos, disse que era difícil entender o motivo dessa situação. "Creio que a agenda republicana, coisas como a auto-suficiência econômica, é uma agenda bastante afro-americana. Os homens afro-americanos são tradicionalmente muito conservadores e é em grande parte uma comunidade baseada na religião", disse Hatcher.

Mas vários líderes religiosos em Riviera Beach, que têm estimulado os fiéis a irem às urnas no dia 2 de novembro, disseram que Kerry receberá um apoio esmagador de um povoado com cerca de 30 mil habitantes. "Digo que 99% de minha congregação é a favor da chapa Kerry-Edwards", disse o bispo Thomas Masters, da Igreja Batista Nova Macedônia.



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