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Bruno E vai para linha de frente


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

18/11/2004 | 11:09


Como produtor e comandante do selo SambaLoco, ele deu a principal força ao drum'n'bass brasileiro, colocando nas alturas nomes como os dos DJs Marky, Patife, Xerxes e Ramilson Maia. Agora, Bruno E empreende uma viagem de volta à própria essência, com o lançamento do disco Lovely Arthur (Trama, R$ 25 em média), um álbum de jazz com forte influência da música eletrônica. E ainda anuncia o início dos trabalhos por seu recém-criado selo, o Vida Nova.

"Se faço jazz hoje, meu pai é o responsável", afirma Bruno, que na infância encantava-se com os discos de jazzistas como Count Basie e Oscar Peterson. Mais tarde teria outro significativo contato com o jazz, feito por uma nova geração, com Coltrane, Charles Mingus e outros. Eles foram-lhe apresentados por colegas de república, logo que chegou a São Paulo vindo de sua cidade natal, Goiânia. "O jazz me marcou de uma forma que eu nunca esqueci", diz Bruno.

Foi pouco antes de mudar-se para Londres - onde viveu nos últimos cinco anos - que Bruno fez os primeiros esboços do que viria a ser este Lovely Arthur. Trabalhou com o Reason, compondo arranjos com instrumentos virtuais. Mas os ares londrinos, somados à sua experiência pessoal - casamento com a cantora Patrícia Marx e o nascimento do filho Arthur - mais a aproximação com o budismo o levaram a outro caminho artístico. "O disco veio como resposta para mim".

Com as composições em mãos, Bruno retornou ao Brasil e entrou em estúdio. Chamou uma equipe de feras e deu a eles a liberdade da improvisação, como reza a cartilha do jazz. "Cada músico acrescentou um pouco de si. Com o Márcio Negri (co-produtor) houve uma empatia grande, porque ambos apreciamos o avant-garde e o spiritual jazz".

Bruno reconhece que a música eletrônica tem forte influência neste trabalho. "O disco mantém a ambiência do jazz, mas é mais minimalista, tem repetições. Trabalho de forma eletrônica na construção, mas com uma instrumentação acústica", afirma.

Ele não tem a pretensão de revolucionar o gênero e tampouco de agradar aos mais ortodoxos apreciadores do jazz. Mas quer apontar caminhos. "Os ortodoxos talvez não gostem, mas não tenho o que esperar deles. Tento ser o mais contemporâneo possível, e isso demanda um certo choque. Se isso não ocorre, é porque alguma coisa está errada", diz.

Lovely Arthur é um lançamento prioritariamente dirigido ao público europeu. E Bruno E já foi tema de reportagens em veículos como Echoes, Jazzwise e Straight no Chaser (do Reino Unido) e Vibrations (França). O primeiro a elogiá-lo foi o DJ Gilles Peterson, em seu programa na rádio BBC 1 de Londres.

O próximo passo de Bruno será converter o trabalho de artistas nacionais - como Ed Motta, Patrícia Marx, Jairzinho e outros do cast da Trama - em discos no estilo que é a sensação em Londres, o Broken Beat. Tudo sairá pelo selo Vida Nova.



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Bruno E vai para linha de frente

Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

18/11/2004 | 11:09


Como produtor e comandante do selo SambaLoco, ele deu a principal força ao drum'n'bass brasileiro, colocando nas alturas nomes como os dos DJs Marky, Patife, Xerxes e Ramilson Maia. Agora, Bruno E empreende uma viagem de volta à própria essência, com o lançamento do disco Lovely Arthur (Trama, R$ 25 em média), um álbum de jazz com forte influência da música eletrônica. E ainda anuncia o início dos trabalhos por seu recém-criado selo, o Vida Nova.

"Se faço jazz hoje, meu pai é o responsável", afirma Bruno, que na infância encantava-se com os discos de jazzistas como Count Basie e Oscar Peterson. Mais tarde teria outro significativo contato com o jazz, feito por uma nova geração, com Coltrane, Charles Mingus e outros. Eles foram-lhe apresentados por colegas de república, logo que chegou a São Paulo vindo de sua cidade natal, Goiânia. "O jazz me marcou de uma forma que eu nunca esqueci", diz Bruno.

Foi pouco antes de mudar-se para Londres - onde viveu nos últimos cinco anos - que Bruno fez os primeiros esboços do que viria a ser este Lovely Arthur. Trabalhou com o Reason, compondo arranjos com instrumentos virtuais. Mas os ares londrinos, somados à sua experiência pessoal - casamento com a cantora Patrícia Marx e o nascimento do filho Arthur - mais a aproximação com o budismo o levaram a outro caminho artístico. "O disco veio como resposta para mim".

Com as composições em mãos, Bruno retornou ao Brasil e entrou em estúdio. Chamou uma equipe de feras e deu a eles a liberdade da improvisação, como reza a cartilha do jazz. "Cada músico acrescentou um pouco de si. Com o Márcio Negri (co-produtor) houve uma empatia grande, porque ambos apreciamos o avant-garde e o spiritual jazz".

Bruno reconhece que a música eletrônica tem forte influência neste trabalho. "O disco mantém a ambiência do jazz, mas é mais minimalista, tem repetições. Trabalho de forma eletrônica na construção, mas com uma instrumentação acústica", afirma.

Ele não tem a pretensão de revolucionar o gênero e tampouco de agradar aos mais ortodoxos apreciadores do jazz. Mas quer apontar caminhos. "Os ortodoxos talvez não gostem, mas não tenho o que esperar deles. Tento ser o mais contemporâneo possível, e isso demanda um certo choque. Se isso não ocorre, é porque alguma coisa está errada", diz.

Lovely Arthur é um lançamento prioritariamente dirigido ao público europeu. E Bruno E já foi tema de reportagens em veículos como Echoes, Jazzwise e Straight no Chaser (do Reino Unido) e Vibrations (França). O primeiro a elogiá-lo foi o DJ Gilles Peterson, em seu programa na rádio BBC 1 de Londres.

O próximo passo de Bruno será converter o trabalho de artistas nacionais - como Ed Motta, Patrícia Marx, Jairzinho e outros do cast da Trama - em discos no estilo que é a sensação em Londres, o Broken Beat. Tudo sairá pelo selo Vida Nova.

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