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O prazer do sabor

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Paciente internada em Sto.André teve de batalhar bastante para poder realizar o sonho de comer


Ana Beatriz Moço
Do Diário do Grande ABC

10/12/2020 | 07:00


A comerciante Cristina Pereira da Silva, 56 anos, teve de trabalhar durante 36 meses para poder voltar a realizar uma função simples para a maior parte dos seres humanos, que é o ato de comer. A 15 dias do Natal, o desejo de saborear um panetone foi concretizado ontem, com auxílio da fonoaudióloga Juliana Venites, responsável técnica na clínica Nobre Saúde, no Centro de Santo André, onde Cris, como gosta de ser chamada, está vivendo há dois anos.

Mas foi há pouco mais de cinco anos que a comerciante viu sua vida mudar completamente. Com a descoberta de um tumor benigno na medula, Cris precisou passar por duas cirurgias. Embora o tratamento no hospital de cuidados paliativos tenha iniciado há cerca de 24 meses, os problemas para comer vieram antes, diante de complicações da doença. O primeiro procedimento, em 2015, correu bem e ela pôde até passar uns dias no Canadá, conforme contou. “A segunda cirurgia, em 2018, me rendeu uma lesão na medula e perdi os movimentos do pescoço para baixo, a fala e a deglutição”, lembrou.

Após um mês de internação, a família optou por manter Cris no hospital de retaguarda, para que pudesse ter atendimento especializado e integrado. O caminho de lá para cá foi longo. A fonoaudióloga explicou que a disfagia, problema que acomete a deglutição, é um processo lento que, se não bem tratado, pode levar à morte.

A responsável técnica pela área contou que Cris voltou a falar depois de um ano de tratamento, já a alimentação foi retomada aos poucos, primeiro sentindo sabores por meio de gazes molhadas com café e suco de limão, passando por alimentos pastosos e chegando, recentemente, em comidas macias. “A Cris chegou para nós sem falar e não podendo comer. Hoje ela ainda se alimenta por sonda, mas já conseguimos liberar vasta lista de alimentos, que chamamos de dieta de conforto, para que ela tenha prazer também no paladar. Ela realiza essas alimentações com auxílio dos profissionais, duas vezes por semana”, explicou a profissional. “Por enquanto, a Cris ainda não pode comer grãos, tomar líquidos e ingerir alimentos que dependem de mais força para mastigação e deglutição.”

A profissional destacou que a paciente, depois de voltar a falar e comer, melhorou o humor e deixou de ter picos de tristeza. “Ela ainda fala bem baixinho, e precisa da ajuda da válvula (traqueotomia). Mas é outra mulher. As pessoas podem pensar até que dois anos é muito tempo, mas, para nós, a evolução dela foi muito significativa”, disse Juliana, contando que até quadros em tela Cris tem pintado, usando pincéis na boca.

Juliana disse que, embora seja motivo de comemorar, a retomada da alimentação vai além de valores nutricionais. “Comer e escolher o que se quer também trabalha a autonomia da pessoa. Além disso, o processo envolve o lado social”, pontuou, explicando que o trabalho do fonoaudiólogo – cujo dia foi celebrado ontem – vai além da comunicação. “As pessoas, muitas vezes, não sabem que o fonoaudiólogo não atua somente em problemas de fala e comunicação. Temos papel fundamental em distúrbios de deglutição, que é a disfagia”, completou.

Moradora do bairro Jardim Santa Rita, em Diadema, Cris não esconde a ansiedade pelo momento em que poderá, enfim, estar em casa. “Tenho dois filhos. O Cristiano, 34 anos, e a Thaís, 27. Eles estão buscando uma casa ou apartamento para alugar em Santo André para que eu possa me locomover com a cadeira (de rodas)”, contou Cris. Na clínica, ela e demais pacientes passam por atendimento fonoaudiológico, psicológico, fisioterapia e até musicoterapia. “Amo cantar, me deixa muito feliz”, disse Cris, cantando um trecho da música Fogo e Paixão, de Wando.

Tratamento pouco explorado no País

Os chamados cuidados paliativos (trabalho de terapia de transição e retaguarda), sistema muito conhecido nos Estados Unidos como hospices, ainda é menos explorado no Brasil. No Grande ABC, por exemplo, a única clínica que disponibiliza o atendimento é a Nobre Saúde. No entanto, o serviço é particular, e atende somente pacientes com convênio médico.

A unidade mantém atualmente 36 pacientes, que vão de casos mais severos aos leves, sendo que alguns precisam morar no endereço, já que não dispõem de condições físicas ou psicológicas para voltarem para suas residências, nem com home care (cuidados em casa); outros podem sair da clínica quando recuperados.

Um dos exemplos de pessoa que, em breve, poderá retornar ao lar é Cristina Pereira da Silva, 56, que está internada na unidade há dois anos, depois de sofrer lesões na medula devido a uma cirurgia para retirada de um tumor. Ontem, ela foi contemplada com café da manhã em que pôde esbanjar sua evolução no tratamento, já que está voltando, aos poucos, a comer alimentos sólidos.

VEJA REPORTAGEM DA DGABCTV



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O prazer do sabor

Paciente internada em Sto.André teve de batalhar bastante para poder realizar o sonho de comer

Ana Beatriz Moço
Do Diário do Grande ABC

10/12/2020 | 07:00


A comerciante Cristina Pereira da Silva, 56 anos, teve de trabalhar durante 36 meses para poder voltar a realizar uma função simples para a maior parte dos seres humanos, que é o ato de comer. A 15 dias do Natal, o desejo de saborear um panetone foi concretizado ontem, com auxílio da fonoaudióloga Juliana Venites, responsável técnica na clínica Nobre Saúde, no Centro de Santo André, onde Cris, como gosta de ser chamada, está vivendo há dois anos.

Mas foi há pouco mais de cinco anos que a comerciante viu sua vida mudar completamente. Com a descoberta de um tumor benigno na medula, Cris precisou passar por duas cirurgias. Embora o tratamento no hospital de cuidados paliativos tenha iniciado há cerca de 24 meses, os problemas para comer vieram antes, diante de complicações da doença. O primeiro procedimento, em 2015, correu bem e ela pôde até passar uns dias no Canadá, conforme contou. “A segunda cirurgia, em 2018, me rendeu uma lesão na medula e perdi os movimentos do pescoço para baixo, a fala e a deglutição”, lembrou.

Após um mês de internação, a família optou por manter Cris no hospital de retaguarda, para que pudesse ter atendimento especializado e integrado. O caminho de lá para cá foi longo. A fonoaudióloga explicou que a disfagia, problema que acomete a deglutição, é um processo lento que, se não bem tratado, pode levar à morte.

A responsável técnica pela área contou que Cris voltou a falar depois de um ano de tratamento, já a alimentação foi retomada aos poucos, primeiro sentindo sabores por meio de gazes molhadas com café e suco de limão, passando por alimentos pastosos e chegando, recentemente, em comidas macias. “A Cris chegou para nós sem falar e não podendo comer. Hoje ela ainda se alimenta por sonda, mas já conseguimos liberar vasta lista de alimentos, que chamamos de dieta de conforto, para que ela tenha prazer também no paladar. Ela realiza essas alimentações com auxílio dos profissionais, duas vezes por semana”, explicou a profissional. “Por enquanto, a Cris ainda não pode comer grãos, tomar líquidos e ingerir alimentos que dependem de mais força para mastigação e deglutição.”

A profissional destacou que a paciente, depois de voltar a falar e comer, melhorou o humor e deixou de ter picos de tristeza. “Ela ainda fala bem baixinho, e precisa da ajuda da válvula (traqueotomia). Mas é outra mulher. As pessoas podem pensar até que dois anos é muito tempo, mas, para nós, a evolução dela foi muito significativa”, disse Juliana, contando que até quadros em tela Cris tem pintado, usando pincéis na boca.

Juliana disse que, embora seja motivo de comemorar, a retomada da alimentação vai além de valores nutricionais. “Comer e escolher o que se quer também trabalha a autonomia da pessoa. Além disso, o processo envolve o lado social”, pontuou, explicando que o trabalho do fonoaudiólogo – cujo dia foi celebrado ontem – vai além da comunicação. “As pessoas, muitas vezes, não sabem que o fonoaudiólogo não atua somente em problemas de fala e comunicação. Temos papel fundamental em distúrbios de deglutição, que é a disfagia”, completou.

Moradora do bairro Jardim Santa Rita, em Diadema, Cris não esconde a ansiedade pelo momento em que poderá, enfim, estar em casa. “Tenho dois filhos. O Cristiano, 34 anos, e a Thaís, 27. Eles estão buscando uma casa ou apartamento para alugar em Santo André para que eu possa me locomover com a cadeira (de rodas)”, contou Cris. Na clínica, ela e demais pacientes passam por atendimento fonoaudiológico, psicológico, fisioterapia e até musicoterapia. “Amo cantar, me deixa muito feliz”, disse Cris, cantando um trecho da música Fogo e Paixão, de Wando.

Tratamento pouco explorado no País

Os chamados cuidados paliativos (trabalho de terapia de transição e retaguarda), sistema muito conhecido nos Estados Unidos como hospices, ainda é menos explorado no Brasil. No Grande ABC, por exemplo, a única clínica que disponibiliza o atendimento é a Nobre Saúde. No entanto, o serviço é particular, e atende somente pacientes com convênio médico.

A unidade mantém atualmente 36 pacientes, que vão de casos mais severos aos leves, sendo que alguns precisam morar no endereço, já que não dispõem de condições físicas ou psicológicas para voltarem para suas residências, nem com home care (cuidados em casa); outros podem sair da clínica quando recuperados.

Um dos exemplos de pessoa que, em breve, poderá retornar ao lar é Cristina Pereira da Silva, 56, que está internada na unidade há dois anos, depois de sofrer lesões na medula devido a uma cirurgia para retirada de um tumor. Ontem, ela foi contemplada com café da manhã em que pôde esbanjar sua evolução no tratamento, já que está voltando, aos poucos, a comer alimentos sólidos.

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