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Deficiente visual se torna DJ


Isis Mastromano Correia
Especial para o Diário

17/03/2007 | 18:13


A falta de visão não impediu que o analista de sistemas Anderson Farias, de São Caetano, realizasse o sonho de ser DJ. Cego desde os 9 anos, hoje, aos 28, ele forma junto com Roger Marques, também deficiente visual, a primeira dupla de DJs cegos do Brasil. “Bom, se você procurar na Internet as palavras DJ e cegos só aparece a gente”, brinca.

Anderson é autodidata, nunca fez nenhum curso para aprender a mexer em toda parafernalha necessária para discotecar. “O povo pergunta como consigo operar tanto botão, trocar as músicas. Eu digo que aprendi sozinho, escutando principalmente o DJ Iraí Campos que é um ícone para quem quer ser profissional. Eu não sabia as terminologias corretas do que eu estava fazendo, mas hoje sei que, na prática, estava tudo certo”, recorda.

Mas no começo da empreitada musical as dúvidas eram mais recorrentes do que as certezas. O caminho foi trilhado aos poucos. O primeiro incentivo partiu do próprio Anderson, que garantiu que um deficiente visual poderia, sim, atuar na área. “Ele me contou que conhecia um DJ em Londres que era cego e trabalhava normalmente”, diz Anderson.

Ele conta que outro DJ, Akeen, que também serviu de fonte inspiradora, deu aula de discotecagem para três alunos cegos, no entanto, não sabe dizer se algum deles prosseguiu na música.

Se engana quem pensa que o hobbie de Anderson se restringe aos quatro cantos de seu quarto, onde está guardada uma venerável coleção com mais de 500 discos de vinil, todos, caprichosamente catalogados em braille.

A dupla DJs Unidos fez algumas apresentações no Parque Chico Mendes e no Bosque do Povo, em São Caetano, além de discotecar em casas noturnas da Capital, aproveitando o revival musical dos anos 80.

"Ainda não consegui provar meu talento pela música. Fica sempre essa coisa de ser cego”, reclama o DJ.

No entanto, em 2006, Anderson teve uma prova de que essa concepção preconceituosa pode mudar. Os DJs Unidos comandaram um programa ao vivo, de 30 minutos, na rádio Energia FM. “Foi muito gratificante. Aquele horário é a maior audiência da emissora e os ouvintes não pararam de se corresponder com a gente”, diz.

O profissionalismo é tanto que Anderson aproveita a tecnologia para comprar músicas pela Internet e deixar os fãs da dance music atualizados. “Eu compro MP3 de sites estrangeiros e trago músicas que ainda não são conhecidas no Brasil”, revela.

A versatilidade também é o forte do DJ. “Toquei música clássica em um evento da professora Yolanda Ascencio, de São Caetano, que lecionou português e também perdeu a visão na infância.”

Hoje, os discos de vinil não são mais primordiais no trabalho do DJ. Com o CDJ, aparelho que veio para substituir o toca-discos, Anderson precisa apenas de sensibilidade, ouvidos treinados e um bom CD recheado de arquivos em MP3.

Até hoje, Anderson nunca recebeu pagamento pelo trabalho. Todos os aparelhos que teve foram comprados com bastante esforço. “Em 1994, conseguimos (a dupla) um emprego. Guardamos o salário para comprar nosso primeiro equipamento: um mixer e dois toca-discos.” Para conhecê-los, basta acessar www.djsunidos.mus.br.

 (Supervisão de Adriana Ferraz)



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Deficiente visual se torna DJ

Isis Mastromano Correia
Especial para o Diário

17/03/2007 | 18:13


A falta de visão não impediu que o analista de sistemas Anderson Farias, de São Caetano, realizasse o sonho de ser DJ. Cego desde os 9 anos, hoje, aos 28, ele forma junto com Roger Marques, também deficiente visual, a primeira dupla de DJs cegos do Brasil. “Bom, se você procurar na Internet as palavras DJ e cegos só aparece a gente”, brinca.

Anderson é autodidata, nunca fez nenhum curso para aprender a mexer em toda parafernalha necessária para discotecar. “O povo pergunta como consigo operar tanto botão, trocar as músicas. Eu digo que aprendi sozinho, escutando principalmente o DJ Iraí Campos que é um ícone para quem quer ser profissional. Eu não sabia as terminologias corretas do que eu estava fazendo, mas hoje sei que, na prática, estava tudo certo”, recorda.

Mas no começo da empreitada musical as dúvidas eram mais recorrentes do que as certezas. O caminho foi trilhado aos poucos. O primeiro incentivo partiu do próprio Anderson, que garantiu que um deficiente visual poderia, sim, atuar na área. “Ele me contou que conhecia um DJ em Londres que era cego e trabalhava normalmente”, diz Anderson.

Ele conta que outro DJ, Akeen, que também serviu de fonte inspiradora, deu aula de discotecagem para três alunos cegos, no entanto, não sabe dizer se algum deles prosseguiu na música.

Se engana quem pensa que o hobbie de Anderson se restringe aos quatro cantos de seu quarto, onde está guardada uma venerável coleção com mais de 500 discos de vinil, todos, caprichosamente catalogados em braille.

A dupla DJs Unidos fez algumas apresentações no Parque Chico Mendes e no Bosque do Povo, em São Caetano, além de discotecar em casas noturnas da Capital, aproveitando o revival musical dos anos 80.

"Ainda não consegui provar meu talento pela música. Fica sempre essa coisa de ser cego”, reclama o DJ.

No entanto, em 2006, Anderson teve uma prova de que essa concepção preconceituosa pode mudar. Os DJs Unidos comandaram um programa ao vivo, de 30 minutos, na rádio Energia FM. “Foi muito gratificante. Aquele horário é a maior audiência da emissora e os ouvintes não pararam de se corresponder com a gente”, diz.

O profissionalismo é tanto que Anderson aproveita a tecnologia para comprar músicas pela Internet e deixar os fãs da dance music atualizados. “Eu compro MP3 de sites estrangeiros e trago músicas que ainda não são conhecidas no Brasil”, revela.

A versatilidade também é o forte do DJ. “Toquei música clássica em um evento da professora Yolanda Ascencio, de São Caetano, que lecionou português e também perdeu a visão na infância.”

Hoje, os discos de vinil não são mais primordiais no trabalho do DJ. Com o CDJ, aparelho que veio para substituir o toca-discos, Anderson precisa apenas de sensibilidade, ouvidos treinados e um bom CD recheado de arquivos em MP3.

Até hoje, Anderson nunca recebeu pagamento pelo trabalho. Todos os aparelhos que teve foram comprados com bastante esforço. “Em 1994, conseguimos (a dupla) um emprego. Guardamos o salário para comprar nosso primeiro equipamento: um mixer e dois toca-discos.” Para conhecê-los, basta acessar www.djsunidos.mus.br.

 (Supervisão de Adriana Ferraz)

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