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Transplantada volta para casa e Ministério muda fila em 2006


Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

09/12/2005 | 08:10


Milagre, Deus, fé e planos. Essas foram as palavras mais utilizadas quinta-feira por Eliane Jimenes a moradora de São Bernardo triplamente transplantada (a primeira vez há 12 anos), ao receber alta do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Responsável – junto com o marido, o comerciante Vagner Jimenes – pela polêmica que suscitou discussões exaltadas sobre o critério para transplante de órgãos no país, Eliane chegou a ser desenganada pelos médicos há pouco mais de um mês, quando, após o transplante conseguido por meio de liminar da Justiça, enfrentou hemorragias e outras diversas intercorrências que agravaram seu estado de saúde. No transplante seguinte, a paciente que está com 39 anos reagiu e surpreendeu a todos com o processo de recuperação, creditada à equipe do médico Maurício Fernando de Almeida Barros, mas, principalmente à fé dela e do marido.

Agora, o Ministério da Saúde, em Brasília (DF), programa para meados de fevereiro a implantação do novo sistema que vai reger a fila do transplante de fígado. A assessoria de imprensa minimiza o impacto do caso Eliane na decisão – assunto que de fato vinha sendo discutido desde o ano passado pela câmara técnica responsável pelo tema, mas caminhava a passos lentos – e afirma que especulações relativas à implementação do modelo já em janeiro são infundadas.

Segundo o Ministério da Saúde, é preciso adequar sistemas de informática e treinar pessoal para que seja utilizada análise do estado de cada paciente pela fórmula matemática que definirá a gravidade dos casos.

Seja como for, a mudança do critério será uma vitória para muitos pacientes que fatalmente morreriam na espera. Vagner Jimenes lembra que, quando o estado de Eliane já era considerado gravíssimo, ela ocupava a colocação de número 635 na fila, o que poderia representar espera de dois anos e meio a três anos. Obviamente, a paciente não resistiria, como muitos não resistiram recentemente. No Estado de São Paulo, entre 1998 e 2004, inscreveram-se para receber o órgão 8.642 pessoas. Dessas, foram excluídas por óbitos nada menos que 2.623, ou seja, quase um terço dos pacientes.

Os dados são relativos a estudos da TransPática (Associação Brasileira de Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas), baseado em números da Saúde Estadual. Tais levantamentos revelam que o problema vem se agravando – em 1998, 168 pessoas morreram aguardando o lugar. Em 2004, esse número saltou para 603.

Vagner e Eliane Jimenes estão entre os fundadores da TransPática. “A associação não presta apenas serviços assistenciais. Trabalha lá em cima, em Brasília, com o objetivo de mudar a legislação e lutar por outras causas importantes”, explica Eliane, destacando o trabalho do presidente da entidade, Sidnei Moura Nehme. Duplamente transplantado (recebeu fígado e rim), ele apoiou a decisão da família Jimenes com relação ao processo na Justiça.

Pioneira – Eliane é a primeira paciente que conseguiu o transplante no Estado de São Paulo por meio de uma liminar. Outras pessoas tinham conseguido a autorização judicial, mas a Secretaria de Estado cassava as liminares antes que os pacientes pudessem ser operados. Nesse processo, destaca-se a batalha incansável do marido Vagner Jimenes, comerciante do ramo de automóveis no Grande ABC. “Fico lisonjeada pelo que ele fez por mim. Sempre tivemos um relacionamento muito bom, amigável. Mas, enquanto estive desacordada, não podia imaginar o trabalho que ele estava tendo. Sabia que ele teria muita garra, mas ele foi além”, disse Eliane quinta-feira, nas primeiras horas depois de chegar em casa, na Vila Mussolini, no bairro Rudge Ramos.

Eliane está muito animada com a nova vida, embora lembre que, pelo fato de ter uma doença auto-imune, está sujeita a recidivas. “Tomarei nesse período seis medicamentos, sendo que o imunosupressor deve ser administrado a vida toda. E terei de continuar a fisioterapia que comecei no hospital, para recuperar minha massa muscular”, conta.

Estudante universitária que cursava o último ano de Farmácia neste ano, ela afirma que vai participar da cerimônia de colação de grau, em janeiro, embora tenha de cursar três disciplinas no ano que vem para receber o certificado. “Vejo que Deus tinha um propósito para a minha vida. Acredito que foi um milagre, que nasci de novo.”



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Transplantada volta para casa e Ministério muda fila em 2006

Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

09/12/2005 | 08:10


Milagre, Deus, fé e planos. Essas foram as palavras mais utilizadas quinta-feira por Eliane Jimenes a moradora de São Bernardo triplamente transplantada (a primeira vez há 12 anos), ao receber alta do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Responsável – junto com o marido, o comerciante Vagner Jimenes – pela polêmica que suscitou discussões exaltadas sobre o critério para transplante de órgãos no país, Eliane chegou a ser desenganada pelos médicos há pouco mais de um mês, quando, após o transplante conseguido por meio de liminar da Justiça, enfrentou hemorragias e outras diversas intercorrências que agravaram seu estado de saúde. No transplante seguinte, a paciente que está com 39 anos reagiu e surpreendeu a todos com o processo de recuperação, creditada à equipe do médico Maurício Fernando de Almeida Barros, mas, principalmente à fé dela e do marido.

Agora, o Ministério da Saúde, em Brasília (DF), programa para meados de fevereiro a implantação do novo sistema que vai reger a fila do transplante de fígado. A assessoria de imprensa minimiza o impacto do caso Eliane na decisão – assunto que de fato vinha sendo discutido desde o ano passado pela câmara técnica responsável pelo tema, mas caminhava a passos lentos – e afirma que especulações relativas à implementação do modelo já em janeiro são infundadas.

Segundo o Ministério da Saúde, é preciso adequar sistemas de informática e treinar pessoal para que seja utilizada análise do estado de cada paciente pela fórmula matemática que definirá a gravidade dos casos.

Seja como for, a mudança do critério será uma vitória para muitos pacientes que fatalmente morreriam na espera. Vagner Jimenes lembra que, quando o estado de Eliane já era considerado gravíssimo, ela ocupava a colocação de número 635 na fila, o que poderia representar espera de dois anos e meio a três anos. Obviamente, a paciente não resistiria, como muitos não resistiram recentemente. No Estado de São Paulo, entre 1998 e 2004, inscreveram-se para receber o órgão 8.642 pessoas. Dessas, foram excluídas por óbitos nada menos que 2.623, ou seja, quase um terço dos pacientes.

Os dados são relativos a estudos da TransPática (Associação Brasileira de Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas), baseado em números da Saúde Estadual. Tais levantamentos revelam que o problema vem se agravando – em 1998, 168 pessoas morreram aguardando o lugar. Em 2004, esse número saltou para 603.

Vagner e Eliane Jimenes estão entre os fundadores da TransPática. “A associação não presta apenas serviços assistenciais. Trabalha lá em cima, em Brasília, com o objetivo de mudar a legislação e lutar por outras causas importantes”, explica Eliane, destacando o trabalho do presidente da entidade, Sidnei Moura Nehme. Duplamente transplantado (recebeu fígado e rim), ele apoiou a decisão da família Jimenes com relação ao processo na Justiça.

Pioneira – Eliane é a primeira paciente que conseguiu o transplante no Estado de São Paulo por meio de uma liminar. Outras pessoas tinham conseguido a autorização judicial, mas a Secretaria de Estado cassava as liminares antes que os pacientes pudessem ser operados. Nesse processo, destaca-se a batalha incansável do marido Vagner Jimenes, comerciante do ramo de automóveis no Grande ABC. “Fico lisonjeada pelo que ele fez por mim. Sempre tivemos um relacionamento muito bom, amigável. Mas, enquanto estive desacordada, não podia imaginar o trabalho que ele estava tendo. Sabia que ele teria muita garra, mas ele foi além”, disse Eliane quinta-feira, nas primeiras horas depois de chegar em casa, na Vila Mussolini, no bairro Rudge Ramos.

Eliane está muito animada com a nova vida, embora lembre que, pelo fato de ter uma doença auto-imune, está sujeita a recidivas. “Tomarei nesse período seis medicamentos, sendo que o imunosupressor deve ser administrado a vida toda. E terei de continuar a fisioterapia que comecei no hospital, para recuperar minha massa muscular”, conta.

Estudante universitária que cursava o último ano de Farmácia neste ano, ela afirma que vai participar da cerimônia de colação de grau, em janeiro, embora tenha de cursar três disciplinas no ano que vem para receber o certificado. “Vejo que Deus tinha um propósito para a minha vida. Acredito que foi um milagre, que nasci de novo.”

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