Cíntia Bortotto

A indústria 4.0


Estamos vivendo uma fase única na história. A indústria 4.0 é considerada a quarta revolução industrial. Trata-se de um conjunto de sistemas que permite o total controle do que acontece no chão de fábrica e isso é feito por meio de aparelhos avançados, de robôs, sensores, tecnologia de ponta no chão de fábrica ou em galpões onde se precisa ter controle do estoque, por exemplo. Refere-se a tudo que é vinculado à indústria.

Tráfico de robôs, o torque digital que pode ser usado para que o operário faça menos força para construir um carro ou caminhão, o rastreamento através de leitores digitais de cada peça de cada produto, inteligência artificial, big data, internet das coisas, impressoras 3D: tudo isso faz parte da indústria 4.0.

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Ela muda as organizações em vários sentidos. Em primeiro lugar, porque ela busca por tecnologia e substitui empregos perigosos por robôs, em atividades que antes eram feitas com mais risco por humano. Além disso, ela traz mais precisão e mais produtividade. Alguns estudos da Mckinsey apontam que, quando se começa e entrar no processo de indústria 4.0, o aumento de produtividade pode chegar a até 26%.

Ela também tem mudado a forma de trabalho. Para se trabalhar com tecnologia de ponta, muitas vezes você tem que trabalhar em times, colaboração, redes. Por isso, ela estimula os processos ágeis nas empresas.

A indústria 4.0 afeta diretamente a gestão das pessoas. Com muita tecnologia disponível, em geral não há tanta mão de obra que conheça. Então é necessário fazer uma gestão muito inspiradora para este público novo. E para você ganhar velocidade é necessário trabalhar em rede, em squads – times multidisciplinares –, onde se percebe muito rápido o que precisa ser feito e se consegue fazer entregas menores, pequenas. Com a aquisição de tecnologia de ponta, a criatividade, inovação tornam-se mais e mais diferenciadas.

Ela deve mudar a forma como o trabalho é concebido hoje, principalmente a forma como a indústria trabalha. Tem inteligência artificial que tenta simular o aprendizado do humano por conexões ou captura de imagens, a realidade mista, a internet das coisas. Por exemplo, aquela ideia que parecia impossível de buscar através da sua geladeira movimentar toda uma cadeia e chegar na indústria para fazer uma compra de algo que está faltando é algo bastante possível hoje.

Quando você junta tanto a tecnologia disponível, você tem a possibilidade, por exemplo, de criar robôs que trabalhem ao lado de humanos, algoritmos que substituem meses de trabalho. Com os drones, mapear estoque que um humano demoraria meses, é possível em horas. Vemos muitas tendências de tecnologia que, combinadas, a gente nem sabe ainda quantificar tudo que pode acontecer nos próximos tempos.

O agrobusiness vem usando muito a indústria 4.0, por exemplo, na biotecnologia. Exemplo é o mapeamento e o entendimento, por meio de sensores, de como o sol afeta a plantação, como potencializar os resultados. A medicina também, estudando o que a gente pode usar dentro do corpo com nanotecnologia para diminuir problemas de doenças graves.

Um desafio a este momento que o mundo vive é a educação especificamente aqui no Brasil. Precisamos formar pessoas capazes tanto de usar essas tecnologias como a juntá-las depois.


Cíntia Bortotto é consultora em RH, psicóloga pela PUC-SP, especialista em recursos humanos pela FGV, em dinâmicas de grupo pela Associação Brasileira de Dinâmicas de Grupo, com MBA em Gestão de Negócios, também pela FGV. Como executiva de sucesso, atuou em grandes empresas como Otis, Unilever e Bombril – www.cintiabortotto.com.br
 

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