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Misterioso ritual


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

05/04/2010 | 07:00


As histórias das animações sempre levaram o público a uma realidade irresistivelmente harmoniosa e infantil. É complicado pensar como esses personagens carismáticos poderiam sobreviver no mundo real. Imaginando um universo no qual as figuras dos desenhos vivem em meio à sociedade comum é que surge Três Dedos - Um Escândalo Animado (Gal Editora, 144 págs., R$ 39,90) e sua proposta completamente chocante e divertida.

Com texto e ilustrações do norte-americano Rich Koslowski, a graphic novel conta a história do cineasta Dizzy Walters, jovem do interior dos Estados Unidos que sonhava em trabalhar no mundo artístico de Hollywood. Durante fase conturbada, ele conhece lugar frequentado pelos animados, animais capazes de falar como qualquer pessoa.

O destino faz com que conheça de forma inesperada o rato Rickey Rat. O novo amigo tinha enorme talento e carisma, o que fez com que Walters apostasse em seu potencial para abrir o próprio estúdio e iniciar as filmagens de uma série de trabalhos estrelados pelo Rickey. O sucesso nos cinemas foi imediato e levou a dupla ao topo do show business.


Mas a inusitada trajetória da união entre um humano e um animado fez com que a indústria cinematográfica começasse a pôr em dúvida o êxito de seu trabalho. Outras produções do gênero, agora conhecidas como ‘animações', também foram lançadas, mas nenhuma era aceita pelo público se não fosse protagonizada por Rickey. Os questionamentos deram início a informações de que os novos atores animados estavam passando por misterioso ritual para tentar chegar ao estrelato e isso foi o início do declínio da carreira do ratinho astro.

O livro segue uma linha policial e documentarista. Fotos de arquivo, imagens exclusivas e relatos fazem com que os fatos sejam colocados à prova por figuras que estiveram envolvidas no escândalo que abalou o cinema entre as décadas de 1940 e 1950. As informações apresentadas levam até um desfecho - ou não - de uma das maiores lendas do mundo artístico.

O tom sério da HQ, publicada originalmente em 2001, nos faz esquecer por certos momentos que o tema abordado se refere a antigos desenhos animados. O estilo com o qual Koslowski trabalha surpreende o leitor pela abordagem inesperada. A publicação é recomendada para maiores de 16 anos.

Outro ponto acertado é a recriação de famosos ícones da cultura pop da pior forma possível. Não que os desenhos sejam ruins, mas dando a eles uma personalidade humana jamais esperada. Fica claro desde o começo que a brincadeira gira em torno do sucesso de Walt Disney (1901-1966) e seu império criado com a ajuda de Mickey Mouse. É impagável se deparar com as versões de Frangolino (Galonildo), Gaguinho (Engasguinho), Pernalonga (Pernalouca), Patolino (Patonildo) e Pluto (Júpiter), entre outros. Destaque para a união de universos da Disney e da Warner Bros., e a participação especial de astros como Marilyn Monroe.

Na medida em que as entrevistas ocorrem, o leitor fica cada vez mais atiçado em saber do que se trata o chamado ritual que tanto falam e alguns preferem nem fazer comentários. A revelação acontece ao longo das páginas e deixa clara a escolha do enigmático título Três Dedos. A engraçada explicação do início do livro parece meio perdida, mas se mostra muito pertinente quando tudo começa a ser explicado.

O declínio de um popstar como Mickey Mouse é algo impossível de se imaginar e por isso a HQ se torna tão interessante e única. Uma das críticas internacionais que estão estampadas na contracapa diz: "Três Dedos é o que teríamos se Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) fosse dirigido por Oliver Stone". Rich Koslowski acerta ao parodiar o divertido universo das animações como se fosse um caso policial.



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Misterioso ritual

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

05/04/2010 | 07:00


As histórias das animações sempre levaram o público a uma realidade irresistivelmente harmoniosa e infantil. É complicado pensar como esses personagens carismáticos poderiam sobreviver no mundo real. Imaginando um universo no qual as figuras dos desenhos vivem em meio à sociedade comum é que surge Três Dedos - Um Escândalo Animado (Gal Editora, 144 págs., R$ 39,90) e sua proposta completamente chocante e divertida.

Com texto e ilustrações do norte-americano Rich Koslowski, a graphic novel conta a história do cineasta Dizzy Walters, jovem do interior dos Estados Unidos que sonhava em trabalhar no mundo artístico de Hollywood. Durante fase conturbada, ele conhece lugar frequentado pelos animados, animais capazes de falar como qualquer pessoa.

O destino faz com que conheça de forma inesperada o rato Rickey Rat. O novo amigo tinha enorme talento e carisma, o que fez com que Walters apostasse em seu potencial para abrir o próprio estúdio e iniciar as filmagens de uma série de trabalhos estrelados pelo Rickey. O sucesso nos cinemas foi imediato e levou a dupla ao topo do show business.


Mas a inusitada trajetória da união entre um humano e um animado fez com que a indústria cinematográfica começasse a pôr em dúvida o êxito de seu trabalho. Outras produções do gênero, agora conhecidas como ‘animações', também foram lançadas, mas nenhuma era aceita pelo público se não fosse protagonizada por Rickey. Os questionamentos deram início a informações de que os novos atores animados estavam passando por misterioso ritual para tentar chegar ao estrelato e isso foi o início do declínio da carreira do ratinho astro.

O livro segue uma linha policial e documentarista. Fotos de arquivo, imagens exclusivas e relatos fazem com que os fatos sejam colocados à prova por figuras que estiveram envolvidas no escândalo que abalou o cinema entre as décadas de 1940 e 1950. As informações apresentadas levam até um desfecho - ou não - de uma das maiores lendas do mundo artístico.

O tom sério da HQ, publicada originalmente em 2001, nos faz esquecer por certos momentos que o tema abordado se refere a antigos desenhos animados. O estilo com o qual Koslowski trabalha surpreende o leitor pela abordagem inesperada. A publicação é recomendada para maiores de 16 anos.

Outro ponto acertado é a recriação de famosos ícones da cultura pop da pior forma possível. Não que os desenhos sejam ruins, mas dando a eles uma personalidade humana jamais esperada. Fica claro desde o começo que a brincadeira gira em torno do sucesso de Walt Disney (1901-1966) e seu império criado com a ajuda de Mickey Mouse. É impagável se deparar com as versões de Frangolino (Galonildo), Gaguinho (Engasguinho), Pernalonga (Pernalouca), Patolino (Patonildo) e Pluto (Júpiter), entre outros. Destaque para a união de universos da Disney e da Warner Bros., e a participação especial de astros como Marilyn Monroe.

Na medida em que as entrevistas ocorrem, o leitor fica cada vez mais atiçado em saber do que se trata o chamado ritual que tanto falam e alguns preferem nem fazer comentários. A revelação acontece ao longo das páginas e deixa clara a escolha do enigmático título Três Dedos. A engraçada explicação do início do livro parece meio perdida, mas se mostra muito pertinente quando tudo começa a ser explicado.

O declínio de um popstar como Mickey Mouse é algo impossível de se imaginar e por isso a HQ se torna tão interessante e única. Uma das críticas internacionais que estão estampadas na contracapa diz: "Três Dedos é o que teríamos se Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) fosse dirigido por Oliver Stone". Rich Koslowski acerta ao parodiar o divertido universo das animações como se fosse um caso policial.

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