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A canção sobrevive
ao tempo

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A cantora Joyce Moreno lança o disco 'Tudo',
seu primeiro álbum autoral inédito em dez anos


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

08/07/2013 | 07:00


Quando o milênio virou, Joyce Moreno não acreditava que o fim do mundo estava próximo, mas acreditava que aquela época marcava o fim da canção. Chico Buarque disse o mesmo alguns anos depois, o que, para ela, endossava sua opinião. "Acho que nos enganamos. O último disco dele (‘Chico', de 2011) é extremamente cancionista", diz Joyce.


Pois bem, nem o mundo, muito menos a canção. A compositora e cantora carioca acaba de lançar ‘Tudo' (Biscoito Fino, preço sob consulta), um disco que a seu ver é "deslavadamente cancionista". Primeiro trabalho completamente autoral desde ‘Banda Maluca', de 2003, o álbum foi lançado no mercado japonês e chegou ao Brasil depois de votação com o público.

Ela tinha duas cartas na manga: uma obra com canções sobre o Rio de Janeiro e ‘Tudo'. Como só podia lançar um, deixou o público escolher. O trabalho vitorioso, que ganhou de lavada, ainda veio provar que o interesse do público por novidades pode ser um alento para quem pensou que não haveria mais canção.

"Senti que as pessoas queriam materiais novos, mais recentes. Acho que se regrava muito, o acervo da MPB é grandioso, maravilhoso e lindo, sempre cabe uma leitura nova de maneira criativa, mas o importante é manter acesa a chama da criação. O dia em que não tiver pique para compor, vontade de pegar o violão, aí é que vou ficar triste", diz Joyce.

"Se você ligar o rádio hoje, pode pensar que a canção acabou. A canção é um mundo muito particular onde a letra e a música têm que encaixar, achava que era uma forma que não estava acontecendo mais, mas vai sempre haver espaço para a canção. É que, também, o século 20 foi a era de ouro do gênero, não sei se vai ser igual no século 21."

Além de trazer nova safra de inspirados temas de Joyce, ‘Tudo' ainda promove um passeio multigênero. Das 13 faixas, oito são de autoria dela. As outras quatro também, mas em parcerias com Paulo César Pinheiro, Zé Renato e Teresa Cristina. Samba, blues, bossa, Debussy (que inspira ‘Claude et Maurice'), MPB, o leque de influências que permeia as letras está aberto, é generoso e gigantesco.

"O buquê de canções foi se agrupando, não quis escolher por assunto, ritmo ou estilo, mas selecionar as minhas preferidas. Quando todas se agruparam, vi que tinha de um tudo."

Todos os temas são recentes, de uns dois anos antes do registro. Apesar de ter saído do outro lado do mundo primeiro, ela conta que fez o projeto para o Brasil. "Fiz para mim, pensando em lançar aqui, mas acontece que o mercado japonês tem muita pressa. Gravei por minha conta, disco independente, e o Japão foi o primeiro a dizer ‘eu quero'. Neste ano eles já estão reclamando que não tenho nada novo, lá há um público muito ávido por ter novos materiais meus."

Ainda inspirada, ela revela que lida melhor com sua porção musicista. "Para mim, a centelha de qualquer criação é sempre o violão, ele me dá a ideia e eu vou seguindo. A música vem por inspiração direta, o canal está sempre aberto. Aí vem a segunda metade, que é criar a letra, algo mais pensado, tem que ter certa ourivesaria."

A faixa homônima ao disco, na qual ela dá o veredito "tudo é uma canção", explora o infindável universo que a vida representa. Alegria, saudade, ilusão, perdão, tudo se junta ali. A prova de que, como para a vida, também para a canção, o segredo é estar aberto. "É uma música que fala de tolerância, sobre você aceitar o outro, entender que tudo é proposta, respeitar as opções e os gostos alheios. Coisas que não vemos em vários segmentos no País."



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