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Represa cheia reduz risco de faltar água no Grande ABC

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo assim, especialistas destacam que economizar deve ser preocupação constante


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

06/09/2019 | 07:00


A regularidade das chuvas fez com que o nível dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo esteja alto desde janeiro. Para se ter ideia, o Sistema Rio Grande, braço da Represa Billings e responsável pelo abastecimento de 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema, estava a 76,9% há um ano e, ontem, a 101%, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Ainda que a notícia seja boa e indique que a região não sofrerá com problemas de abastecimento nos próximos meses, especialistas orientam que a preocupação com a economia de água deve ser mantida.

“É um momento de comemoração, porém, a economia de água deve ser constante”, afirma Marta Marcondes, bióloga e professora de gestão ambiental da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). “As chuvas são responsáveis pelos números positivos, mas não podemos esquecer que os reservatórios só se mantêm por causa da preservação da área verde e manutenção das nascentes, o que não seria possível caso houvesse desmatamento desenfreado da área”, completa.

Bruno Garre, consultor ambiental e professor do curso de engenharia ambiental e sanitária da Universidade Metodista, explica que o índice pluviométrico e, consequentemente, o nível dos mananciais são cíclicos. “Na década de 1930, as variações climáticas estavam parecidas com as que estamos vivendo”, assinala. “Temos anos, como 2014 e 2015, que são muito quentes e secos e outros, que são mais úmidos, como é o caso de 2019, e a prova é a série de alagamentos que tivemos no primeiro semestre.”

Garre aponta, ainda, que outros fatores, como as ilhas de calor, também influenciam em chuvas isoladas. Exemplo é a construção do Piscinão do Paço Municipal de São Bernardo, que levou dois anos e meio. “É uma área com muito concreto e, com a grande movimentação de caminhões e o trânsito que ficou mais lento por causa da construção, a região ficou mais quente e aumentou a tendência de chuvas”, explica.

Porém, Marta Marcondes destaca que é preciso observar o volume de outros mananciais, uma vez que, caso haja escassez em outros locais, podem bombear água do Sistema Rio Grande. Isto é o que acontece com o reservatório Alto Tietê – cujo nível passou de 48,8% em 2018 para 90,7% em 2019 –, que abastece parcialmente Santo André e Mauá.

O nível do Sistema Rio Claro, que abastece 1,5 milhão de moradores de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, saltou de 49,1% para 102,8% em um ano. Responsável pelo abastecimento integral de São Caetano, o volume do Cantareira passou de 36,4% para 50,1% entre setembro do ano passado e ontem. “O Sistema Cantareira sempre é uma preocupação porque sua água vem de minas”, diz a especialista.

Segundo Garre, evitar nova crise hídrica depende do gerenciamento dos reservatórios. “Após a chuva, é necessário pensar como a drenagem está sendo feita. Cabe aos gestores se precaverem e terem reserva para atender à população em caso de seca.”



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Represa cheia reduz risco de faltar água no Grande ABC

Mesmo assim, especialistas destacam que economizar deve ser preocupação constante

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

06/09/2019 | 07:00


A regularidade das chuvas fez com que o nível dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo esteja alto desde janeiro. Para se ter ideia, o Sistema Rio Grande, braço da Represa Billings e responsável pelo abastecimento de 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema, estava a 76,9% há um ano e, ontem, a 101%, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Ainda que a notícia seja boa e indique que a região não sofrerá com problemas de abastecimento nos próximos meses, especialistas orientam que a preocupação com a economia de água deve ser mantida.

“É um momento de comemoração, porém, a economia de água deve ser constante”, afirma Marta Marcondes, bióloga e professora de gestão ambiental da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). “As chuvas são responsáveis pelos números positivos, mas não podemos esquecer que os reservatórios só se mantêm por causa da preservação da área verde e manutenção das nascentes, o que não seria possível caso houvesse desmatamento desenfreado da área”, completa.

Bruno Garre, consultor ambiental e professor do curso de engenharia ambiental e sanitária da Universidade Metodista, explica que o índice pluviométrico e, consequentemente, o nível dos mananciais são cíclicos. “Na década de 1930, as variações climáticas estavam parecidas com as que estamos vivendo”, assinala. “Temos anos, como 2014 e 2015, que são muito quentes e secos e outros, que são mais úmidos, como é o caso de 2019, e a prova é a série de alagamentos que tivemos no primeiro semestre.”

Garre aponta, ainda, que outros fatores, como as ilhas de calor, também influenciam em chuvas isoladas. Exemplo é a construção do Piscinão do Paço Municipal de São Bernardo, que levou dois anos e meio. “É uma área com muito concreto e, com a grande movimentação de caminhões e o trânsito que ficou mais lento por causa da construção, a região ficou mais quente e aumentou a tendência de chuvas”, explica.

Porém, Marta Marcondes destaca que é preciso observar o volume de outros mananciais, uma vez que, caso haja escassez em outros locais, podem bombear água do Sistema Rio Grande. Isto é o que acontece com o reservatório Alto Tietê – cujo nível passou de 48,8% em 2018 para 90,7% em 2019 –, que abastece parcialmente Santo André e Mauá.

O nível do Sistema Rio Claro, que abastece 1,5 milhão de moradores de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, saltou de 49,1% para 102,8% em um ano. Responsável pelo abastecimento integral de São Caetano, o volume do Cantareira passou de 36,4% para 50,1% entre setembro do ano passado e ontem. “O Sistema Cantareira sempre é uma preocupação porque sua água vem de minas”, diz a especialista.

Segundo Garre, evitar nova crise hídrica depende do gerenciamento dos reservatórios. “Após a chuva, é necessário pensar como a drenagem está sendo feita. Cabe aos gestores se precaverem e terem reserva para atender à população em caso de seca.”

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