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Panelaço contra Cristina mobiliza todo a Argentina

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Milhares de argentinos foram às ruas em cidades do país e do
exterior para protestar contra o governo de Cristina Kirchner



09/11/2012 | 01:26


Milhares de argentinos foram ontem às ruas em várias partes do país e em cidades do exterior para protestar contra o governo de Cristina Kirchner. Convocado pelas redes sociais, o panelaço exibiu demandas heterogêneas e um grande poder de mobilização. Sem a participação aparente dos partidos políticos, os manifestantes portaram inúmeros cartazes, e as bandeiras nacionais foram presença imponente. O hino nacional foi entoado em vários pontos do protesto nacional que reuniu dois milhões de pessoas em todo o país, conforme estimativas do governo da cidade de Buenos Aires. Somente na capital foram 700 mil manifestantes.

 

Os argentinos reivindicaram mais segurança, menos inflação, transparência das estatísticas oficiais, independência dos poderes, fim das barreiras contra as importações e pagamento aos aposentados, entre outros pedidos. Também se manifestaram contra a possibilidade de uma reforma constitucional que habilitaria Cristina a concorrer a um terceiro mandato. Esse foi o segundo panelaço contra a presidente nesse primeiro ano após sua reeleição esmagadora com 54% dos votos.

 

Imagem

 

As panelas soaram pelas ruas dos principais aglomerados urbanos do país em um contexto de queda da popularidade de Cristina e de medidas de forte intervenção na economia. Quando a presidente iniciou seu segundo mandato, em dezembro de 2011, desfrutava de 64% de imagem positiva. Agora, conta apenas com 31,6% de aprovação, conforme pesquisa realizada pela consultoria Management & Fit, em um universo de 2,1 mil pessoas, entre 18 e 29 de outubro.

 

Outra pesquisa, da consultoria Poliarquia, revelou que 66% da população acredita que a presidente perdeu o poder de iniciativa administrativa. Os manifestantes mobilizados pela capital federal, inclusive em frente à residência oficial de Olivos, onde a concentração foi enorme, também pediram liberdade de expressão, o fim do estilo bélico de Cristina, que divide a sociedade argentina, e que o governo não minta para a população.

 

A elevada inflação de 25%, conforme apuração dos institutos privados, corrói o poder aquisitivo dos argentinos em uma economia estancada, enquanto o governo afirma que a alta dos preços é de apenas 10%. Na quarta-feira, a capital enfrentou um apagão de quase três horas e vários bairros continuam sem eletricidade. Porém, em uma entrevista coletiva à imprensa, o ministro de Planejamento, Julio De Vido, negou uma crise energética que é apontada há anos por todos os especialistas do setor. De Vido também disse que não haveria mais interrupção do fornecimento de energia e anunciou que o governo vai denunciar a companhia de eletricidade. No entanto, desde 2005, cada vez que as temperaturas sobem acima de 30 graus, os apagões as acompanham.

 

Liberdade de imprensa

 

O protesto denominado de 8N (8 de novembro) foi precedido de outro panelaço, chamado de 13S (13 de setembro). Ambos fazem alusão à marca da última ofensiva do governo contra o Grupo Clarín: 7D (7 de dezembro). Nesta data, vence a medida cautelar que protege o grupo do cumprimento do artigo 161 da polêmica Lei de Mídia, aprovada no final de 2009, pelo qual o Clarín teria de vender vários ativos, especialmente o segmento mais rentável da holding multimídia, as emissoras de TV a cabo e outras concessões. A oposição denuncia que a lei é uma manobra para controlar o conteúdo dos meios de comunicação.

 

Após o massivo panelaço desta quinta-feira, o ritmo político da Argentina será marcado pela resposta do governo às reivindicações populares e ao que ocorrerá no dia 7 de dezembro. Há versões de que o governo vai decretar a intervenção no grupo que edita o jornal Clarín. Os advogados do grupo argumentam que não deverá acontecer nada, porque a empresa pode recorrer a um novo instrumento na Justiça para se proteger.

 

No último panelaço, o governo tentou deslegitimar o protesto, ao afirmar que se tratava de uma mobilização da classe média alta "lutando para manter privilégios" e de "grupos de monopólio". Desta vez, houve colunas inteiras de moradores da Zona Sul, a mais pobre de Buenos Aires, fazendo passeatas até a Praça de Maio.

 

Também houve panelaço em Lomas de Zamorra, reduto cativo dos planos sociais do governo. As passeatas e as concentrações nos cartões postais de Buenos Aires, o Obelisco e a Praça de Maio, além de locais de referência dos bairros portenhos, foram pacíficas. Apenas um incidente violento foi registrado pelas câmeras de TV, quando um jovem atacou um repórter que estava fazendo uma participação ao vivo em um programa do canal C5N, de tendência alinhada à Casa Rosada.



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