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Covas chama Calheiros de 'pivete' por suas acusaçoes


Do Diário do Grande ABC

20/09/1999 | 20:59


O governador de Sao Paulo, Mário Covas (PSDB), chamou nesta segunda-feira o ex-ministro da Justiça e senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de "pivete", em reposta às acusaçoes feitas por ele de que o tucano teria realizado "tráfico de influência" no Ministério da Justiça para beneficiar empresas ligadas a ele. "Eu tenho história, fui eleito pela primeira vez em 1962, e nao é um pivete desses que vai falar a meu respeito desse jeito", atacou Covas.

Irritado, o governador tucano ironizou as denúncias feitas por Calheiros e fez acusaçoes contra o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, aliado político dele. "Escuta aqui, eu vou dizer só uma coisa: eu sou governador de Sao Paulo; você acha que, se eu quisesse roubar, eu ia roubar no Ministério da Justiça?", afirmou. "Eu tenho todo o governo sob o meu controle, dezenas de empresas; se eu quissesse roubar, aqui, eu teria muito mais margem, lá (governo federal) é muito difícil para roubar porque a concorrência é muito grande." O governador participou nesta segunda-feira de uma das cerimônias do Yom Kippur, o Dia do Perdao judaico, no Clube A Hebraíca, na capital paulista.

Reportagem da revista "IstoÉ" desse fim de semana traz a publicaçao, na íntegra, da carta enviada pelo ex-ministro ao presidente, logo após ter sido demitido, em julho. No documento, Calheiros faz diversas acusaçoes contra o governador paulista.

Entre elas, o ex-ministro acusa o filho de Covas, Mário Covas Neto, conhecido como "Zuzinha", de ter participaçao indireta na empresa Tejofran, de propriedade de Antônio Dias Felipe, amigo e compadre de Covas. Essa empresa ganhou a licitaçao da Polícia Federal (PF) para a reformulaçao de passaportes brasileiros. Mas, segundo o ex-ministro, estava exigindo um reajuste no preço contratado. Calheiros anulou a concorrência, o que teria "aumentado a irritaçao do governador", segundo declaraçoes do senador.

O ex-ministro acusa também Covas de tê-lo pressionado para transferir aos Estados o serviço de inspeçao de veículos, atribuiçao que é federal. Segundo ele, o governador teria dito que haveria, no Estado, empresas interessadas em assumir esse serviço.

"Mas, afinal, esse cara nao era ministro da Justiça?; se eu estava praticando corrupçao, porque ele nao me pôs na cadeia como ministro da Justiça?", continuou o governador. "Junta aí mil pessoas, bota eu e ele numa sala e pergunta para essas mil pessoas qual dos dois é ladrao, para ver o que é que elas respondem", provocou Covas. "Eu sou sério por convicçao porque nasci assim, nao tem jeito, eu nao viro ladrao." O governador paulista negou ter feito tráfico de influência para beneficiar empresas no Estado, em relaçao à transferência da inspeçao de veículos. "Nao liguei pra ele nao, nao ligo para qualquer um", respondeu. "Nao falei com ele sobre esse assunto." Covas criticou também a forma como Calheiros tratou o filho dele. Na carta entregue ao presidente, o ex-ministro refere-se a ele como um "certo Zuzinha".

Segundo o governador, "ele (Renan), fala do meu filho como se estivesse falando do pai dele, quem ele pensa que ele é?" O governador defendeu também a empresa Tejofran. "O pobre coitado dessa empresa Tejofran vai pagar o resto da vida porque o dono da empresa foi padrinho do meu filho." Segundo ele, a Tejofran tinha apenas 20% de participaçao no contrato para a reformulaçao dos passaportes.

Na opiniao de Covas, Calheiros fez as acusaçoes porque o ex-presidente Fernando Collor de Mello - de quem o senador também foi ministro - quer ser candidato à Prefeitura de Sao Paulo. "Ele, hoje, debita-me o fato de ter saído do ministério; se eu consegui isso, eu prestei um grande favor ao País." O governador tucano acusou o senador de nao ter respondido a interpelaçao judicial para esclarecer o assunto. "Eu o interpelei na Justiça, e para ele nao ter de responder na Justiça, ele respondeu do microfone do Senado, onde ele tem imunidade", afirmou. "Eu quero discutir com ele onde ele quiser, mas eu quero igualdade de condiçoes."



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