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O novo circo

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gustavo Uribe
Especial para o Diário OnLine

08/12/2008 | 07:00


Eram 16h45 quando o apresentador do Circo Spacial subiu no picadeiro, no dia 16 de novembro, em São Bernardo. Trinta artistas fizeram parte de um show de duas horas, com direito a malabarismos de cair o queixo e rodopios no ar. Do outro lado dos holofotes, na platéia, poucos eram os que se divertiam. Com capacidade para quatro mil espectadores, a arquibancada não somava uma platéia de 50 pessoas. "Já faz 15 dias que eu percebi que o público se afastou do circo brutalmente. Acredito que seja a crise mundial", especula a dona do Espacial e especialista em marketing circense, Marlene Querubim. "Mas se formos comparar com 20 anos atrás, o número de espectadores realmente caiu muito", concluiu.

Não tão longe do toldo do Spacial, em um teatro na cidade de São Paulo, uma platéia de diferentes idades tomava a arquibancada do Tucarena, na PUC-SP, para assistir ao espetáculo "Jogando no Quintal". Com a entrada dos primeiros palhaços, desta vez em um palco, a platéia foi à loucura. "A união entre o teatro e o circo é uma tentativa de modificar a linguagem circense para que ela não caia no ostracismo", explica um dos atores do grupo, o palhaço Cláudio Tebas. "O que tem feito muito sucesso", completou.

Mania no circuito cultural paulistano, o flerte entre o circo e o teatro, conhecido como o "novo circo", tem preenchido as platéias antes vazias e dado sobrevida a ambas as artes. Só neste ano, mais de 30 grupos com essa proposta, oriundos de diversos países, aportaram no Brasil, movimentando um bilionário show business cultural avaliado em US$ 3 bilhões. A maior das companhias, a canadense Cirque du Soleil, ficou 10 meses em cartaz no país com um faturamento médio de R$ 130 milhões, dos quais R$ 60 milhões são frutos da arrecadação em bilheteria.

Na tentativa de ocupar um mercado do entretenimento que há tempos foi dado como morto, atores de teatro vêm, desde os anos 90, trazendo aos palcos as artes circenses. A união dos dois gêneros, algo já feito nos anos 60 - mas que na época não encontrou respaldo suficiente para se manter vivo -, é inspirada atualmente pelo sucesso do Cirque du Soleil . Esses artistas, cuja formação é teatral, pretendem romper com a linguagem dos circos de toldo para inserir uma cara mais moderna às atrações de picadeiro.

"Com os efeitos especiais da televisão e do cinema, as pessoas não se surpreendem mais com mágicas ou números antes espetaculares", conta Tebas. "É preciso introduzir características dos meios de comunicações modernos para que o público volte a freqüentar o circo."

De mesma opinião é o estudioso Rodrigo Matheus, presidente da Central do Circo e idealizador do grupo Circo Mínimo - um dos pioneiros em levar as atrações circenses aos palcos. "O cinema e a televisão fizeram com que as pessoas se acostumassem com a idéia de um enredo, de uma história a ser contada com começo, meio e fim", explica. "Quando as técnicas circenses são usadas em prol de uma narrativa teatral, a linguagem tem sido mais bem aceita pelo público", acrescentou.

E como tudo o que é bom se dispersa no ar, a tendência de unir os dois tipos de arte passou da exceção para se tornar maioria, encontrando cada vez mais adeptos. Segundo dados da CPT (Cooperativa Paulista de Teatro), das nove grandes companhias de circo que se apresentaram na Grande São Paulo entre 2007 e 2008, pelo menos cinco podiam ser classificadas no padrão de "novo circo".



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O novo circo

Gustavo Uribe
Especial para o Diário OnLine

08/12/2008 | 07:00


Eram 16h45 quando o apresentador do Circo Spacial subiu no picadeiro, no dia 16 de novembro, em São Bernardo. Trinta artistas fizeram parte de um show de duas horas, com direito a malabarismos de cair o queixo e rodopios no ar. Do outro lado dos holofotes, na platéia, poucos eram os que se divertiam. Com capacidade para quatro mil espectadores, a arquibancada não somava uma platéia de 50 pessoas. "Já faz 15 dias que eu percebi que o público se afastou do circo brutalmente. Acredito que seja a crise mundial", especula a dona do Espacial e especialista em marketing circense, Marlene Querubim. "Mas se formos comparar com 20 anos atrás, o número de espectadores realmente caiu muito", concluiu.

Não tão longe do toldo do Spacial, em um teatro na cidade de São Paulo, uma platéia de diferentes idades tomava a arquibancada do Tucarena, na PUC-SP, para assistir ao espetáculo "Jogando no Quintal". Com a entrada dos primeiros palhaços, desta vez em um palco, a platéia foi à loucura. "A união entre o teatro e o circo é uma tentativa de modificar a linguagem circense para que ela não caia no ostracismo", explica um dos atores do grupo, o palhaço Cláudio Tebas. "O que tem feito muito sucesso", completou.

Mania no circuito cultural paulistano, o flerte entre o circo e o teatro, conhecido como o "novo circo", tem preenchido as platéias antes vazias e dado sobrevida a ambas as artes. Só neste ano, mais de 30 grupos com essa proposta, oriundos de diversos países, aportaram no Brasil, movimentando um bilionário show business cultural avaliado em US$ 3 bilhões. A maior das companhias, a canadense Cirque du Soleil, ficou 10 meses em cartaz no país com um faturamento médio de R$ 130 milhões, dos quais R$ 60 milhões são frutos da arrecadação em bilheteria.

Na tentativa de ocupar um mercado do entretenimento que há tempos foi dado como morto, atores de teatro vêm, desde os anos 90, trazendo aos palcos as artes circenses. A união dos dois gêneros, algo já feito nos anos 60 - mas que na época não encontrou respaldo suficiente para se manter vivo -, é inspirada atualmente pelo sucesso do Cirque du Soleil . Esses artistas, cuja formação é teatral, pretendem romper com a linguagem dos circos de toldo para inserir uma cara mais moderna às atrações de picadeiro.

"Com os efeitos especiais da televisão e do cinema, as pessoas não se surpreendem mais com mágicas ou números antes espetaculares", conta Tebas. "É preciso introduzir características dos meios de comunicações modernos para que o público volte a freqüentar o circo."

De mesma opinião é o estudioso Rodrigo Matheus, presidente da Central do Circo e idealizador do grupo Circo Mínimo - um dos pioneiros em levar as atrações circenses aos palcos. "O cinema e a televisão fizeram com que as pessoas se acostumassem com a idéia de um enredo, de uma história a ser contada com começo, meio e fim", explica. "Quando as técnicas circenses são usadas em prol de uma narrativa teatral, a linguagem tem sido mais bem aceita pelo público", acrescentou.

E como tudo o que é bom se dispersa no ar, a tendência de unir os dois tipos de arte passou da exceção para se tornar maioria, encontrando cada vez mais adeptos. Segundo dados da CPT (Cooperativa Paulista de Teatro), das nove grandes companhias de circo que se apresentaram na Grande São Paulo entre 2007 e 2008, pelo menos cinco podiam ser classificadas no padrão de "novo circo".

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