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Programação cultural paga mico no Grande ABC


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

22/09/2001 | 16:21


Mico, no novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pode significar coisas como macacos de porte médio ou um sinônimo de diabo. No Houaiss, significa também situação embaraçosa, vexame. A expressão pagar mico, portanto, é passar vergonha, e pagar o mico é sofrer as conseqüências de alguma coisa.

Colocando cada macaco no seu galho, o que seria, então, um mico no Grande ABC? Há quem reclame da falta de eventos culturais de qualidade e há os que elogiam a programação e a descentralização de atividades. Nesse sentido, não há consenso. Um mico unânime entre os entrevistados pelo Diário é o projeto Nova Vera Cruz em sua longa indefinição sobre quando se tornará realidade em São Bernardo. Mas a Vera Cruz não paga esse mico sozinha.

Um mico atual – quase um clássico – é show na Concha Acústica da praça do Carmo, área central de Santo André, nas tardes de domingo. Lá se reúnem roqueiros jovens e veteranos em geral, um bom exemplo de espaço cultural que mantém uma programação regular. Mas isso só até soar o sino da Catedral do Carmo. Como fica atrás da igreja, a Concha tem de interromper shows na hora da missa. O grupo andreense Necromancia batiza os shows que faz por lá de “rock behind church”, ou “rock atrás da igreja”. “Às 18h, temos de parar de tocar de qualquer jeito, pois o padre começa a celebrar a missa”, disse Marcelo D’Castro, vocalista da banda.

Outro mico clássico é procurar o que fazer nas cidades da região após as 23h, porque são poucos lugares, bares entre eles, que ficam abertos depois desse horário. “Mico é ter de sair para outra cidade no fim de semana”, afirma Izabel Lima, atriz de Santo André. Ela aponta outro mico situado no centro de Santo André, o Cine Tangará: “Um grande espaço mal utilizado, que virou cinema pornô. Tanta coisa poderia ser feita ali”.

Entre os teatros, o Paulo Machado de Carvalho, em São Caetano, supera os demais da região com seus 1.122 assentos. Mas essa imensidão lotou só uma vez este ano, em 18 de agosto, com a peça Os Monólogos da Vagina e, no ano passado, em uma das muitas apresentações de Trair e Coçar... É Só Começar. E o Teatro Lauro Gomes, de São Bernardo, vazio neste domingo, durante a semana abrigou um curso de fotografia.

O Cine-Teatro Carlos Gomes é citado pela ausência de qualidade na programação. “Nele, já assisti filmes da Mostra Internacional de São Paulo simultaneamente com o evento em São Paulo. Hoje, não passa nada de qualidade”, diz Sergio Guerini, fotógrafo e artista plástico andreense. Com 700 lugares, é um dos maiores espaços culturais no centro de Santo André, atualmente sem nada programado. Antes, exibiu durante pouco mais de um mês a comédia nacional Ed Mort, de Alain Fresnot, cuja cópia foi doada ao acervo do cinema.



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