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Estudo: alimentação indevida do funcionário induz acidentes


Niceia de Freitas
Do Diário do Grande ABC

19/06/2004 | 18:09


O Seconci (Serviço Social da Indústria da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo) divulga no final deste mês uma pesquisa sobre a condição da alimentação do trabalhador da construção civil. Dados preliminares indicam que o operário mal-alimentado é mais suscetível a acidentes de trabalho. Segundo o Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil), o número de acidentes com ferimentos leves aumentou em 2003 – foram 2.848 contra 1.731 ocorridos em 2002. Acidentes com seqüelas no mesmo período foram 295 contra 33. Apesar desse aumento, o balanço do sindicato aponta que o total de acidentes era bem maior há quase dez anos. Em 1995, aconteceram 39,6 mil acidentes com ferimentos leves e 800 com seqüelas.

Segundo o Sintracon, o maior pico dos acidentes aconteceu entre 1995 e 1999, principalmente entre 9h e 11h, porque os trabalhadores não se alimentavam no período da manhã. Após negociação em convenção coletiva, as empresas passaram a fornecer a alimentação matinal, iniciativa que possibilitou a queda no número de acidentes. Em 1999, foram 16,3 mil acidentes com ferimentos leves e 212 com seqüelas, contra 11,4 mil e 201, respectivamente, em 2000.

Apesar da redução, o número de acidentes ainda se mantém e um dos principais motivos continua sendo a alimentação inadequada. Segundo a nutricionista do Seconci, Andréa Rogick, a pesquisa da entidade pretende conhecer o estado nutricional dos operários e, após identificar o resultado, propor mudanças aos empresários do setor e, conseqüentemente, inserir a indústria da construção nas atuais tendências globalizadas de agregar qualidade de vida aos seus colaboradores.

Dados antecipados da pesquisa mostram alguns erros que os trabalhadores cometem como não tomar café da manhã, não realizar lanches intermediários (manhã/tarde), não consumir frutas, verduras e legumes, não beber água, alimentar-se em excesso no almoço e no jantar e a ingestão de frituras e alimentos gordurosos. “As conseqüências de uma alimentação errada são fadiga, falta de concentração, sonolência com possível baixa de produtividade e acidentes de trabalho”, afirma Andréa.

Em contrapartida, uma alimentação adequada contribui para um melhor desempenho profissional e conseqüente redução do absenteísmo. “Ao traçarmos um diagnóstico do estado nutricional dos trabalhadores do setor, vamos poder identificar os erros mais freqüentes e fazer intervenções que possam ajudar a prevenir doenças como obesidade, hipertensão, anemia e níveis altos de colesterol e triglicérides.”

A pesquisa do Seconci analisou 200 trabalhadores da indústria da construção, filiados à entidade, com idade entre 19 e 45 anos, casados, não-portadores de doenças crônicas. Os ope-rários foram submetidos a avaliações antropométrica (se está obeso ou desnutrido), de pressão arterial, da ingestão alimentar de quatro dias consecutivos e laboratorial.

Orientação – Segundo o Sintracon e o SindusCon-ABC (Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo), as empresas já começaram a desenvolver um trabalho de proteção de acidentes, treinamento, orientação e qualificação dos trabalhadores. De acordo com Ricardo Di Folco, diretor regional do Sinduscon, as 34 empresas associadas da entidade na região têm a disposição um programa de treinamento, por meio de uma parceira da entidade com o Senai. No entanto, esse recurso ainda não é bem utilizado e há sobra de vagas.

A Tecnisa Engenharia, de São Paulo, realiza cursos para os operários entre 55 e 80 horas e aborda todos os temas relacionados no dia-a-dia da obra. Os instrutores são profissionais voluntários, encarregados, engenheiros e estagiários. Segundo o engenheiro da Tecnisa, Roberto Pastor Júnior, em maio passado foram entregues certificados de conclusão para 170 funcionários que participaram de cursos que começaram em outubro do ano passado. “A iniciativa motiva e qualifica o funcionário”, afirma.



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Estudo: alimentação indevida do funcionário induz acidentes

Niceia de Freitas
Do Diário do Grande ABC

19/06/2004 | 18:09


O Seconci (Serviço Social da Indústria da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo) divulga no final deste mês uma pesquisa sobre a condição da alimentação do trabalhador da construção civil. Dados preliminares indicam que o operário mal-alimentado é mais suscetível a acidentes de trabalho. Segundo o Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil), o número de acidentes com ferimentos leves aumentou em 2003 – foram 2.848 contra 1.731 ocorridos em 2002. Acidentes com seqüelas no mesmo período foram 295 contra 33. Apesar desse aumento, o balanço do sindicato aponta que o total de acidentes era bem maior há quase dez anos. Em 1995, aconteceram 39,6 mil acidentes com ferimentos leves e 800 com seqüelas.

Segundo o Sintracon, o maior pico dos acidentes aconteceu entre 1995 e 1999, principalmente entre 9h e 11h, porque os trabalhadores não se alimentavam no período da manhã. Após negociação em convenção coletiva, as empresas passaram a fornecer a alimentação matinal, iniciativa que possibilitou a queda no número de acidentes. Em 1999, foram 16,3 mil acidentes com ferimentos leves e 212 com seqüelas, contra 11,4 mil e 201, respectivamente, em 2000.

Apesar da redução, o número de acidentes ainda se mantém e um dos principais motivos continua sendo a alimentação inadequada. Segundo a nutricionista do Seconci, Andréa Rogick, a pesquisa da entidade pretende conhecer o estado nutricional dos operários e, após identificar o resultado, propor mudanças aos empresários do setor e, conseqüentemente, inserir a indústria da construção nas atuais tendências globalizadas de agregar qualidade de vida aos seus colaboradores.

Dados antecipados da pesquisa mostram alguns erros que os trabalhadores cometem como não tomar café da manhã, não realizar lanches intermediários (manhã/tarde), não consumir frutas, verduras e legumes, não beber água, alimentar-se em excesso no almoço e no jantar e a ingestão de frituras e alimentos gordurosos. “As conseqüências de uma alimentação errada são fadiga, falta de concentração, sonolência com possível baixa de produtividade e acidentes de trabalho”, afirma Andréa.

Em contrapartida, uma alimentação adequada contribui para um melhor desempenho profissional e conseqüente redução do absenteísmo. “Ao traçarmos um diagnóstico do estado nutricional dos trabalhadores do setor, vamos poder identificar os erros mais freqüentes e fazer intervenções que possam ajudar a prevenir doenças como obesidade, hipertensão, anemia e níveis altos de colesterol e triglicérides.”

A pesquisa do Seconci analisou 200 trabalhadores da indústria da construção, filiados à entidade, com idade entre 19 e 45 anos, casados, não-portadores de doenças crônicas. Os ope-rários foram submetidos a avaliações antropométrica (se está obeso ou desnutrido), de pressão arterial, da ingestão alimentar de quatro dias consecutivos e laboratorial.

Orientação – Segundo o Sintracon e o SindusCon-ABC (Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo), as empresas já começaram a desenvolver um trabalho de proteção de acidentes, treinamento, orientação e qualificação dos trabalhadores. De acordo com Ricardo Di Folco, diretor regional do Sinduscon, as 34 empresas associadas da entidade na região têm a disposição um programa de treinamento, por meio de uma parceira da entidade com o Senai. No entanto, esse recurso ainda não é bem utilizado e há sobra de vagas.

A Tecnisa Engenharia, de São Paulo, realiza cursos para os operários entre 55 e 80 horas e aborda todos os temas relacionados no dia-a-dia da obra. Os instrutores são profissionais voluntários, encarregados, engenheiros e estagiários. Segundo o engenheiro da Tecnisa, Roberto Pastor Júnior, em maio passado foram entregues certificados de conclusão para 170 funcionários que participaram de cursos que começaram em outubro do ano passado. “A iniciativa motiva e qualifica o funcionário”, afirma.

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