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Sem 'gato', conta de luz seria até 5% mais barata


Alexandre Melo
Do Diário do Grande ABC

22/03/2010 | 07:00


Não fossem os prejuízos que as distribuidoras têm com desvio ilegal de energia elétrica, a conta mensal dos brasileiros seria até 5% mais baixa. De acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União), as empresas do setor amargam prejuízo anual de R$ 10 bilhões por conta dos chamados gatos, ou perdas comerciais.

Diante desse cenário, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) determinou às operadoras - como a AES Eletropaulo, que atende a 16,5 milhões de clientes no Estado de São Paulo, entre eles os do Grande ABC - a criação de plano de combate às perdas, pois só assim o repasse do prejuízo ao consumidor pode ser menor com o passar dos anos.

As perdas da Eletropaulo somam anualmente a quantia de R$ 422 milhões. Segundo o gerente de novos mercados José Luiz Cavaretti, até setembro a empresa comprou 46.448 GWh (gigawatt-hora), sendo que 1,8% deste total (846 GWh ou o equivalente a R$ 209 milhões) foi perdido em função de fraudes no sistema de medição e outros 2% (928 GWh ou R$ 233 milhões) desperdiçados por ligações informais em favelas.

Para combater números como esses, a distribuidora paulista utiliza em certas localidades da Capital medidores eletrônicos nas entradas das comunidades. "Com esse sistema poderemos adotar um modelo de energia elétrica pré-paga, assim como no celular. A Aneel autorizou alguns pilotos", diz Cavaretti.

A expectativa é que, no próximo ano, a companhia traga para a região a tecnologia de medição eletrônica externa em favelas. Já o sistema pré-pago será ideal para clientes residenciais ou comerciais com histórico de inadimplência.

"Ao contrário do que se pensa, famílias de classe média e estabelecimentos comerciais e indústrias também cometem fraudes", afirma. Para aqueles que fazem ligações clandestinas por não terem condições financeiras e sociais, a Eletropaulo criou programa de regularização, que em 2008 atendeu a 56.792 casas.

Projeto - A Elucid Solutions, empresa nacional de TI (Tecnologia da Informação) desenvolve para a AES Eletropaulo e outras concessionárias no País projetos de medições eletrônicas e de energia pré-paga.

A proposta do presidente da companhia, Michael Wimert, é que consumidores de baixa renda recebessem gratuitamente 50 megawatt-hora por mês. Ao exceder esse limite, o cliente faria a recarga para ter a energia restabelecida.

"Grande parte da população brasileira não tem condições de pagar nem ao menos R$ 10 pelo consumo de energia e é forçada a entrar na ilegalidade", afirma.

Em época de Copa do Mundo o consumo de energia cresce, pois as famílias assistem mais televisão e colocam mais bebidas na geladeira. Dispondo de R$ 10 poderiam ter energia extra garantida, exemplifica Wimert.

Ele crê que os serviços de medição eletrônica e compra de energia pré-paga pelo consumidor podem ganhar força a partir de 2013, mas a maturidade do projeto viria somente a longo prazo. "Também é preciso vontade política para viabilizar iniciativas como estas", complementa.

Operadoras de TV a cabo perdem cerca de R$ 500 milhões
Parte dos usuários ilegais de TV a cabo justifica que a motivação para fazer ligação clandestina é o alto preço das mensalidades. O Seta (Sindicato das Empresas de TV por Assinatura) estima que existam 500 mil consumidores ilegais do serviço no País, que geram perdas de R$ 500 milhões.

Balanço da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) referente a 2009 contabiliza 7,4 milhões de domicílios com TV por assinatura. O presidente do Seta, Antônio Salles, critica que o furto de sinal é um "crime socialmente aceito e as leis são insuficientes para coibir os infratores".

Segundo o Seta, existem quatro tipos de furto: quando o usuário conecta-se de forma amadora às redes existentes; quando existe uma central em edifícios por conta de assinaturas de alguns moradores e os demais se aproveitam disso; pelo cabeamento em centrais clandestinas como favelas e por receptores via satélite que aproveitam brechas nos sistemas de segurança das operadoras.

O gerente de operações da Net no Grande ABC, Marcos Carranza, afirma que desde o ano passado a empresa está com forte trabalho de repressão às fraudes na região. "O problema acontece com usuários da classe A até a D", salienta Carranza. Sem esse prejuízo, ele afirma que as assinaturas seriam mais baratas. O Seta projeta que a redução dos custos para empresas seria de 10%.

Serviço atinge pior nível desde as privatizações
Os recentes problemas nas redes de transmissão e distribuição levaram os indicadores de qualidade do serviço de energia aos piores níveis desde as privatizações.

Em alguns locais, dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que os índices estão próximos aos patamares verificados quando o setor era predominantemente estatal. As concessionárias negam que haja falta de investimentos e culpam as fortes chuvas deste verão como a principal causa dos pequenos ‘apagões'.

Só que, a partir de 2010, a piora do serviço terá impacto econômico para as empresas, que deverão conceder descontos na tarifa para compensar os blecautes.

Segundo informações da Aneel, a duração das interrupções do fornecimento de energia somou 18 horas em janeiro de 2010 no consolidado para todo o Brasil, o patamar mais elevado desde dezembro de 1999, quando fechou em 20 horas. No Sudeste, região que mais tem sofrido com os blecautes, o desempenho é semelhante. Em janeiro de 2010, as interrupções do fornecimento duraram 13 horas, o nível mais alto desde dezembro de 1999, que foi de 14 horas.

A tendência é de um ligeiro aumento nos indicadores com os problemas na rede em fevereiro e março. Os dados do regulador mostram uma expressiva piora na qualidade do serviço de energia em importantes áreas de concessão.

A líder no ranking hoje é a AES Eletropaulo, que registra aumento de 78% na duração das interrupções no fornecimento na comparação entre os índices de janeiro de 2010 e janeiro de 2009. Em segundo lugar está a Ampla (RJ), que apresentou incremento de 62% na duração das interrupções no período. Em terceiro está a Light (RJ), com expansão de 45%. Isso explica a piora nos indicadores do serviço na região Sudeste.

Os índices da AES Eletropaulo são emblemáticos do cenário atual. A concessionária, que atende a 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, inclusive a Capital, fechou janeiro de 2010 com duração das interrupções de 17 horas, pouco inferior às 19 horas apuradas em dezembro de 1998, ano em que foi adquirida por um grupo de investidores, entre eles a atual controladora AES Corporation.

A distribuidora foi uma das mais afetadas pela queda de árvores sobre a rede, mas também experimentou dificuldades técnicas, como o incêndio de um transformador em uma subestação e problemas na rede subterrânea no centro de São Paulo.

Apesar dos investimentos crescentes, reconhecidos pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), teoricamente, a qualidade do serviço deveria ser melhor. "Mas não é o que está acontecendo", diz o superintendente da Arsesp, Moacyr de Oliveira. (Da AE)

Para empresas, condição climática prejudica atendimento
Os problemas deste começo de ano mostram que as concessionárias não estavam preparadas para as condições climáticas tão adversas do verão 2009/2010, como reconhece o diretor de relações institucionais da Ampla, André Moragas. "Os investimentos eram compatíveis para o cenário da média histórica. Mas o que foi feito não é adequado para as condições deste verão", afirma o executivo.

Por conta disso, a distribuidora planeja investir R$ 200 milhões na qualidade do serviço, entre 15% e 20% a mais do que o programado inicialmente para 2010. Na Light, o forte calor registrado neste verão elevou substancialmente a demanda por energia em sua área de concessão, ficando o consumo próximo do limite da capacidade de distribuição da rede. "Há várias causas que provocam uma interrupção no fornecimento. Mas quando estamos no limite da capacidade, o sistema admite menos falhas", justifica o coordenador operacional da Light, José Márcio Ribeiro. (Da AE)



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