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Famílias de pedreiros
saem da pobreza


Alexandre Melo
Do Diário do Grande ABC

04/09/2011 | 07:00


O aquecimento econômico beneficiou as famílias brasileiras com trabalhadores que atuam na construção civil. De 2003 a 2009, o índice de pobreza entre os prestadores de serviço desse setor caiu 50%, aponta o professor da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri. Segundo o economista, o cenário brasileiro é bem diferente da Rússia, Índia ou China, onde a desigualdade de renda não diminuiu.

Neri pontua que a construção é um ramo em que a maioria dos trabalhadores são chefes de família (62,5%), os principais provedores de renda nos domicílios. E essas famílias subiram de vida nos últimos anos. Em 1996, 51,28% estavam nas classes D ou E (com renda mensal inferior a R$ 1.100), mas em 2009, esse número foi reduzido para 36,2%. Já o contingente de pessoas na classe C foi de 43,98% para 57,94% no mesmo período.

CAPACITAÇÃO - A questão central é que houve uma mudança no pensamento e na situação dos trabalhadores do setor. A elevação do nível de educação das famílias da construção civil está provocando escassez na mão de obra. “O jovem de origem humilde que passou a estudar nos últimos 20 anos não quer o trabalho braçal realizado nos canteiros de obras, ou seja, se a educação melhorar, este problema irá se agravar”, ressalta o economista.

Dos trabalhadores que atuam nos canteiros de obras, apenas 17,8% frequentaram cursos de capacitação profissional. A cada três profissionais, dois se mantêm no setor e por este motivo a qualificação é uma oportunidade de baixar a rotatividade da mão de obra da construção e atrair cada vez mais trabalhadores.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, Sergio Watanabe, nos últimos sete anos o setor contratou mais de 1,5 milhão de trabalhadores, alcançando a marca de 3 milhões de profissionais ativos neste ano.

O vice-presidente de relações capital-trabalho do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa, defende que a qualificação é necessária não apenas para os iniciantes, mas também para os engenheiros, mestres e encarregados de obras. “Eles que vão liderar a introdução das novas técnicas construtivas, mais industrializadas.”

GRANDE ABC - Na região, o ramo da construção contratou 1.835 pessoas nos últimos 12 meses, alta de 4,02%, mesmo com a desaceleração provocada pelas medidas econômicas do governo para encarecer o crédito e combater a alta dos preços.

Pesquisa feita pelo SindusCon-SP a pedido do Diário contabilizou 47.495 empregados. Para a diretora adjunta da regional da entidade, Rosana Carnevalli, mesmo com a realidade econômica atual, o setor mantém seu vigor para gerar empregos.

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Formalização no setor da construção avança em 13 anos

Estudo realizado pela FGV identificou que o ramo da construção segue lentamente o caminho da formalização. Dados coletados pelo economista Marcelo Neri mostram que em 1996 somente 32,7% dos trabalhadores contribuíam para a Previdência Social. Em 2009, esse número aumentou para 37,4%.

Quando a comparação é realizada com 2003, a evolução é mais expressiva, pois naquele ano a taxa de contribuição previdenciária oficial foi de 28,7%. O levantamento realizado para o SindusCon aponta também que a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas beneficiou o processo de formalização.

Outra constatação é que no setor ainda é predominantemente formado por nanoempresários, que trabalham por conta própria sem qualquer incentivo do governo.



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Famílias de pedreiros
saem da pobreza

Alexandre Melo
Do Diário do Grande ABC

04/09/2011 | 07:00


O aquecimento econômico beneficiou as famílias brasileiras com trabalhadores que atuam na construção civil. De 2003 a 2009, o índice de pobreza entre os prestadores de serviço desse setor caiu 50%, aponta o professor da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri. Segundo o economista, o cenário brasileiro é bem diferente da Rússia, Índia ou China, onde a desigualdade de renda não diminuiu.

Neri pontua que a construção é um ramo em que a maioria dos trabalhadores são chefes de família (62,5%), os principais provedores de renda nos domicílios. E essas famílias subiram de vida nos últimos anos. Em 1996, 51,28% estavam nas classes D ou E (com renda mensal inferior a R$ 1.100), mas em 2009, esse número foi reduzido para 36,2%. Já o contingente de pessoas na classe C foi de 43,98% para 57,94% no mesmo período.

CAPACITAÇÃO - A questão central é que houve uma mudança no pensamento e na situação dos trabalhadores do setor. A elevação do nível de educação das famílias da construção civil está provocando escassez na mão de obra. “O jovem de origem humilde que passou a estudar nos últimos 20 anos não quer o trabalho braçal realizado nos canteiros de obras, ou seja, se a educação melhorar, este problema irá se agravar”, ressalta o economista.

Dos trabalhadores que atuam nos canteiros de obras, apenas 17,8% frequentaram cursos de capacitação profissional. A cada três profissionais, dois se mantêm no setor e por este motivo a qualificação é uma oportunidade de baixar a rotatividade da mão de obra da construção e atrair cada vez mais trabalhadores.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, Sergio Watanabe, nos últimos sete anos o setor contratou mais de 1,5 milhão de trabalhadores, alcançando a marca de 3 milhões de profissionais ativos neste ano.

O vice-presidente de relações capital-trabalho do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa, defende que a qualificação é necessária não apenas para os iniciantes, mas também para os engenheiros, mestres e encarregados de obras. “Eles que vão liderar a introdução das novas técnicas construtivas, mais industrializadas.”

GRANDE ABC - Na região, o ramo da construção contratou 1.835 pessoas nos últimos 12 meses, alta de 4,02%, mesmo com a desaceleração provocada pelas medidas econômicas do governo para encarecer o crédito e combater a alta dos preços.

Pesquisa feita pelo SindusCon-SP a pedido do Diário contabilizou 47.495 empregados. Para a diretora adjunta da regional da entidade, Rosana Carnevalli, mesmo com a realidade econômica atual, o setor mantém seu vigor para gerar empregos.

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Formalização no setor da construção avança em 13 anos

Estudo realizado pela FGV identificou que o ramo da construção segue lentamente o caminho da formalização. Dados coletados pelo economista Marcelo Neri mostram que em 1996 somente 32,7% dos trabalhadores contribuíam para a Previdência Social. Em 2009, esse número aumentou para 37,4%.

Quando a comparação é realizada com 2003, a evolução é mais expressiva, pois naquele ano a taxa de contribuição previdenciária oficial foi de 28,7%. O levantamento realizado para o SindusCon aponta também que a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas beneficiou o processo de formalização.

Outra constatação é que no setor ainda é predominantemente formado por nanoempresários, que trabalham por conta própria sem qualquer incentivo do governo.

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