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Estoque de kit de entubação em
Mauá só dura até domingo

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

São Bernardo, São Caetano e Diadema têm sedativos usados em pacientes que estão nas UTIs por, no máximo, dez dias


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

16/04/2021 | 00:01


A falta de medicamentos como sedativos e bloqueadores musculares, o chamado kit entubação, chegou ao Grande ABC. Mauá informou ontem que seu estoque para leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Nardini acaba domingo, no máximo. Em outras três cidades, São Bernardo, São Caetano e Diadema, a previsão de duração é de até dez dias, acendendo o alerta de que esses remédios possam faltar aos pacientes. Sem os sedativos, as pessoas que estão entubadas tentam retirar o tubo que está em suas gargantas.

Mauá detalhou que a administração não está encontrando os medicamentos no mercado para compra. Que há dez dias recebeu pequeno lote vindo do governo do Estado, mas, desde então, não recebeu mais. “Tivemos crescimento de 50% na necessidade destes medicamentos. O consumo aumentou porque aumentamos em 150% o número de leitos de UTI Covid desde janeiro deste ano”, detalhou o Paço, em nota.

São Bernardo informou que recebeu na última semana remessa de kit entubação do Ministério da Saúde, porém, com o aumento de leitos e de casos de internação na cidade, em março, houve consumo 60% superior dos insumos. “O estoque atual atende à demanda por dez dias, após chegada de itens provenientes de compra direta com fornecedores”, explicou a Secretaria de Saúde da cidade.

São Caetano relatou que há estoque aproximado para sete dias dos medicamentos para sedação e bloqueio muscular. A Secretaria de Saúde do município explicou que faz a alimentação diária na plataforma MedCovid com as informações de saldo e consumo dos hospitais. A administração oficiou a Secretaria de Saúde do Estado, o Ministério da Saúde, Cosems-SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde).

Em Diadema, o estoque também é estimado para sete dias. A Prefeitura informou que a Secretaria de Saúde municipal conta com pedidos em andamento para reposição deste estoque. A cidade também tem alimentado a plataforma MedCovid com dados de pacientes Covid para poder receber os medicamentos do kit entubação. Outra ação é a adesão à compra internacional que o Ministério da Saúde pretende fazer, que já foi formalizada junto à Secretaria de Estado da Saúde.

Santo André, segundo a Prefeitura, está em dia com o fornecimento de medicamentos e insumos, como oxigênio. Ribeirão Pires também informou que dispõe de estoque de insumos (kit entubação e oxigênio) satisfatório para os próximos dias e que não há risco de desabastecimento no momento.

Cardiologista intensivista da UTI Covid da Rede D’Or, Nicolle Queiroz explicou que outros países também enfrentaram essa situação e que, do ponto de vista epidemiológico, a falta de adesão da maioria das pessoas às medidas que evitam a doença, como distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos, combinado à demora na vacinação, resultou em número muito grande de pessoas contaminadas. “Abriram novos leitos, mas a produção farmacêutica ficou aquém do que era necessário”, pontuou.

Nicolle detalhou que os pacientes que são entubados permanecem dessa maneira por pelo menos uma semana, o que demanda grande quantidade de medicações sedativa e de bloqueadores musculares. “Se eu não consigo essa medicação, não consigo ventilar esse paciente. E essa é a forma de garantir que a ventilação mecânica seja mais eficaz, para que ele não se mexa e não ofereça resistência ao equipamento”, completou.

Situação se agrava em todo Estado, afirma conselho

Levantamento realizado pelo Cosems-SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) com base nos dados MedCovid, sistema do governo do Estado de São Paulo, onde as prefeituras inserem as suas necessidades de medicamentos, mostrou que 78,6% dos serviços de saúde sob gestão municipal reportam estoques de um ou mais medicamentos da classe terapêutica de bloqueadores neuromusculares com autonomia para o período de zero até sete dias.

Com relação aos medicamentos de sedação contínua, 75% dos serviços de saúde reportaram autonomia para até sete dias. Em 5 de abril, as proporções eram de 59% e 61%, respectivamente, o que indica agravamento na situação de escassez dos medicamentos utilizados para entubação dos pacientes no Estado.

O Ministério da Saúde informou que aguardava para ontem a chegada de 2,3 milhões de medicamentos para entubação. Segundo o governo federal, os insumos foram doados por um grupo de empresas formado pela Petrobras, Vale, Engie, Itaú Unibanco, Klabin e Raízen. Os medicamentos saíram da China ontem.

Em coletiva de imprensa realizada ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destacou que a obrigação de adquirir esses medicamentos é de Estados e municípios. “Todavia, estamos em uma emergência pública internacional e nós temos que tomar as providências necessárias para assegurar o abastecimento em todo o País, principalmente em municípios menores que não têm condições de compra”, afirmou.

Segundo o governo federal, as equipes do Ministério da Saúde já estão prontas para iniciar a distribuição do kit entubação e, assim que chegarem ao Brasil, os medicamentos serão rapidamente enviados para todos os Estados e Distrito Federal. “Com base em experiências anteriores, a expectativa é a de que em menos de 48 horas os medicamentos sejam distribuídos para todos os Estados”, ressaltou o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz.

A expectativa do Ministério da Saúde é que os medicamentos que serão distribuídos serão suficientes para garantir abastecimento por dez dias em relação ao bloqueador neuromuscular, analgesia e sedação por midazolam, e 15 dias com propofol (anestésico).

Ao menos 11 Estados admitem que estão com os estoques em níveis críticos ou abaixo dos patamares recomendáveis para a medicação e o tratamento de pacientes graves de Covid: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rondônia, Roraima, Pernambuco, Tocantins, Acre e Amapá.



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