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Adutora rompe e deixa Mauá sem água


Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

30/05/2006 | 07:42


Cerca de 280 mil pessoas – aproximadamente 70% da população de Mauá – estão com o abastecimento de água comprometido desde sábado em razão do rompimento de uma adutora no Jardim Zaíra. As obras de reparo foram finalizadas na noite de domingo. O fornecimento voltou a ser feito na madrugada de segunda-feira, mas, segundo a Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), a água só deve voltar às torneiras normalmente em cinco dias.

Conforme explicou o diretor de Manutenção da autarquia, Norberto Barbosa de Souza, o abastecimento tem de ser feito gradualmente para evitar que a pressão da água cause estouros na rede. “O problema de Mauá é a topografia. Há muitos bairros situados em regiões altas. Nesses bairros, o abastecimento deve demorar mais para chegar. Nos localizados em áreas baixas, a água já está chegando, com pressão menor. Não dá para estabilizar de imediato”, explicou.

De acordo com Souza, o rompimento da adutora ocorreu porque uma máquina da empresa (Mandala) que presta serviços à Sama na implantação de uma rede coletora de esgoto atingiu a tubulação da adutora, na esquina das avenidas Presidente Castelo Branco e Luiz Marcolino, durante as escavações.

Segundo o diretor da Sama, para evitar que a falta d’água interfira nos serviços públicos, a autarquia está priorizando o abastecimento de hospitais e UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Conflito – Não bastasse o rompimento da adutora, segunda-feira moradores do Jardim Zaíra 5 entraram em conflito com funcionários da Sama. O Jardim Zaíra está localizado em um dos pontos mais altos da cidade e a população está sem água desde quinta-feira. “Até hoje (segunda-feira) não mandaram sequer um caminhão-pipa para cá. Fui à Sama reclamar e disseram que a queixa tem de ser feita por telefone. Só que ninguém atende. É muita falta de consideração”, reclamou José Severiano dos Santos Filho, 47 anos.

O desempregado José Severiano diz que no sábado conseguiu pegar alguns baldes de água na Igreja Nossa Senhora Aparecida, situada no início da rua onde mora (Egnes Rimaza Gianone). “Lá tem água porque o fornecimento é feito por outra rede. Não vem da adutora que rompeu. Mas aí começou a ir muita gente e não deixaram mais. Tive de pegar o carro e buscar em galões na casa da minha cunhada, no bairro Capuava, em Santo André.” Segundo ele, a água é para lavar louça e beber. A família foi para a casa da parente para tomar banho.

Segundo o diretor da Sama, a falta de água no Zaíra 5 se deve a atos de vandalismo no reservatório do bairro promovidos por moradores que fazem ligações clandestinas na rede. “Lá, algumas áreas foram invadidas e há muito gato na rede. Temos um projeto para ampliá-la em mais dois quilômetros, justamente para evitar o desabastecimento. Mas muitas pessoas não querem isso e na sexta-feira quebraram a bomba e parte da tubulação do reservatório”, justificou.

A reportagem do Diário esteve no local na manhã de segunda-feira e constatou os danos às instalações do reservatório, que recebe água de Suzano. Dali, a água é bombeada para os reservatórios de Vila Magini e Jardim Zaíra.

Os moradores negam que o ato de vandalismo tenha relação com o projeto da Sama de regularizar a situação do bairro e, conseqüentemente, acabar com os gatos. “Moro aqui há dez anos e sempre tivemos problemas com a falta de água. Entra prefeito, sai prefeito, fazem reuniões com a comunidade e prometem resolver. Mas até agora nada foi feito. As pessoas quebraram a tubulação do reservatório porque há outros pontos da cidade em que falta água há mais de uma semana”, disse a moradora Luzia Alves Leal, 39 anos.

A Sama rebateu a afirmação e garantiu que enviou caminhões-pipa ao Zaíra 5. Segundo a autarquia, dois caminhões estiveram no bairro no sábado para abastecer a parte alta, mas os moradores da parte baixa não deixaram que passassem, alegando que deveriam ser atendidos primeiro. “É conversa fiada da Sama. Eles não resolvem logo o problema e a gente está tendo de comprar água para beber e fazer comida”, disse o aposentado Manuel Lopes da Silva, 70 anos.   Segunda-feira, dezenas de famílias se aglomeraram no reservatório do Zaíra 5 para retirar água de um dos tanques. Segundo a Sama, a perda física de água em Mauá (gatos e vazamentos) gira em torno de 45% do total de água tratada. A autarquia estima que deixa de arrecadar por mês R$ 1,6 milhão.


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Adutora rompe e deixa Mauá sem água

Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

30/05/2006 | 07:42


Cerca de 280 mil pessoas – aproximadamente 70% da população de Mauá – estão com o abastecimento de água comprometido desde sábado em razão do rompimento de uma adutora no Jardim Zaíra. As obras de reparo foram finalizadas na noite de domingo. O fornecimento voltou a ser feito na madrugada de segunda-feira, mas, segundo a Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), a água só deve voltar às torneiras normalmente em cinco dias.

Conforme explicou o diretor de Manutenção da autarquia, Norberto Barbosa de Souza, o abastecimento tem de ser feito gradualmente para evitar que a pressão da água cause estouros na rede. “O problema de Mauá é a topografia. Há muitos bairros situados em regiões altas. Nesses bairros, o abastecimento deve demorar mais para chegar. Nos localizados em áreas baixas, a água já está chegando, com pressão menor. Não dá para estabilizar de imediato”, explicou.

De acordo com Souza, o rompimento da adutora ocorreu porque uma máquina da empresa (Mandala) que presta serviços à Sama na implantação de uma rede coletora de esgoto atingiu a tubulação da adutora, na esquina das avenidas Presidente Castelo Branco e Luiz Marcolino, durante as escavações.

Segundo o diretor da Sama, para evitar que a falta d’água interfira nos serviços públicos, a autarquia está priorizando o abastecimento de hospitais e UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Conflito – Não bastasse o rompimento da adutora, segunda-feira moradores do Jardim Zaíra 5 entraram em conflito com funcionários da Sama. O Jardim Zaíra está localizado em um dos pontos mais altos da cidade e a população está sem água desde quinta-feira. “Até hoje (segunda-feira) não mandaram sequer um caminhão-pipa para cá. Fui à Sama reclamar e disseram que a queixa tem de ser feita por telefone. Só que ninguém atende. É muita falta de consideração”, reclamou José Severiano dos Santos Filho, 47 anos.

O desempregado José Severiano diz que no sábado conseguiu pegar alguns baldes de água na Igreja Nossa Senhora Aparecida, situada no início da rua onde mora (Egnes Rimaza Gianone). “Lá tem água porque o fornecimento é feito por outra rede. Não vem da adutora que rompeu. Mas aí começou a ir muita gente e não deixaram mais. Tive de pegar o carro e buscar em galões na casa da minha cunhada, no bairro Capuava, em Santo André.” Segundo ele, a água é para lavar louça e beber. A família foi para a casa da parente para tomar banho.

Segundo o diretor da Sama, a falta de água no Zaíra 5 se deve a atos de vandalismo no reservatório do bairro promovidos por moradores que fazem ligações clandestinas na rede. “Lá, algumas áreas foram invadidas e há muito gato na rede. Temos um projeto para ampliá-la em mais dois quilômetros, justamente para evitar o desabastecimento. Mas muitas pessoas não querem isso e na sexta-feira quebraram a bomba e parte da tubulação do reservatório”, justificou.

A reportagem do Diário esteve no local na manhã de segunda-feira e constatou os danos às instalações do reservatório, que recebe água de Suzano. Dali, a água é bombeada para os reservatórios de Vila Magini e Jardim Zaíra.

Os moradores negam que o ato de vandalismo tenha relação com o projeto da Sama de regularizar a situação do bairro e, conseqüentemente, acabar com os gatos. “Moro aqui há dez anos e sempre tivemos problemas com a falta de água. Entra prefeito, sai prefeito, fazem reuniões com a comunidade e prometem resolver. Mas até agora nada foi feito. As pessoas quebraram a tubulação do reservatório porque há outros pontos da cidade em que falta água há mais de uma semana”, disse a moradora Luzia Alves Leal, 39 anos.

A Sama rebateu a afirmação e garantiu que enviou caminhões-pipa ao Zaíra 5. Segundo a autarquia, dois caminhões estiveram no bairro no sábado para abastecer a parte alta, mas os moradores da parte baixa não deixaram que passassem, alegando que deveriam ser atendidos primeiro. “É conversa fiada da Sama. Eles não resolvem logo o problema e a gente está tendo de comprar água para beber e fazer comida”, disse o aposentado Manuel Lopes da Silva, 70 anos.   Segunda-feira, dezenas de famílias se aglomeraram no reservatório do Zaíra 5 para retirar água de um dos tanques. Segundo a Sama, a perda física de água em Mauá (gatos e vazamentos) gira em torno de 45% do total de água tratada. A autarquia estima que deixa de arrecadar por mês R$ 1,6 milhão.

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