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Deputados pró-impeachment tentam reduzir duração de sessão



16/04/2016 | 05:40


Os deputados Jovair Arantes (PTB-GO) e Carmem Zanotto (PPS-SC) passaram a madrugada deste sábado tentando abreviar a sessão de debates que precede a votação sobre a admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. A sessão começou às 8h55 de sexta-feira e segue ininterruptamente.

O objetivo dos oposicionistas era garantir que a votação tenha início na tarde do domingo, 17. Pelo trâmite que está sendo observado, os deputados começariam a anunciar seus votos por volta das 2h da segunda-feira, 18.

Arantes elaborou um roteiro em que somava o tempo de uma hora reservado a cada um dos 25 partidos com representação da Casa, mais as duas horas em cada uma das 12 sessões extraordinárias reservadas à fala dos líderes e os três minutos para cada um dos 249 inscritos. Somou isso os 25 minutos reservados à fala do relator e os 3 minutos estimados para a orientação das bancadas de cada um dos 25 partidos. "Isso daria 41 horas", disse.

Com o roteiro nas mãos, Arantes e Zanotto abordaram lideranças dos partidos com posicionamento pró-impeachment para propor que eles abdicassem de parte do tempo a que têm direito.

Ao menos oito legendas (PRB, PTB, SD, PTN, PSC, PPS, PHS e PROS) abriram mão de 20 minutos da uma hora a que tinham direito para discursos. "Só com isso conseguiremos reduzir 2 horas e 40 minutos", disse Arantes.

Também foi costurado um acordo para diminuir o número de líderes que vão se manifestar a cada sessão. "Propusemos que aqueles que tinham direito a dez minutos, que reduzissem para seis. Quem tem seis minutos, que falasse por três. Assim, reduziríamos mais duas horas", afirmou o parlamentar.

Relator do parecer pela admissibilidade do processo de impeachment, Arantes disse que irá abreviar sua fala.

A realização da votação no domingo interessa ao deputados pró-impeachment porque o horário permite uma maior audiência e, consequentemente, significa mais pressão sobre os ombros dos parlamentares.

A proposta, no entanto, esbarra na avidez dos parlamentares por discursar na sessão histórica que avalia a abertura do segundo processo de impeachment de um presidente após a redemocratização do País.

Nem no PSDB os parlamentares quiseram abrir mão do tempo integral das falas, o que gerou discussões acaloradas. Eram tantos deputados querendo falar que os tucanos tiveram de fazer um sorteio.

"Vamos tentar convencer os deputados, mas é difícil porque todo mundo quer falar", disse o deputado Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB - um dos partidos mais atuantes pela aprovação do impeachment.

Ao longo a noite, os deputados se revezaram em discursos contundentes, apesar da baixa audiência. Às 4h29, os deputados do PCdoB chegaram juntos ao plenário da Câmara e ficaram sabendo da movimentação da oposição.

Os comunistas comentaram que Arantes marcou uma reunião para as 10h para fazer um apelo sobre a redução do tempo de fala. "Quando os adversários fazem qualquer movimento, nós fazemos o movimento contrário", disse o deputado Orlando Silva (PCdoB), um dos vice-líderes do governo.

Para a base governista, o cenário ideal é que os discursos se prolonguem ao máximo, pois prejudicaria a transmissão ao vivo na TV, esfriaria o ânimo dos manifestantes e ampliaria a possibilidade de ausências, que interessam ao governo.



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