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Trupe andreense dá volta ao Brasil em motorhome

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Viagem durou seis meses e foi paga com o valor arrecadado nas apresentações circenses


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

10/05/2021 | 00:01


O picadeiro da tradicional trupe Circo do Asfalto, de Santo André, ganhou rodas. Em meio à pandemia, o grupo juntou os apetrechos, cenários e figurinos e passou a rodar o Brasil a bordo de um motorhome – veículo equipado com espaços de uma residência, como cozinha, banheiro e outras acomodações –, com a missão de levar cultura e alegria aos destinos mais isolados do Brasil. A viagem, que partiu do Jardim Bom Pastor, em Santo André, há seis meses, terminou na quinta-feira, com milhares de quilômetros percorridos entre Estados como Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

“Há cinco anos já sonhávamos com este motorhome. Em 2020 seria um ano maravilhoso para nós, financeiramente, pois compraríamos uma van nova. Mas, com a pandemia, perdemos os trabalhos e nos frustramos em mais uma vez precisar interromper esse sonho”, declara Fran Marinho, 36 anos, também conhecida como a palhaça Francisquinha.

O motorhome da família – também formada por Douglas Marinho, 36, o malabarista Diou; Téo Marinho, 10, filho do casal que se autonomeou como Palitinho; e Kinã Marinho, o caçula, de 1 ano e 5 meses – demorou cerca de três meses para ficar pronto e foi montado com ajuda de vídeos do YouTube de outras famílias que contam suas experiências na plataforma. “Nós montamos o motorhome meio que correndo contra o tempo para sairmos logo. Agora que chegamos, vamos consertar o que não deu certo e fazer novas adaptações para próxima viagem (leia mais sobre a próxima aventura ao lado)”, explica Fran.

A família se desfez do veículo que tinha, um Fiat Doblò, por R$ 45 mil para conseguir verba e comprar o motorhome, que nada mais é do que uma van antes usada pelo Corpo de Bombeiros. A aquisição foi em um leilão, por R$ 40 mil. “Sobrou essa grana (R$ 5.000) que usamos para reformá-lo. Na verdade, fomos corajosos, tínhamos recém-reformado o galpão em que moramos, então sobrou muito material, e ainda tivemos ajuda de familiares. Não fizemos do jeito que gostaríamos, por conta de tempo e de grana mesmo, mas saímos assim mesmo”, comenta Fran.

Um dos destinos da família foi a cidade de Ingazeira, em Pernambuco. Lá, eles se apresentaram no festival Chama Violeta, autorizado pelo governo estadual e vigilância sanitária por cumprir todas as precauções para a prevenção da Covid. O festival começou no fim de outubro e o grupo chegou dias antes para cumprir o tempo de isolamento físico e realizar teste da Covid-19 antes de subir ao palco. “Fizemos apresentações, passávamos o tradicional chapéu, e foi como conseguimos R$ 800; e também o chapéu virtual, que deixamos disponível, por onde recebemos em torno de R$ 400”, destaca Marinho.

GASTOS
O grupo calcula que o custo mensal para se manter na estrada com o motorhome foi em torno de R$ 4.000, valor que foi pago com os recursos que receberam durante as apresentações que fizeram ao longo da viagem.

Aventura garantiu melhor qualidade de vida à família

Por mais que a trupe tenha considerado a viagem prazerosa, os seis meses a bordo de um motorhome também foram recheados de ‘perrengues’, mas o grupo diz que não se arrepende, inclusive, já está programando a próxima aventura, também de motorhome. Douglas e Fran Marinho comentam que o veículo quebrou pelo menos seis vezes durante o percurso e que, agora, em Santo André, farão os ajustes para não acontecer da próxima vez.

“Eram coisas pequenas, mas que atrapalharam a viagem, não tem jeito. Seja um vazamento no banheiro ou, por exemplo, o transformador da geladeira que quebrou e ficamos sem ela durante a viagem”, declara Douglas. Mas isso não abalou a experiência da família em praticamente todo dia acordar em um lugar diferente. “Eu brincava e falava que todo dia a vista da minha janela estava diferente”, lembra Fran.

A partir do momento em que saiu de Santo André, o grupo circense conta que se acostumou a comer alimentos orgânicos, fornecidos por produtores locais nos pontos em que parou, e a partir daí criou rotina diferente. “Queríamos experimentar uma vida mais tranquila. Aproveitar esses momentos. Então, criamos uma rotina de pelo menos os meninos (Téo e Kinã) aproveitarem duas horas no rio, todos os dias. Inclusive, para o Téo foi muito bom, estudamos juntos sobre os Estados do País, comidas típicas e as culturas de cada região que passamos”, ressalta Fran.

PRÓXIMO DESTINO
Em setembro a família viaja novamente. O destino será o Jalapão, no Tocantins, para participar de um projeto nas comunidades quilombolas daquela região. A ideia é finalizar o trabalho neste período e depois ir para o Nordeste até a pandemia acabar. “Queremos sair do Jalapão, subir até chegar em Belém e depois ir até o Nordeste. Pretendemos alugar alguma casa e ficar lá, em uma região menos povoada e segura com relação à Covid”, finaliza Douglas.

As aventuras e os trabalhos da companhia podem ser acompanhados pelos canais do Instagram (@circodoasfalto) ou pelo YouTube, no canal Circo do Asfalto. 



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