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Negros com mais qualidade de vida


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

15/11/2005 | 08:03


Um estudo da ONG carioca Observatório Afro-brasileiro concluiu fato positivo para o Grande ABC comemorar no Dia Nacional da Consciência Negra, no próximo dia 20. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da população negra em seis cidades da região é considerado médio-alto – entre 0,7 e 0,8 –, acima da média. Em São Caetano, o índice é ainda mais elevaddo, 0,833, cidade que possui padrão considerado alto.

Entre os brancos da região, a realidade é mais positiva, como em todo Brasil. Com exceção de Rio Grande da Serra, que tem nível médio-alto de IDH, todas as outras cidades possuem índice alto.

A comunidade negra de São Caetano tem uma peculiaridade se considerado o contexto da realidade dos negros no Brasil. Essa comunidade possui o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entre todos os grupos negros do Brasil. O indicador, que vai de zero a um, aponta a qualidade de vida de uma região e tem como base três fatores – nível de escolaridade, renda média e expectativa de vida da população.

Essa é a primeira vez que o IDH de uma cidade é dividido entre negros e brancos. O estudo foi feito pelo Observatório Afro-brasileiro e tem como base o Censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No trabalho, foi analisado o IDH dos negros de 4.605 municípios dos 5.507 existentes até então. Além de São Caetano, apenas outras seis cidades do Brasil apresentaram IDH acima de 0,8. Entre brancos, esse patamar é alcançado em 1.591 municípios brasileiros.

Para o coordenador do curso de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcelo Paixão, o resultado – que mostra poucas regiões onde os negros são privilegiados – não surpreende. “É uma realidade que todos nós conhecíamos, mesmo sem ter em mãos uma fonte de dados confiável”, afirma.

Preconceito – Independentemente do bom panorama na região, o preconceito ainda é realidade para o negro. Entre as crianças, costuma ser exposto de forma explícita, mas é camuflado entre os adultos. Instrutor técnico de empilhadeira, o andreense Cláudio Sant’Anna, 48 anos, ainda se depara com o espanto de seus alunos cada vez que vai ministrar um curso. “Eles me vêem e perguntam quando vai chegar o professor”, diz. Filho de uma empregada doméstica e um operador de empilhadeira, que “fez de tudo um pouco na vida”, Claudio é exemplo de pessoa bem-sucedida dentro da comunidade negra.

Ele não teve a chance de estudar em colégios particulares, mas chegou a um curso de nível superior. Formou-se em Tecnologia em Processo de Produção e Usinagem. Na classe, apenas outros dois alunos negros. Apesar de seu pai ter estudado apenas até o segundo ano primário, o instrutor sempre teve liberdade para se dedicar integralmente aos estudos.

Começou a trabalhar aos 19 anos e quando ficou desempregado afirma ter enviado mais de 1,5 mil currículos antes de conseguir um novo trabalho. A dificuldade, segundo ele, foi resultado do preconceito. “Essa é uma questão delicada. Lembro que quando era criança vinham umas pessoas vender roupa de casa em casa. Quando chegavam na minha e minha mãe atendia, eles pediam para falar com a dona da casa. As pessoas estão acostumadas a ver o negro em sub-empregos. Mas é possível sair dessa realidade.”


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Negros com mais qualidade de vida

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

15/11/2005 | 08:03


Um estudo da ONG carioca Observatório Afro-brasileiro concluiu fato positivo para o Grande ABC comemorar no Dia Nacional da Consciência Negra, no próximo dia 20. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da população negra em seis cidades da região é considerado médio-alto – entre 0,7 e 0,8 –, acima da média. Em São Caetano, o índice é ainda mais elevaddo, 0,833, cidade que possui padrão considerado alto.

Entre os brancos da região, a realidade é mais positiva, como em todo Brasil. Com exceção de Rio Grande da Serra, que tem nível médio-alto de IDH, todas as outras cidades possuem índice alto.

A comunidade negra de São Caetano tem uma peculiaridade se considerado o contexto da realidade dos negros no Brasil. Essa comunidade possui o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entre todos os grupos negros do Brasil. O indicador, que vai de zero a um, aponta a qualidade de vida de uma região e tem como base três fatores – nível de escolaridade, renda média e expectativa de vida da população.

Essa é a primeira vez que o IDH de uma cidade é dividido entre negros e brancos. O estudo foi feito pelo Observatório Afro-brasileiro e tem como base o Censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No trabalho, foi analisado o IDH dos negros de 4.605 municípios dos 5.507 existentes até então. Além de São Caetano, apenas outras seis cidades do Brasil apresentaram IDH acima de 0,8. Entre brancos, esse patamar é alcançado em 1.591 municípios brasileiros.

Para o coordenador do curso de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcelo Paixão, o resultado – que mostra poucas regiões onde os negros são privilegiados – não surpreende. “É uma realidade que todos nós conhecíamos, mesmo sem ter em mãos uma fonte de dados confiável”, afirma.

Preconceito – Independentemente do bom panorama na região, o preconceito ainda é realidade para o negro. Entre as crianças, costuma ser exposto de forma explícita, mas é camuflado entre os adultos. Instrutor técnico de empilhadeira, o andreense Cláudio Sant’Anna, 48 anos, ainda se depara com o espanto de seus alunos cada vez que vai ministrar um curso. “Eles me vêem e perguntam quando vai chegar o professor”, diz. Filho de uma empregada doméstica e um operador de empilhadeira, que “fez de tudo um pouco na vida”, Claudio é exemplo de pessoa bem-sucedida dentro da comunidade negra.

Ele não teve a chance de estudar em colégios particulares, mas chegou a um curso de nível superior. Formou-se em Tecnologia em Processo de Produção e Usinagem. Na classe, apenas outros dois alunos negros. Apesar de seu pai ter estudado apenas até o segundo ano primário, o instrutor sempre teve liberdade para se dedicar integralmente aos estudos.

Começou a trabalhar aos 19 anos e quando ficou desempregado afirma ter enviado mais de 1,5 mil currículos antes de conseguir um novo trabalho. A dificuldade, segundo ele, foi resultado do preconceito. “Essa é uma questão delicada. Lembro que quando era criança vinham umas pessoas vender roupa de casa em casa. Quando chegavam na minha e minha mãe atendia, eles pediam para falar com a dona da casa. As pessoas estão acostumadas a ver o negro em sub-empregos. Mas é possível sair dessa realidade.”

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