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Insensatez


Do Diário do Grande ABC

15/06/2017 | 07:00


Busco a sensatez. Não a humana, porque já perdi a esperança de encontrá-la. Parece-me pouco provável que exista, afinal. Mesmo assim, busco alguma, qualquer que seja a sensatez. Busco-a incessantemente. Talvez esteja louco aos olhos do leitor que também segue em busca de uma maneira de compreender o coração aflito que se desespera à procura de algo que não sabe se de fato existe.

Não ligo a TV, do contrário acabaria por me convencer de que o artigo em questão é devaneio que só existe no meu utópico conceito de uma vida ideal. As políticas, a corrida desenfreada para alcançar o poder a qualquer preço... Poder que, aliás, não pode vir de outra coisa senão do dinheiro farto, este que enriquece alguns à custa da ruína de outros e que impele o homem a cometer desatinos em nome do conforto exagerado. Luxo desmedido e inútil de gente que corre atrás de muito dinheiro, tanto que se vivesse por alguns milhares de anos, ainda assim não conseguiria gastá-lo. E as incontáveis formas de consegui-lo sempre acabam por esbarrar naquilo que não é sensato. Insensatez, essa loucura que leva o sujeito a passar toda a sua etapa terrena correndo atrás do montante que sequer conseguirá gastar, ao passo que pequena parcela de toda essa riqueza seria suficiente para se tocar uma vida de fartura.

E o homem faz guerra para sustentar o poder ou tomá-lo a qualquer custo. As guerras são, pois, frutos deste expediente que funciona como mecanismo para fomentar a ambição que cerceia a vida. Não importa quem morra ou a dor de quem tudo perde, inclusive, os seus. É preciso que se alcance o objetivo de conquista que, num determinado ponto, perde-se num emaranhado de causas e resultados indesejados, tornando-se desconhecido, sem sentido, insensato, insano.

Logicamente que nas guerras está o maior exemplo de insensatez que permeia a vigorosa mente humana, embora possa ser encontrada também no trabalho, no estudo, na rua, na condução, em casa... No dia a dia. Em qualquer parte ela reina absoluta, acenando para o fato de ser impossível viver toda uma existência livre dela. Ou um dia que seja.

E é hereditária a tal praga que afeta o estômago por ser indigesta. Apesar de que, é também necessário nos render à sua importância enquanto rico material que se torna na mente do artista. O que seria, afinal, da literatura, da música, do teatro, do cinema, caso ela não existisse. Há de fato muita inspiração nas mãos de gente que se utiliza dela para construir belas obras que enchem os corações de bons apreciadores. Até mesmo este texto teve a sua valiosa contribuição.

Pensando melhor, ela faz parte da vida. Tem lá o seu valor. Que faço eu me revoltando? Até porque, sou parte deste mundo repleto de pessoas que reclamam, cheias de despeito, da riqueza que vai à mesa do corrupto. Quem dera ter a oportunidade de desfrutar dela e se lambuzar da insensatez do outro – é o que vai lá, no mais fundo da mente daquele para quem a vida não teria a menor graça sem ela, a obscura e daninha insensatez.


Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com
E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 



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Insensatez

Do Diário do Grande ABC

15/06/2017 | 07:00


Busco a sensatez. Não a humana, porque já perdi a esperança de encontrá-la. Parece-me pouco provável que exista, afinal. Mesmo assim, busco alguma, qualquer que seja a sensatez. Busco-a incessantemente. Talvez esteja louco aos olhos do leitor que também segue em busca de uma maneira de compreender o coração aflito que se desespera à procura de algo que não sabe se de fato existe.

Não ligo a TV, do contrário acabaria por me convencer de que o artigo em questão é devaneio que só existe no meu utópico conceito de uma vida ideal. As políticas, a corrida desenfreada para alcançar o poder a qualquer preço... Poder que, aliás, não pode vir de outra coisa senão do dinheiro farto, este que enriquece alguns à custa da ruína de outros e que impele o homem a cometer desatinos em nome do conforto exagerado. Luxo desmedido e inútil de gente que corre atrás de muito dinheiro, tanto que se vivesse por alguns milhares de anos, ainda assim não conseguiria gastá-lo. E as incontáveis formas de consegui-lo sempre acabam por esbarrar naquilo que não é sensato. Insensatez, essa loucura que leva o sujeito a passar toda a sua etapa terrena correndo atrás do montante que sequer conseguirá gastar, ao passo que pequena parcela de toda essa riqueza seria suficiente para se tocar uma vida de fartura.

E o homem faz guerra para sustentar o poder ou tomá-lo a qualquer custo. As guerras são, pois, frutos deste expediente que funciona como mecanismo para fomentar a ambição que cerceia a vida. Não importa quem morra ou a dor de quem tudo perde, inclusive, os seus. É preciso que se alcance o objetivo de conquista que, num determinado ponto, perde-se num emaranhado de causas e resultados indesejados, tornando-se desconhecido, sem sentido, insensato, insano.

Logicamente que nas guerras está o maior exemplo de insensatez que permeia a vigorosa mente humana, embora possa ser encontrada também no trabalho, no estudo, na rua, na condução, em casa... No dia a dia. Em qualquer parte ela reina absoluta, acenando para o fato de ser impossível viver toda uma existência livre dela. Ou um dia que seja.

E é hereditária a tal praga que afeta o estômago por ser indigesta. Apesar de que, é também necessário nos render à sua importância enquanto rico material que se torna na mente do artista. O que seria, afinal, da literatura, da música, do teatro, do cinema, caso ela não existisse. Há de fato muita inspiração nas mãos de gente que se utiliza dela para construir belas obras que enchem os corações de bons apreciadores. Até mesmo este texto teve a sua valiosa contribuição.

Pensando melhor, ela faz parte da vida. Tem lá o seu valor. Que faço eu me revoltando? Até porque, sou parte deste mundo repleto de pessoas que reclamam, cheias de despeito, da riqueza que vai à mesa do corrupto. Quem dera ter a oportunidade de desfrutar dela e se lambuzar da insensatez do outro – é o que vai lá, no mais fundo da mente daquele para quem a vida não teria a menor graça sem ela, a obscura e daninha insensatez.


Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com
E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 

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