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Desespero social


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

13/05/2011 | 07:04


A história da humanidade é marcada pelas superações diante de grandes adversidades. A esperança de se reerguer se torna combustível para novas realizações. Mas nem sempre as coisas saem como esperamos. O drama de um trabalhador que acaba engolido pela máquina capitalista dita o enredo de 'No Olho da Rua'.

O filme nacional chega hoje aos cinemas com número de cópias bem modesto, sendo que ainda não há nenhuma sala do Grande ABC com o título em cartaz.

O longa-metragem apresenta o metalúrgico Oton, interpretado por Murilo Rosa.

Após 20 anos trabalhando em uma empresa, ele é demitido e precisa encontrar caminho. Entre diversas complicações, o desempregado busca algum tipo de força para erguer a cabeça. Para tanto, começa a fazer bico com mudanças - até que seu amigo rouba a picape que tem lhe sustentado.

O filme teve pré-estreia na quarta-feira à noite, com sessão especial no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo. A ocasião contou com a participação do diretor Rogério Corrêa, que faz sua estreia em longa-metragens com a obra.

"Quero despertar no público uma grande discussão sobre a situação de desespero que o personagem vive. O filme é feito para provocar o debate em torno da ocupação e como o emprego dá identidade a uma pessoa", explica o cineasta, que sempre se interessou por informações e histórias do movimento trabalhista.

A ideia para o projeto nasceu ainda na década de 1990, quando o índice de desemprego atingiu 14% da população brasileira. Após ouvir relatos de pessoas que tentavam arrumar um meio de sobreviver na complicada fase, Corrêa desenvolveu todo o conceito de 'No Olho da Rua'.

Para Murilo Rosa, que também esteve na pré-estreia na região, o martírio vivido pelo metalúrgico deve servir de exemplo para todos os trabalhadores. "Nem todo mundo consegue dar a volta por cima. No caso do Oton, ele está nadando contra a corrente que o está levando. É importante que seu drama não se repita na vida real", diz o ator. "O filme não tem um fim tradicional porque na vida nem tudo dá certo."

Uma parte bastante interessante do longa fica em torno das poucas possibilidades que surgem diante do novo desempregado. Ao mesmo tempo que se mostra desesperado para conseguir algo que lhe garanta dinheiro, ele tem de lidar com os limites éticos impostos por sua trajetória como uma ‘pessoa de bem'. A situação fica tão complicada que a vida pessoal também é duramente afetada, levando Oton a questionar suas crenças pessoais e religiosas.

Além da bela pesquisa do diretor, a atuação de Murilo Rosa mostra seu comprometimento com a obra - ao ponto de deixar de lado o estilo galã que marca suas participações em novelas na televisão para convencer na pele do trabalhador paulista.

O tema abordado parece distante da realidade atual do País e de uma geração que não para de enxergar possibilidades com o avanço do mundo, mas é atemporal quando observado sob um contexto social que é mais comum do que se pode perceber. A dor da perda de sua identidade profissional faz com que tenha de se reencontrar em um mundo capitalista no qual as oportunidades profissionais são escassas.



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