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Cláudio Torres investe no cinema comercial



21/11/2008 | 07:00


Cláudio Torres quer fazer cinema comercial de qualidade, para se comunicar. A crítica tem suas ressalvas, mas o público começa a dizer nesta sexta-feira o que pensa sobre A Mulher do Meu Amigo, em cartaz também no Grande ABC. As primeiras amostras foram promissoras. As sessões de pré-estréia, não necessariamente para convidados, mostravam platéias que riam nos momentos que o diretor Torres considerava certos.

O próprio Torres não tem o perfil tradicional do diretor de filmes comerciais. Com seu longa anterior, O Redentor, ele foi a Berlim, onde seu filme - delirante, no sentido glauberiano, no que envolve de descontinuidade e implosão de estéticas - ganhou críticas simpáticas e até elogiosas. Cláudio Torres, filho da atriz Fernanda Montenegro e do ator e diretor Fernando Torres, morto há três meses, integra o colegiado da Conspiração Filmes. Ele veio da publicidade e, no começo, não se preocupava em fazer filmes pela paixão e comerciais para sobreviver. Esta fase passou. "Acredito na indústria, quero dar minha contribuição para poder viver de cinema", ele diz.

Cláudio encontra-se numa situação singular, que deveria fazer a glória de qualquer diretor brasileiro. Estréia um filme hoje, A Mulher do Meu Amigo, tem outro pronto (e anterior), A Mulher Invisível, que estréia em meados do ano que vem, tem um projeto de comédia romântica para filmar em 2009 e, antes disso, talvez no primeiro semestre, faça outra comédia com sua mãe, A Sogra.

De encomenda - Três ou quatro projetos rodando simultaneamente não representam pouca coisa. Apontam para uma cinematografia desenvolvida, o que não é bem o caso da brasileira. Cláudio pode-se considerar um privilegiado, mas ele batalha para isso. A Mulher do Meu Amigo é um projeto de encomenda que ele aceitou fazer.

"Meu sócio, Pedro Buarque, comprou os direitos da peça Largando o Escritório, de Domingos Oliveira. Me ofereci para dirigir. Adoro o estilo de humor e os diálogos do Domingos. E estou, já que pretendo permanecer cineasta, nessa fase de enriquecer a gramática. Estabeleci apenas duas condições - queria escolher o elenco e o diretor de arte."

O elenco é integrado por Marcos Palmeira, Maria Luisa Mendonça, Octávio Müller e Mariana Ximenes. "Sei do que Marquinhos é capaz, mas não queria investir na sua imagem de galã. Pedi que engordasse um pouco, ficasse mais relaxado e desleixado. Maria Luisa é uma das mais inteligentes atrizes brasileiras. Escalei-a para ser a loira burra. E Mariana e Octávio formam o par erótico. Todo mundo acha improvável, mas não vi platéia nenhuma que tenha resistido às cenas de sadomasoquismo dos dois no motel."

Havia, na essência da trama de Redentor, a idéia de um capitalismo predador que se repete aqui no personagem voraz de Antônio Fagundes, o magnata, pai de Mariana Ximenes, que força a união dela com Marcos Palmeira. A forma como o genro consegue se emancipar tem a ver com esse olhar crítico que Cláudio Torres gosta de lançar sobre as instituições brasileiras. Como não existe fórmula que garanta antecipadamente o sucesso comercial, A Mulher do Meu Amigo não deixa de ser um programa de risco.

Não existe tradição de loira burra no cinema nacional e algumas coisas parecem disparatadas, para dizer-se o mínimo. Existe uma bicicleta que acompanha o carro nas curvas da estrada que liga São Paulo ao morro do Rio. É isso mesmo. Torres achou que seria divertido, mas ela talvez aponte para uma subtrama que não existe. A gramática é cuidada, o elenco legal, mesmo nos casos em que não existe muita química. Enfim, é outra Casa da Mãe Joana. A de Hugo Carvana, até que foi bem de público. Resta saber como irá A Mulher de Meu Amigo.



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Cláudio Torres investe no cinema comercial


21/11/2008 | 07:00


Cláudio Torres quer fazer cinema comercial de qualidade, para se comunicar. A crítica tem suas ressalvas, mas o público começa a dizer nesta sexta-feira o que pensa sobre A Mulher do Meu Amigo, em cartaz também no Grande ABC. As primeiras amostras foram promissoras. As sessões de pré-estréia, não necessariamente para convidados, mostravam platéias que riam nos momentos que o diretor Torres considerava certos.

O próprio Torres não tem o perfil tradicional do diretor de filmes comerciais. Com seu longa anterior, O Redentor, ele foi a Berlim, onde seu filme - delirante, no sentido glauberiano, no que envolve de descontinuidade e implosão de estéticas - ganhou críticas simpáticas e até elogiosas. Cláudio Torres, filho da atriz Fernanda Montenegro e do ator e diretor Fernando Torres, morto há três meses, integra o colegiado da Conspiração Filmes. Ele veio da publicidade e, no começo, não se preocupava em fazer filmes pela paixão e comerciais para sobreviver. Esta fase passou. "Acredito na indústria, quero dar minha contribuição para poder viver de cinema", ele diz.

Cláudio encontra-se numa situação singular, que deveria fazer a glória de qualquer diretor brasileiro. Estréia um filme hoje, A Mulher do Meu Amigo, tem outro pronto (e anterior), A Mulher Invisível, que estréia em meados do ano que vem, tem um projeto de comédia romântica para filmar em 2009 e, antes disso, talvez no primeiro semestre, faça outra comédia com sua mãe, A Sogra.

De encomenda - Três ou quatro projetos rodando simultaneamente não representam pouca coisa. Apontam para uma cinematografia desenvolvida, o que não é bem o caso da brasileira. Cláudio pode-se considerar um privilegiado, mas ele batalha para isso. A Mulher do Meu Amigo é um projeto de encomenda que ele aceitou fazer.

"Meu sócio, Pedro Buarque, comprou os direitos da peça Largando o Escritório, de Domingos Oliveira. Me ofereci para dirigir. Adoro o estilo de humor e os diálogos do Domingos. E estou, já que pretendo permanecer cineasta, nessa fase de enriquecer a gramática. Estabeleci apenas duas condições - queria escolher o elenco e o diretor de arte."

O elenco é integrado por Marcos Palmeira, Maria Luisa Mendonça, Octávio Müller e Mariana Ximenes. "Sei do que Marquinhos é capaz, mas não queria investir na sua imagem de galã. Pedi que engordasse um pouco, ficasse mais relaxado e desleixado. Maria Luisa é uma das mais inteligentes atrizes brasileiras. Escalei-a para ser a loira burra. E Mariana e Octávio formam o par erótico. Todo mundo acha improvável, mas não vi platéia nenhuma que tenha resistido às cenas de sadomasoquismo dos dois no motel."

Havia, na essência da trama de Redentor, a idéia de um capitalismo predador que se repete aqui no personagem voraz de Antônio Fagundes, o magnata, pai de Mariana Ximenes, que força a união dela com Marcos Palmeira. A forma como o genro consegue se emancipar tem a ver com esse olhar crítico que Cláudio Torres gosta de lançar sobre as instituições brasileiras. Como não existe fórmula que garanta antecipadamente o sucesso comercial, A Mulher do Meu Amigo não deixa de ser um programa de risco.

Não existe tradição de loira burra no cinema nacional e algumas coisas parecem disparatadas, para dizer-se o mínimo. Existe uma bicicleta que acompanha o carro nas curvas da estrada que liga São Paulo ao morro do Rio. É isso mesmo. Torres achou que seria divertido, mas ela talvez aponte para uma subtrama que não existe. A gramática é cuidada, o elenco legal, mesmo nos casos em que não existe muita química. Enfim, é outra Casa da Mãe Joana. A de Hugo Carvana, até que foi bem de público. Resta saber como irá A Mulher de Meu Amigo.

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